Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão   Rames et.al
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Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão Rames et.al


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\u2013 incapa-
cidade de realizar a extensão do punho,
dedos e polegar.
Objetivos da órtese
Impedir o estiramento dos extensores
do punho, dedos e polegar, estabilizar o
punho, permitir a extensão passiva dos
dedos e polegar.
SENSIBILIDADE
Pacientes portadores de lesões nervo-
sas devem ser submetidos a uma criterio-
sa avaliação da sensibilidade. Esta poderá
elucidar dados como a presença de uma
lesão parcial, acompanhar a evolução da
reinervação e determinar a necessidade de
uma reeducação sensorial.
O exame clínico pode revelar altera-
ções do trofismo, alteração da função
vasomotora, perda da sudorese, atrofia
da polpa dos dedos, alterações ungueais,
crescimento e queda de pêlos, susceptibi-
lidade a lesões, lentidão na cicatrização e
outros.
Após a lesão de um nervo periférico a
área autonômica torna-se anestesiada e
áreas vizinhas de regiões com sensibilida-
de preservada encontram-se com hipoes-
tesia. Testes cuidadosos podem definir a
área real do comprometimento sensitivo.
Com o decorrer do tempo as áreas de
hipoestesia apresentam melhora da sensi-
bilidade. A regeneração nervosa em huma-
nos ocorre numa velocidade de 1 a 2 mm
por dia. O acompanhamento do sinal de
Tinel (percussão no trajeto do nervo de dis-
tal para proximal em busca de choque que
traduz a regeneração nervosa) auxilia na
interpretação da recuperação da sensibili-
dade em áreas anestésicas. 
TESTES DE SENSIBILIDADE
A utilização dos testes de sensibilida-
de pode nos fornecer dados mais objeti-
vos de evolução sobre as sensações sub-
jetivas descritas pelo paciente. Contudo,
para sua aplicação, é necessário conside-
rar algumas variáveis que podem alterar a
respostas dos testes, causando uma
interpretação errônea:
\u2022 Ambiente adequado: deve ser silencio-
so, livre de distrações;
\u2022 O paciente deve estar relaxado e com
capacidade de concentração;
\u2022 Deve conhecer os instrumentos utiliza-
dos nos testes;
\u2022 Posicionamento adequado do membro a
ser avaliado;
\u2022 O mesmo examinador deve realizar os
diferentes testes com o mesmo paciente.
Os testes de sensibilidade podem ser
divididos em:
1. Determinação do limiar de sensibili-
dade
\u2022 Tato / Monofilamentos de Semmes-
Weinstein (teste de Von Frey): consta de
um conjunto de monofilamentos de nylon,
com diâmetros diferentes, capazes de
promover uma pressão de força de 0,05 a
300 gm, quando tocados, perpendicular-
mente, na pele, até se curvarem. O
paciente deve referir se sentiu ou não o
toque, sem o auxílio da visão.
\u2022 Teste vibratório (diapasão): o teste
consiste na aproximação de um diapasão
de 30 cps (ciclos por segundo), para cor-
púsculos de Meissner (tato), e o de 256
cps, para os corpúsculos de Pacini (pres-
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REIMPLANTE DE MEMBROS
são), em vibração, com o paciente de
olhos fechados.
\u2022 Temperatura \u2013 calor / frio: determi-
nada com o auxílio e dois tubos de ensaio
no interior dos quais se coloca água fria e
água morna (aproximadamente entre 4º C
e 40º C), sendo o paciente capaz de iden-
tificar, de olhos fechados, os estímulos
térmicos de calor e frio. Nas lesões nervo-
sas a sensação de frio geralmente retorna
antes da do calor. 
\u2022 Dor: sem o auxílio da visão, com um
pequeno alfinete de costura, realizamos
um leve toque na superfície a ser exami-
nada. A dor é uma das primeiras sensa-
ções recuperadas com a regeneração
nervosa.
2. Testes funcionais
\u2022 Teste de Dellon (modificação do
\u201cpickup test\u201d de Moberg): o paciente deve
retirar, de uma caixa, 10 pequenos obje-
tos metálicos conhecidos (clipe de papel,
parafuso, porca, chave, etc.), num dado
tempo, nomeando-os, com e sem o auxí-
lio da visão. É considerado normal se o
tempo utilizado, sem o auxílio da visão, é
inferior ao dobro do tempo utilizado com
este auxílio. Este teste avalia a estereog-
nosia e destreza manual. 
\u2022 Discriminação entre 2 pontos Es-
tática e Móvel: a discriminação de 2 pon-
tos estática de Weber- Moberg, consiste
no estímulo da polpa digital com duas
pontas separadas a uma distância conhe-
cida, alternando, aleatoriamente, ora uma
ponta, ora as duas pontas. O paciente
deverá referir, com os olhos fechados, se
sentiu apenas uma ou duas pontas. Na
polpa digital, a sensibilidade é considera-
da normal se a distância entre os dois
pontos encontra-se até cerca de 5mm,
entre 5 a 10mm a sensibilidade tátil está
diminuída e, acima de 10mm, existirá ape-
nas sensibilidade protetora. A discrimina-
ção móvel entre dois pontos, descrito por
Dellon, consiste na realização do mesmo
teste descrito porém com o uso de um
estímulo móvel, roçado de proximal para
distal, com uma distância de aproximada-
mente 10mm. É considerado normal até
3mm e alterada se a distância for maior
que 3mm entre os dois pontos.
3. Testes objetivos que não necessi-
tam da informação do paciente:
\u2022 Velocidade de condução nervosa \u2013
estudos elétricos \u2013 eletroneuromiografia
\u2022 Teste da ninhydrina: realizado com a
palma da mão limpa e colocada sob a luz,
por 15-20 minutos, para facilitar a sudore-
se. Em um papel poroso com ninhydrina,
são comprimidas as impressões digitais,
produzindo uma cor arroxeada na região
da sudorese, após 12 horas de secagem.
Onde não houver inervação não há colo-
ração. Este teste é pouco utilizado atual-
mente.
\u2022 Teste de Enrugamento: este teste é
muito utilizado em crianças pela sua faci-
lidade, é observado o enrugamento da
pele após imersão na água por 15-20
minutos. Onde não ocorrer o enrugamen-
to da pele, não há inervacão. Este teste é
pouco utilizado atualmente.
REEDUCAÇÃO DA SENSIBILIDADE
Os pacientes que necessitam de ree-
ducação da sensibilidade são aqueles
que apresentam perda grave da sensibili-
dade protetora ou da sensibilidade discri-
minativa.
O paciente com perda da sensibilida-
de protetora deve ser educado e instruído
para os métodos de compensação:
1. evitar a exposição da área compro-
metida ao calor, frio e objetos pontiagudos
2. não aplicar maior força que o
necessário para manipular um objeto ou
instrumento
3. criar a consciência de que quanto
menor a área de apoio, maior a pressão e
maior o risco de lesão. Utilizar objetos e
utensílios que permitam apoio em grande
área.
4. evitar tarefas que impliquem na uti-
lização de uma mesma ferramenta por
longo período de tempo
5. examinar freqüentemente as áreas
cutâneas comprometidas para surpreen-
der hiperemia, sofrimento e lesões.
6. cuidar da pele diariamente com
hidratantes
7. tratar dos ferimentos com precoci-
dade
Os pacientes com perda da sensibili-
dade discriminativa são submetidos à ree-
ducação com objetivo de ensinar ao
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ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
paciente a interpretar com maior eficiência
as mensagens sensórias enviadas ao
cérebro. Os melhores candidatos são
aqueles que apresentam sensibilidade
protetora e sensibilidade tátil na polpa
digital medida pelos monofilamentos de
Semmes-Weinstein menor que 4,0 gm. 
AVALIAÇÃO DA MOTRICIDADE
Após a lesão de um nervo periférico o
quadro motor caracteriza-se por paralisia
completa dos músculos por ele inervado.
Com a regeneração nervosa, há retorno
gradativo da capacidade motora que pode
ser avaliado pelo desaparecimento das
deformidades, recuperação dos movimen-
tos e da força. A força pode ser medida
graduando os movimentos de acordo com
a sensibilidade do examinador ou através
de instrumentos (dinamômetros de pinça
ou de preensão). Com relação ao exami-
nador, normalmente é dada uma nota ao
músculo:
0 \u2013 músculo paralisado
1 \u2013 músculo com contração mas incapaz
de realizar movimentos
2 \u2013 músculo capaz de realizar movimen-
tos sem ação da gravidade
3 \u2013 músculos capazes de vencer a força
da gravidade
4 \u2013 músculos capazes de vencer uma
resistência 
5 \u2013 músculo normal
Com os instrumentos, normalmente
são realizadas, no mínimo, 3 medidas
com dinamômetros para pinça