Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão   Rames et.al
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Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão Rames et.al


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digital late-
ral, pinça digital polpa-polpa, preensão
com JAMAR e outros tipos de dinamôme-
tros. 
PROTOCOLO DE REABILITACÃO
Descreveremos um protocolo básico
de reabilitação das lesões nervosas que
deve ser modificado caso ocorram inter-
corrências no intra-operatório, durante o
pós-operatório imediato ou, ainda, outros
fatores complicadores como a idade do
paciente, patologias associadas, etc. Tais
protocolos não podem ser considerados
como regra absoluta e devem ser modifi-
cados de acordo com a necessidade e até
com a filosofia de tratamento do serviço. O
objetivo de apresentar um modelo básico
de reabilitação é o de orientar as necessi-
dades básicas, no tratamento das lesões
dos nervos periféricos, podendo, ou
devendo, ser modificado de acordo com
as necessidades de cada paciente.
Nas reconstruções do nervo ulnar, ou
mediano, isolados, ou em conjunto, à nível
de punho, a reabilitação segue, basica-
mente, o protocolo abaixo descrito:
\u2022 Até o SEXTO DIA após o reparo do
nervo, o membro é mantido em repouso
com curativo e goteira gessada mantendo
o punho em até 30 de flexão.
\u2022 Após o SÉTIMO DIA, pode ser con-
feccionada uma órtese estática, em subs-
tituição a tala gessada, com bloqueio dor-
sal do punho, sem causar estresse na
região do reparo. Quando a lesão é na
região proximal do antebraço, a órtese
deve manter o cotovelo também em fle-
xão. Nas lesões do nervo mediano, pode-
se incluir uma barra em \u201cC\u201d na órtese,
com o objetivo de proteger e prevenir uma
contratura em adução do polegar.
\u2022 Com DUAS SEMANAS de reparo,
após a retirada dos pontos, iniciar o tra-
tamento da cicatriz, já descrito anterior-
mente, e intensificar a movimentação de
flexão e extensão ativa e passiva das
articulações interfalangeanas e metacar-
pofalangeanas, mantendo o punho em
flexão.
\u2022 Após a TERCEIRA SEMANA, o
punho gradativamente atinge a posição
neutra e o massageamento cicatricial,
além de combater a formação de aderên-
cias, auxilia no processo de dessensibili-
zação da região da sutura.
\u2022 Na QUARTA SEMANA, iniciar a
mobilização ativa do punho. A órtese é
mantida, para repouso e uso noturno, e
retirada para a realização de exercícios
de punho e dedos.
\u2022 Na QUINTA SEMANA a órtese é
mantida apenas durante a noite. No caso
de crianças, optar por uso constante da
órtese por mais uma semana. Nesta fase,
avaliar a função motora da mão e indicar
o uso de órteses específicas para cada
tipo de lesão. A órtese irá suprir e com-
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REIMPLANTE DE MEMBROS
pensar o déficit motor, prevenir as contra-
turas musculares e deformidades devido
ao uso desequilibrado da mão. Nas
lesões do nervo mediano, o mais impor-
tante é o uso de órtese estática para man-
ter a abdução do polegar, facilitando o
treino dos movimentos de pinça. Nas
lesões do nervo ulnar, utilizar órtese de
bloqueio dorsal do 4º e 5º dedos, evitando
a postura em garra destes. Nas lesões
simultâneas de nervo mediano e ulnar, uti-
lizar o bloqueio dorsal de metacarpofalan-
geanas do 2º ao 5º dedos, acoplada ao
abdutor do polegar, impedindo, desta for-
ma, as duas deformidades
\u2022 A partir da SEXTA SEMANA realizar
exercícios de extensão de punho e dedos
e iniciar o programa de reeducacão sensi-
tiva, quando indicado. Quando há rigidez
articular, indicar exercícios ativos e uso
das órteses dinâmicas, prevenindo as
deformidades, e favorecendo o ganho e
amplitude de movimento. Progres-
sivamente, os exercícios de alongamento
e fortalecimento da musculatura vão sen-
do introduzidos, de acordo com cada
caso, além de exercícios específicos para
cada grupo muscular comprometido. O
processo de reequilíbrio muscular é gra-
dativo e segue o tempo de reinervacão.
Cada vez mais a coordenação e a destre-
za manual se aprimoram para a realiza-
ção das atividades mais apuradas e, por
conseqüência, as órteses vão sendo gra-
dativamente retiradas até o restabeleci-
mento da função total da mão.
Nas reconstruções do nervo radial, o
protocolo básico inclui :
\u2022 Até o SEXTO DIA pós reparo, man-
temos o membro em repouso com o
punho em extensão em imobilização ges-
sada.
\u2022 Após a PRIMEIRA SEMANA, é con-
feccionada uma órtese dinâmica, manten-
do o punho em extensão estática, e dedos
e polegar com extensão dinâmica. Nas
lesões mais proximais, o cotovelo deve
ser imobilizado.
\u2022 Na SEGUNDA SEMANA, após
remoção das suturas, iniciamos o trata-
mento cicatricial com massageamento e
uso de silicone para a remodelagem cica-
tricial. São iniciadas também movimenta-
ção ativa e passiva de flexão e extensão
das articulacões interfalangeanas, man-
tendo a extensão das articulações meta-
carpofalangeanas e do punho.
\u2022 Após a QUARTA SEMANA, realiza-
mos a mobilização do punho e a órtese é
remodelada para permitir a movimentação
ativa do punho durante seu uso.
\u2022 Na SÉTIMA SEMANA, exercícios de
fortalecimento da musculatura extensora
são gradativamente incluídos, e diferen-
tes atividades ocupacionais podem ser
utilizadas para estimular o uso da mão e
seu treino funcional de coordenação.
A habilidade funcional da mão implica
na interação desta com o meio ambiente
e a exploração de seus objetos, depen-
dendo, diretamente, do retorno da sensi-
bilidade. Assim, salientamos que, na rea-
bilitação das lesões de nervos periféricos,
é fundamental o emprego de um progra-
ma completo da função da mão. 
ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA
Após a lesão de um nervo periférico,
a resposta esperada é a de atrofia das
fibras musculares e substituição progres-
siva por tecido conjuntivo fibroso. Este
processo dura cerca de 30 a 36 meses
após a denervação. Muitos tem indicado
o uso de estimulação elétrica para evitar
ou retardar tal fenômeno. Alguns estudos
sugerem o uso de estimulação elétrica
diária por, no mínimo, 30 minutos. Por
outro lado, existem relatos sobre efeitos
deletérios da estimulação elétrica em
músculos denervados. Se houver expec-
tativa de retorno da função muscular em
15 a 18 meses, a estimulação elétrica
parece não proporcionar nenhum benefí-
cio. Alguns estudos demonstraram que a
recuperação de músculos denervados
não submetidos a estimulação elétrica é
o mesmo que os submetidos. Naqueles
paciente onde a expectativa de reinerva-
ção muscular é maior que 2 a 3 anos o
uso de estimulação elétrica é questioná-
vel e há necessidade de maiores estudos
sobre estímulos que imitam a fisiologia
muscular para estabelecer seu real
benefício.
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