Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão   Rames et.al
216 pág.

Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão Rames et.al


DisciplinaOrtopedia1.980 materiais11.259 seguidores
Pré-visualização50 páginas
posição característica das articulações
metacarpofalangianas e interfalangianas,
com flexão progressivamente maior do
indicador para o dedo mínimo. Quando
um dedo mantém-se em extensão, na
posição de repouso, pode-se pensar em
lesão dos ten-
dões flexores.
12
À esquerda mão na posi-
ção de repouso (normal) e
à direita mão em repouso
com lesão dos flexores do
dedo médio.
Paciente portador de uma lesão dos flexores do
dedo anular realizando flexão de todos os dedos.
Sindactilia 
complexa à
esquerda 
(com fusão de
falanges entre 
o dedos médio 
e anular).
Braquisindoctilia.
Podemos perceber que, na mão
dominante, a musculatura intrínsica é
mais desenvolvida e os sulcos das pregas
cutâneas são mais profundos. Além disso,
podemos observar calosidades nas mãos
nas regiões de maior atrito.
Na mão normal observamos que a
região palmar forma uma \u201cconcha\u201d, cujos
limites seriam as eminências tenar e hipo-
tenar. Esta forma é dada pela presença
dos arcos transverso palmar proximal,
arco transverso palmar distal e arco longi-
tudinal palmar. Tais arcos são mantidos
pelos músculos intrínsecos da mão, de tal
forma que, na sua paralisia, a forma de
\u201cconcha\u201d desaparece. Os ligamentos
transverso do carpo e intermetacarpiano
transverso colaboram com a manutenção
dos arcos palmar transverso proximal e
distal respectivamente.
À inspeção estática, já podemos notar
pregas cutâneas anormais ao nível das
comissuras dos dedos. Estas pregas,
denominadas sindactilias, constituem-se
numa das deformidade congênita mais
freqüentes da mão e limitam sua função
por restringir os movimentos.
Ao nível das articulações metacarpo-
falangianas, na região palmar, observa-
mos a formação de saliências e uma dis-
creta depressão localizada ao lado dos
dedos. As saliências correspondem à pre-
sença de tecido gorduroso e dos feixes
vasculo-nervosos constituídos por uma
artéria e uma nervo. As depressões cor-
respondem ao túnel osteofibroso conten-
do os tendões flexores.
Na região do dorso da mão, em
repouso, observamos as saliências for-
13
ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
Saliências depressões
Saliências depressões
madas pelas cabeças dos metacarpianos, sendo a do terceiro dedo a mais saliente. Nas
freqüentes fraturas do colo dos metacarpianos, a tendência das cabeças de desviarem-
se para volar apaga a saliência e os sulcos existentes nessa região.
A transparência das unhas permite examinar o leito ungueal e a microcirculação,
14
Cistos sinoviais ao vivel de punho.
Outras lesões císticas
oferecendo informações do estado hemodinâmico local ou sistêmico. A unha também é
sede freqüente de patologias infecciosas, bacterianas e fúngicas. Por outro lado, pode
haver alterações ungueais causadas por patologias sistêmicas. Ex.: unha em baqueta de
tambor em patologias cardio-pulmonares crônicas.
Depressões 
cutâneas, nódulos
e cordões na
moléstia de 
Dupuytrem.
1 \u2013 Encondroma no 
3º metacarpeâno.
2 \u2013 Tumor de células gigantes 
(partes moles).
1 2
Deve-se observar, com atenção, a
presença de cicatrizes, que associadas a
outras alterações, podem fazer diagnósti-
co de lesões em determinadas estruturas
da mão. Podemos citar, por exemplo, uma
cicatriz ao nível de topografia de feixe
vásculo-nervoso associada a perda de
tropismo da pele e ausência de sudorese,
fazendo diagnóstico da lesão de um nervo
digital.
Os aumentos de volume devem
levantar a suspeita de tumores. Os tumo-
res \u201csensu lato\u201d mais freqüentes da mão
são os de partes moles e corresponde-
riam aos cistos sinoviais. 
O tumor ósseo mais frequente é o
encondroma, que freqüentemente man-
tém-se assintomático até causar uma fra-
tura patológica. Tumores malignos são
raros. Tumores pulsáteis em topografia de
artérias são os aneurismas. Um tumor de
partes moles frequente na mão é o tumor
de células gigantes (xantona).
As depressões ao nível da mão
podem aparecer como conseqüência de
lesão de estruturas músculo tendinosas,
ósseas ou mesmo na moléstia de
Dupuytren, onde a metaplasia fibrosa da
fascia palmar leva a retração da pele
suprajacente. Na moléstia de Dupuytrem
pode-se palpar módulos e cordões forma-
dos pela fascia palmar patológica.
PALPAÇÃO DA PELE
A pele da região palmar da mão e dos
dedos é mais espessa e fixa aos planos
profundos. Essa fixação é dada por fibras
que se originam da fascia palmar e por
ligamentos ao nível dos dedos (ligamen-
tos de Cleland e Grayson).
Durante a palpação da pele deve-se
observar alterações na temperatura da
mão, pois um aumento de temperatura
pode indicar processo infeccioso ou infla-
matório. A pele seca por anidrose será
indício de lesão nervosa. 
PALPAÇÃO DE PARTES MOLES
A maioria dos tendões são palpáveis
ao nível do punho e mão. Na região dor-
sal do punho temos seis compartimentos
separados por onde os tendões passam.
Nesses compartimentos, que funcionam
como verdadeiras polias, há revestimento
de tecido sinovial.
Compartimento 1 \u2013 Localiza-se ao
nível do processo estilóide do rádio. Por
este compartimento passam os tendões
abdutor longo do polegar e extensor curto
do polegar. Com a abdução e extensão do
polegar estes tendões ficam mais eviden-
tes e facilmente palpáveis. O processo
inflamatório ao nível desses compartimen-
tos é bastante frequentes e denominado
tenosinovite De Quervain. Este comparti-
mento forma o limite radial da tabaqueira
anatômica.
Compartimento 2 \u2013 Neste comparti-
mento passam os tendões extensor radial
longo e curto do carpo. O tendão extensor
radial curto é mais ulnar e central em rela-
ção ao punho, inserindo-se na base do
terceiro metacarpo. Estes tendões são
mais facilmente palpáveis pedindo ao
paciente para fletir os dedos e estender o
punho. Nessa situação eles são visíveis e
palpáveis na região lateral ao tubérculo de
Lister do rádio.
Compartimento 3 \u2013 Contém o exten-
sor longo do polegar. Este compartimento
forma a borda ulnar da tabaqueira anatô-
mica. O tendão extensor longo do polegar
faz polia no tubérculo de Lister do rádio e,
por haver um grande atrito nesta região,
este tendão rompe-se com grande fre-
qüência, principalmente após fraturas da
extremidade distal do rádio, doença reu-
matóide, etc.
Compartimento 4 \u2013 É imediatamente
ulnar ao 3 compartimento e imediatamen-
te radial a articulação radio ulnar distal.
Por este compartimento passam o exten-
sor comum dos dedos e o extensor pró-
prio do indicador. Este último localiza-se
em posição medial em relação ao exten-
sor comum do mesmo dedo e é responsá-
vel pela extensão independente do indica-
dor.
Compartimento 5 \u2013 Localiza-se ao
nível da articulação rádio ulnar distal e
contém o tendão extensor próprio do dedo
mínimo. Este tendão localiza-se medial-
mente ao tendão extensor comum deste
15
ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
1
2
3
4
5
6
mesmo dedo. Durante a extensão do
dedo mínimo é possível palpar estes dois
tendões extensores ao nível do dorso da
mão. Graças ao tendão extensor próprio
do dedo mínimo é possível realizar a
extensão independente deste dedo.
Compartimento 6 \u2013 Situa-se medial-
mente a articulação radio ulnar distal, pos-
terior à cabeça da ulna. O tendão exten-
sor ulnar do carpo passa por este compar-
timento para se inserir na base do V meta-
carpo. Este tendão é mais facilmente pal-
pado com a extensão e desvio ulnar do
punho. Quando ocorre lesão desse com-
partimento o tendão extensor ulnar do
carpo pode deslocar-se medialmente
durante a pronação.
Na região ventral do punho podemos
também palpar as estruturas tendinosas:
\u2022 Flexor Ulnar do Carpo- Pode ser pal-
pado pedindo para o paciente fletir o
punho. Localiza-se na porção ventro
medial do punho e pode ser palpado até o
pisiforme ao nível da base da eminência
hipotenar. O flexor ulnar do carpo situa-se
imediatamente