Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão   Rames et.al
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Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão Rames et.al


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movimentos de fle-
xo-extensão, quando estendidas permi-
tem movimentos de adução e abdução.
Por outro lado, as articulações interfalan-
gianas permitem apenas movimentos de
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ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
flexão e extensão.
MUSCULATURA INTRÍNSECA
Os músculos intrínsecos são aqueles
que se originam e se inserem na mão. A
ação dessa musculatura é de fundamental
importância. São constituídos pelos mús-
culos da eminência tenar, hipotenar, mús-
culos interósseos e lumbricais.
Músculos da Eminência Tenar: flexor
curto, abdutor curto, adutor e oponente do
polegar.
Músculos da Eminência Hipotenar:
abdutor, flexor curto e oponente de dedo
mínimo.
Os interósseos dorsais realizam a
abdução dos dedos e a flexão da metacar-
pofalangiana com extensão das interfalan-
gianas.
Os interósseos
ventrais realizam a
adução dos dedos e,
junto com os interós-
seos dorsais e lumbri-
cais, realizam a flexão
da metacarpofalangiana
e extensão das interfalan-
gianas.
Os lumbricais se originam
dos flexores profundos dos
dedos passam radialmente às
articulações metacarpofalan-
gianas, e se inserem no apare-
lho extensor. Realizam a flexão
das metacarpofalangianas e
Músculos intrínsecos da mão 
(vista palmar)
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Músculos intrínsecos da mão 
(vista dorsal)
extensão das interfalangianas.
DEDOS
REGIÃO VENTRAL
PELE
Apresenta as pregas de flexão proxi-
mal ou digito palmar, média e distal. A pre-
ga de flexão proximal situa-se a 1,5 cm
distal a articulação MCF. A prega de flexão
média corresponderia aos movimentos da
articulação IFP, situando-se exatamente a
seu nível e a prega distal localiza-se 0,5
cm proximalmente a IFD.
Deve-se considerar as pregas de fle-
xão dos dedos como pontos de referência
para localização clínica ou cirúrgica des-
tas articulações.
A pele da região ventral dos dedos
apresenta as mesmas características que
as da palma da mão, com a derme extre-
mamente rica em terminações vasculares
e nervosas, principalmente na polpa dos
dedos, que é a região de maior sensibili-
dade tátil (\u201colhos da mão\u201d). Na epiderme
das polpas digitais encontramos saliên-
cias concêntricas que variam enorme-
mente em forma e disposição, constituin-
do as \u201cimpressões digitais\u201d.
O Tecido Celular Subcutâneo é cons-
tituído por um quadriculado que fixa a der-
me à bainha dos flexores. É constituído
por tecido gorduroso, vasos e nervos. O
processo infeccioso do tecido celular sub-
cutâneo, denominado panarício, é extre-
mamente doloroso e algumas das razões
são a rica inervação da região e a inexten-
sibilidade dos tecidos. Na falange distal
não há a bainha fibrosa dos flexores e o
trabeculado do tecido celular subcutâneo
se fixa diretamente no osso. Nessa região
os processos infecciosos são de morbida-
de maior, pois podem contaminar direta-
mente a falange. 
BAINHA FIBROSA DOS 
FLEXORES \u2013 TÚNEL
OSTEOFIBROSO
A formação de um verdadeiro túnel por
onde deslizam os tendões flexores é res-
ponsável por um dos mecanismos mais ela-
borados para a função da mão.
Correspondendo a ZONA II da mão, o túnel
osteofibroso é constituído no seu assoalho
pela placa volar e com seu revestimento
conjuntivo existem reforços que formam as
polias que podem ter forma de arco (polias
arciformes) ou de cruz (polias cruciformes).
A anatomia destas polias tem sido discutida
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ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
até hoje e um modelo anatômico aceito é
mostrado a seguir:
O Túnel Osteo Fibroso é revestido por
uma membrana sinovial que produz líqui-
do sinovial. Este é importante não apenas
para a lubrificação dos tendões como
também para a nutrição dos mesmos.
Pelo Túnel osteofibroso penetram vasos,
ramos da artéria digital, que formam ver-
dadeiros \u201cmesos\u201d para atingir a face dor-
sal dos
t e n -
d õ e s
f l e x o -
res. Esses são denominados vínculos.
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Observar o sistema vascular de nutrição
dos tendões flexores. O túnel osteofibroso
foi ressecado e podemos observar as 
vínculas longas e curtas dos tendões 
flexores superficial e profundo, contendo
ramos vasculares da artéria digital.
Vínculos dos tendões flexores.
TENDÕES FLEXORES
O tendão flexor superficial, ao nível
do 1/3 médio da falange proximal, divide-
se em duas bandas que voltam a se unir
no quiasma de Camper e, por este orifício,
passa o tendão flexor profundo do dedo.
O flexor superficial insere-se na falange
média, em leque, no seu 1/3 proximal e
médio. O flexor profundo insere-se no 1/3
proximal da falange distal.
ZONAS REGIÃO VENTRAL DA
MÃO E DEDOS
Zona I \u2013 distal a inserção do flexor
superficial. Contém apenas o tendão fle-
xor profundo
Zona II ("no man\u2019s land") \u2013 ou zona
de nínguém de Bunnell ,é a zona do túnel
osteofibroso
Zona III \u2013 ocorre a origem dos lumbri-
cais. O tendão flexor é envolto por tecido
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ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
Anatomia do aparelho extensor: 
a) tendão extensor terminal 
b) tendões extensores laterais 
c) tendão extensor central 
d) ligamento triangular 
e) ligamento retinacular transverso 
f) ligamento retinacular oblíquo 
g) lumbrical 
h) interósseo 
i) banda sagital 
j) tendão extensor extrínseco 
a
d
b
c
i
h
j
h
g
a) Tendão extensor terminal
b) Tendão extensor central
c) Tendão extensor extrínseco
d) Tendão intrínseco (Lumbrical)
e) Tendão intrínseco (Interósseo)
f) Ligamento retinácular oblíquo
g) Ligamento retinácular transverso
h) Ligamento de Cleland
i) Ligamento intermetacarpiano 
transverso
j) Banda sagital
a
h
b
g f
d
e
c
j
i
areolar ricamente vascularizado
Zona IV \u2013 túnel do carpo
Zon V \u2013 proximal ao túnel do carpo
REGIÃO DORSAL
A pele da região dorsal da mão e dos
dedos é provida de pelos, é mais elástica e
menos aderente aos planos profundos.
Possui pregas cutâneas mais evidentes na
região das articulações interfalangianas.
O tecido celular subcutâneo na região
dorsal é pouco espesso e por ele transi-
tam as veias superficiais dorsais, princi-
pais responsáveis pela drenagem venosa
dos dedos e da mão.
Os tendões extensores, ao nível dos
dedos, formam um verdadeiro aparelho
cujos elementos constituem um mecanis-
mo complexo de vetores de força. O ten-
dão extensor extrínseco (músculos exten-
sores comuns e próprios) recebe ao nível
da articulação MCF a inserção dos mús-
culos intrínsecos (lumbricais e interós-
seos) e, a partir daí, divide-se em 3 por-
ções: 2 bandas laterais e 1 banda central.
A banda central irá se inserir ao nível da
falange média e as 2 bandas laterais
unem-se distalmente para se inserir na
falange distal. Este aparelho extensor
recebe inserção de vários ligamentos
como os ligamentos retinaculares oblíquo
e transverso, ligamento Cleland, etc.
O Sistema ósteo Articular dos Dedos é
constituído pela articulação metacarpofa-
langiana do tipo condilar, que permite
movimentos de flexo extensão e, quando
em extensão, graças ao relaxamento dos
ligamentos colaterais, movimentos de
adução e abdução. As articulações interfa-
langianas, do tipo gínglimo, permitem ape-
nas movimentos de flexão e extensão.
O Sistema Ligamentar dos Dedos é
complexo e extremamente importante
para o funcionamento harmônico das
diversas estruturas motoras. Além das
cápsulas articulares das diversas articula-
ções, a placa volar pode ser considerada o
reforço ventral e os ligamentos colaterais o
reforço lateral. Além desses, os ligamen-
tos retinaculares oblíquos e transversos
tem grande importância no funcionamento
do aparelho extensor. O ligamento osteo-
cutâneo de Cleland limita a excursão das
partes moles no movimento de flexo
extensão dos dedos. O ligamento de
Grayson estabiliza o feixe vásculo-nervoso
em sua posição anatômica.
INSPEÇÃO
Inspeção Estática
A mão em repouso apresenta uma