Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão   Rames et.al
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Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão Rames et.al


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ligamentos colaterais e do flexor
superficial, causada pela sinovite, a força de
extensão, sem contenção volar, pode provocar
uma hiperextensão da interfalângica proximal.
Com o tempo, as bandas laterais deslocam-se
para dorsal, alongando os ligamentos retinacu-
lares transverso e oblíquo. À medida que a
hiperextensão progride, ocorre uma flexão da
interfalângica distal provocada pelo desequilí-
brio de forças entre o flexor profundo e o apare-
lho extensor, e pela contratura dos intrínsecos.
A postura do dedo em pescoço de cisne é des-
crita como atitude em "intrinseco plus".
A deformidade em pescoço de cisne tam-
bém pode iniciar-se como uma deformidade
em martelo, por lesão do tendão extensor ter-
minal. A força de extensão, concentrada na
interfalângica proximal, causará uma deformi-
dade em hiperextensão desta. Os elementos
contensores ventrais são progressivamente
atenuados pela ação extensora.
A deformidade em flexão da metacarpofa-
lângica pode ser outra causa de desequilíbrio.
Pode iniciar-se por lesão do aparelho extensor
(banda sagital), subluxação e contratura dos
intrínsecos. As causas da deformidade em fle-
xão da metacarpofalângica sobrepõem-se às
do desvio ulnar da mesma articulação. Esta
deformidade em flexão provoca uma hiperativi-
dade do aparelho extensor ao nível da interfa-
lângica proximal. 
Shapiro (1960) chegou a relacionar as
deformidades ao nível do punho como causas
de desequilíbrios que poderiam gerar deformi-
dades ao nível dos dedos.
A correção da deformidade deve, teorica-
mente, agir no fator causal inicial. Podemos
inferir que não devemos corrigir a deformidade
em pescoço de cisne quando houver uma
deformidade em flexão da metacarpofalângica.
É preciso corrigir, inicialmente, as deformida-
des ao nível da metacarpofalângica, para
depois agir na deformidade em pescoço de
cisne. Da mesma forma, é preciso diagnosticar
as lesões do tendão extensor terminal.
Nalebuff descreve 4 tipos de deformidade
em pescoço de cisne:
I. Mobilidade da interfalângica proximal nor-
mal. Estes pacientes apresentam dificuldade
em iniciar o movimento de flexão da interfalân-
gica proximal, referindo, ocasionalmente, tra-
vamento dos dedos. O tratamento pode ser
conservador através do uso de órteses estáti-
cas. O tratamento cirúrgico inclui:
\u2022 a artrodese da interfalângica distal - se a
causa primária for um dedo em martelo;
\u2022 tenodese do flexor superficial (Swanson
ou Curtis) - ténica estática para limitar a
hiperextensão da interfalângica proximal;
\u2022 reconstrução do ligamento retinacular
oblíquo e criação de um ligamento retina-
cular oblíquo espiral (Littler) - técnica
estática que corrige, concomitantemente,
as deformidades em flexão da interfalân-
gica distal e flexão da proximal;
\u2022 reconstrução do ligamento retinocular
oblíquo com a técnica dinâmica de Azze
(ver fascículo sobre tendões extensores).
II. A movimentação da interfalângica proxi-
mal esta limitada e sofrendo influência da posi-
ção da metacarpofalângica. O teste de Bunnel
para contratura dos intrínsecos demonstra que,
com a extensão e desvio radial da metacarpo-
falângica, a mobilidade da interfalângica proxi-
mal diminui. A flexão da metacarpofalângica
relaxa os músculos intrínsecos e permite maior
movimentação da interfalângica proximal.
Normalmente, nestes pacientes a deformidade
em pescoço de cisne inicia-se na metacarpofa-
lângica. O tratamento destes pacientes deve
incluir a tenotomia dos intrínsecos e/ou a corre-
ção da deformidade na metacarpofalângica
(artroplastias com ou sem prótese). Se houver
uma deformidade importante da interfalângica
distal, realiza-se uma artrodese desta, conco-
mitantemente. 
III. Há uma limitação importante da movi-
mentação articular do dedo envolvido, mas
com sinais radiográficos de articulaçoes viá-
veis. A causa da rigidez reside na contratura
secundária de partes moles (aparelho exten-
sor, ligamentos colaterais e pele). A conduta
terapêutica baseia-se na transformação de um
articulação rígida em móvel, através de capsu-
lotomia, tenólise e manipulações. Após a recu-
peração da mobilidade articular o dedo deverá
ser tratado como nos tipo I ou II
IV. Apresenta uma rigidez articular associada
a alterações radiográficas. A decisão reside em
escolher uma artrodese (mais usual) ou uma
artroplastia para corrigir a deformidade e melho-
rar a função. A preservação da anatomia do apa-
relho extensor é fundamental para obtenção de
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bons resultados nas cirurgia de artroplastias.
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