Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão   Rames et.al
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Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão Rames et.al


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zamento, a região proximal é suturada con-
vertendo o \u201cV\u201d em um \u201cY\u201d. É muito impor-
tante verificar a perfusão do retalho e do
dedo após a sutura, que deve ser sem ten-
são. Normalmente, este retalho proporcio-
na boa qualidade de cobertura cutânea
mantendo, inclusive, sensibilidade adequa-
da e não compromete, de forma significati-
va, a mobilidade articular. 
RETALHO LATERAL TIPO \u201cV-Y\u201d
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ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
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Incisão em \u201cV\u201d para 
retalho volar Tipo \u201cV-Y\u201d 
de Atasoy-Kleinert em
amputação da extremidade
distal do dedo
Avanço e sutura
Sutura do retalho 
(observar figura em \u201cY\u201d)
Caso clínico: retalho volar \u201cV-Y\u201d de Atasoy-Kleinert. Utilizado prótese de silicone para ocupar o local da unha, mantendo o leito ungueal plano
e evitando sinéquia.
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ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
KUTLER
Indicado principalmente
quando há preservação
das porções laterais
dos dedos, como
em algumas ampu-
tações oblíquas. Um
ou dois retalhos triangu-
lares são desenhados na
porção lateral dos dedos. O
ápice do \u201cV\u201d deve situar-se na
linha médio-lateral do dedo, próxi-
mo à articulação interfalangiana dis-
tal. Os retalhos são dissecados de tal
forma a preservar os vasos sangüíneos
e nervos digitais e avançados distalmente
para serem suturados no leito ungueal ou
unha. A porção proximal é suturada de tal for-
ma que o \u201cV\u201d transforma-se em um \u201cY\u201d. Após a
sutura deve-se testar a perfusão do retalho e
do dedo. Uma das críticas deste retalho
é a presença de uma cicatriz hiper-
sensível na região mediana da
polpa digital. 
RETALHO DE 
AVANÇO VOLAR 
A B
C D
Retalho lateral tipo \u201cV-Y\u201d Kutler:
A \u2013 Incisões marcadas
B \u2013 Incisão
C \u2013 Avanço
D \u2013 Sutura
Caso clínico:
retalho lateral tipo \u201cV-Y\u201d Kutler
DE MOBERG
Este retalho é mais indicado
para proporcionar cobertura cutâ-
nea nas lesões da extremidade
do polegar, que possui uma pele
volar mais móvel. São realizadas
duas incisões medio-laterais, de
cada lado do polegar e disseca-
se um retalho volar incluindo os
pedículos neuro-vasculares. Este
retalho é avançado até cobrir a
lesão da extremidade. A dissec-
ção deste retalho provoca lesão
dos vasos que nutrem os ten-
dões flexores assim como os
ramos arteriais dorsais. Outra
complicação é a possibilidade de
provocar uma retração articular
em flexão. Outra vantagem deste
retalho no polegar é que este
tolera melhor uma deformidade
em flexão sem haver comprome-
timento grave de sua função.
RETALHO CRUZADO
ENTRE OS DEDOS (\u201c-
CROSS FINGER\u201d)
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A
B
C
A \u2013 Retalho de Moberg (avanço) para cober-
tura cutânea em amputações da extremida-
de distal do polegar
B \u2013 Sutura
C \u2013 Para promover um \u201cdeslocamento\u201d distal
mais eficiente do retalho, é possível realizar
uma incisão cutânea na base deste, preser-
vando o pedículo vásculo-nervoso. O defei-
to, de forma retangular, criado após o desli-
zamento, pode ser tratado com enxerto de
pele convencional.
Este retalho é utilizado quando se deseja preservar ao máximo o comprimento e não
há possibilidade de realizar um retalho local. Pode ser utilizado em situação de lesão de
múltiplos dedos, amputação da extremidade do dedo indicador ou polegar. Um exemplo
de sua utilização é o retalho do dorso do dedo indicador, com base lateral, utilizado para
promover a cobertura cutânea da extremidade do polegar. Outra possibilidade é utilizar a
variante reversa (\u201ccross-finger\u201d reverso) quando a pele é levantada e apenas o tecido
subcutâneo e facial é utilizado para proporcionar a cobertura, suturando-se novamente a
pele em seu leito original. Em ambas situações há necessidade de aguardar-se a integra-
ção do retalho no leito receptor para realizar a secção do pedículo. Isto ocorre em cerca
de duas semanas. Após a secção do pedículo o paciente é encorajado para iniciar a movi-
mentação. Os problemas deste retalho relacionam-se com o período em que os dedos
ficam unidos e com a mobilidade restrita, podendo haver rigidez. Outra desvantagem é a
má qualidade da sensibilidade que este retalho possui em uma fase inicial, mas o pacien-
te deve ser esclarecido que, normalmente, a sensibilidade melhora com o tempo.
RETALHO TENAR 
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ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
Retalho \u201cCross Finger reverso\u201d 
para promover a cobertura da 
falange distal exposta 
após queimadura por agente 
químico para queimar
\u201cverruga vulgar\u201d
Retalho \u201cCross Finger\u201d 
para cobertura cutânea 
do dedo anular
As indicações para este retalho são
similares ao do retalho cruzado entre
dedos (\u201ccross-finger\u201d). Baseia-se na utili-
zação de um retalho cutâneo da região
tenar com base proximal, distal ou em for-
ma de \u201cH\u201d. O dedo com lesão em sua
extremidade é fletido de tal forma a possi-
bilitar a sutura do retalho. A maior crítica a
este retalho é a manutenção desta posi-
ção em flexão por período longo (cerca de
duas semanas) que pode causar rigidez
articular, principalmente limitação da
extensão. Outro problema é a cicatriz na
região tenar \u2013 normalmente esta área é
tratada com enxerto de pele convencional
e, normalmente, a cicatriz resultante não
é de boa qualidade. Os dedos que podem
ser tratados com este retalho são o indica-
dor e médio pois, normalmente, os dedos
anular e mínimo não fazem oposição, de
forma natural, com a eminência tenar. O
retalho é fixado na região receptora de
forma similar. Qualquer condição clínica
que favoreça o desenvolvimento de rigi-
dez articular deve ser considerada uma
contra-inidcação: artrite reumatóide,
moléstia de Dupuytren, osteoartrose (ida-
de avançada), etc. 
RETALHO NEURO-VASCULAR 
EM ILHA (LITTLER)
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Retalho tenar para promover a cobertura
cutânea em amputação da extremidade
distal do dedo indicador \u2013 Incisão
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ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
Liberação do retalho tenar. Área doadora
tratada com enxerto de pele e retoque na
região receptora para reconstrução da
extremidade do dedo indicador.
Caso clínico: 
Retalho tenar para cobertura cutânea em amputação
da extremidade distal do dedo
Sutura
Este retalho é indicado principalmente para perdas
cutâneas maiores ao nível da extremidade distal dos
dedos. Sua principal indicação é o tratamento das lesões
da extremidade do polegar. Baseia-se na dissecção de um
retalho cutâneo na região lateral de um dedo, incluindo seu
pedículo vásculo-nervoso. Os dedos mais utilizados como
doadores são o médio e o anular e o receptor o polegar.
Para poder dissecar e liberar o retalho para sua transferên-
cia, é necessário ligar e seccionar a artéria digital do dedo
distalmente, seccionar o nervo digital distalmente e ligar a
artéria digital para o dedo vizinho (ao nível da comissura),
até ter acesso a artéria digital comum. Para transferir o
retalho para a região receptora realiza-se um túnel subcu-
tâneo na região palmar, suficiente para passagem do teci-
do cutâneo e seu pedículo. É preciso tomar cuidado para
evitar tensão e torção do pedículo. O retalho é suturado na
região receptora de forma convencional e a região doado-
ra é tratada com enxerto de pele convencional e curativo de
Braun. Os problemas relacionados com este retalho são,
principalmente, a possibilidade de haver necrose, normal-
mente devida a problemas técnicos na dissecção e manu-
seio do pedículo, sensibilidade cruzada (ao tocar no retalho
posicionado, por exemplo, no polegar, o paciente refere
sensação tátil no dedo doador - médio ou anular) e aneste-
sia no dedo doador devido a secção do nervo digital.
Existem várias variações deste retalho: 
\u2022 utilização do tecido cutâneo apenas com o pedículo
vascular, preservando o nervo digital do dedo \u2013 o retalho
não inervado proporcionará cobertura cutânea sem sensi-
bilidade;
\u2022 utilização do retalho de forma convencional mas o
nervo digital do retalho é suturado ao nervo digital do pole-
gar (para