Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão   Rames et.al
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Traumatologia do Aparelho Locomotor Mão Rames et.al


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região, a cobertura se faz necessária nos casos
mais complexos, que precisam de retalhos de
grandes dimensões como os que podemos
obter do segmento posterior da cintura escapu-
lar (retalho do músculo grande dorsal e escapu-
lar). Em especial, na porção distal do antebraço
( dorsal ou volar ), podemos recorrer ao retalho
inguinal (pediculado e baseado nos vasos cir-
cunflexos ilíacos superficiais).
Região do dorso da mão: Nesta re-
gião é muito comum a ocorrência de perda da
cobertura cutânea associada a lesões seg-
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Área cruenta em região do cotovelo com exposição óssea e
articular após mordedura por leão.
Pós-operatório imediato com retalho do músculo grande dorsal.
Três meses de pós-operatório, após enxertia de pele do reta-
lho. Aspecto final.
mentares dos extensores, que irá necessitar de
reconstrução. Portanto, devemos pressupor a neces-
sidade de um tipo de cobertura local que permita o
deslizamento das estruturas. A utilização de alguns
retalhos cutâneos nesta região, em especial em indi-
víduos obesos, leva a uma cobertura volumosa, que
irá necessitar de vários procedimentos de emagreci-
mento local. Desta forma, temos preferido a utilização
de retalhos cutâneos pouco espessos ou fasciais, que
após enxertados, garantem um aspecto bastante
semelhante ao da pele normal desta região.
Primeira Comissura: A retração cicotricial cau-
sando diminuição do espaço da primeira comissura da
mão é muito incapacitante. A deformidade causa per-
da da capacidade de preensão da mão. Nesta situ-
ação clínica está indicado promover a cobertura
cutânea após liberação cirúrgica da retração. A uti-
lização de retalhos proporciona pele de boa qualidade
e que não retrai.
Região da palma da mão: Não dispomos de
uma cobertura ideal para esta região, pois as caracte-
rísticas pele local são muito próprias, em relação a sen-
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COBERTURA CUTÂNEA
Retração cicatricial em
mão pós-queimadura,
Notem a contratura da 
primeira comissura.
Intra-operatório com 
abertura da primeira
comissura.
Pós-operatório de 
retalho lateral do braço.
Notar a abertura da 
primeira comissura.
sibilidade e ao coxim gorduroso. Quando
necessária, devemos optar por retalhos do tipo
cutâneo, de preferência com potencial de
retorno de sensibilidade.
Região volar dos dedos: Nesta região
é imprescindível que o tipo de cobertura cutâ-
nea tenha o potencial de retorno da sensibili-
dade, em especial na face radial dos dedos e
ulnar do polegar, onde é efetivamente realiza-
do o movimento de pinça .
Região do dorso dos dedos: Aqui, dife-
rentemente da região volar, o retorno da sensi-
bilidade não é um fator imprescindível, sendo
que a simples utilização de retalhos cutâneos
garante um retorno funcional e estético satisfa-
tório. Em situações em que temos a preserva-
ção do epitendão, e que não corresponda a
região de articulação, poderemos considerar o
uso de enxerto de pele com bons resultados.
Relação de Retalhos mais comumente
utilizados:
Retalhos ao Acaso:
1 \u2013 Cross- finger 
2 \u2013 V-H \u2013 Atasoy-Kleinert
3 \u2013 Kutler 
Retalhos Pediculados:
1 \u2013 Peninsulares
1a \u2013 Moberg
1b \u2013 Ingúinal
2 \u2013 Em ilha
2a \u2013 Metacárpica dorsal
2b \u2013 Artéria radial (Chinês) 
2c \u2013 Interóssea posterior
2e \u2013 Littler 
2f \u2013 Reverso do dedo 
Retalhos Livres:
1 \u2013 Lateral do Braço
2 \u2013 Escapular /Paraescapular 
3 \u2013 Primeira Comissura do Pé
4 \u2013 Músculo Grande Dorsal 
5 \u2013 Músculo Serrátil
Opções Terapêuticas 
para Cobertura Cutânea 
do Membro Superior 
Enxerto: Podem ser do tipo parcial, total
ou composto. O enxerto parcial é aquele obti-
do com o auxílio de uma faca de BLAIR, cor-
respondendo a uma camada da pele compos-
ta basicamente de epiderme e apenas parte da
derme. A seu favor, temos que sua integração
junto ao leito receptor é mais fácil. Por outro
lado, apresenta um potencial para retração
maior. Já o enxerto total de pele inclui, além da
epiderme, toda a derme sendo, portanto, mais
espesso, apresentando uma maior dificuldade
para integração junto ao leito, mas apresen-
tando como vantagem uma menor retração em
relação ao parcial .
São áreas potenciais para doação
deste tipo de enxerto: região inguinal, borda
ulnar da mão ou a face anterior do punho.
Todas elas que podem e devem ser fechadas
primariamente. 
Retalhos possíveis segundo a locali-
zação das áreas doadoras:
1 \u2013 Posterior da Cintura Escapular 
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Área cruenta em face volar do polegar.
Pós-operatório imediato do retalho do tipo Littler.
Pós-operatório tardio com aspecto final da reconstrução do polegar.
a) Retalho Escapular ou Para-escapular: 
\u2022 Localização: Retirado da região pos-
terior da cintura escapular, de forma
transversa ou longitudinal.
\u2022 Tipo: basicamente é do tipo fáscio-
cutâneo, podendo ser retirado apenas
na forma fascial 
\u2022 Artéria nutriente: Artéria circunflexa
escapular que é um ramo da artéria
escapular
\u2022 Pedículo: Uma artéria para duas veias 
\u2022 Extensão: poderá ser retirado da
emergência da artéria circunflexa
escapular até bastante próximo do
processo espinhoso das vértebras. A
largura poderá ser retirada até cerca
de 10 cm, que na maioria dos casos
permite o fechamento da área doado-
ra primariamente.
\u2022 Características: retalho de grande
dimensões, e que em pessoas obesas
poderá ser de grande espessura devi-
do ao subcutâneo aumentado.
b) Retalho do Músculo Serrátil
\u2022 Localização: Músculo Serrátil (últimas
4 ou 5 digitações)
\u2022 Tipo: muscular 
\u2022 Artéria nutriente: Ramo da artéria
toraco-dorsal 
\u2022 Pedículo: Uma artéria para duas veias 
\u2022 Extensão: Podem ser retiradas as três
últimas indentações do músculo serrá-
til, preservando-se o restante para evi-
tar alterações funcionais da escápula.
\u2022 Características: é um retalho mais fino
em relação ao do músculo grande
dorsal e apresenta limitações quanto
as suas dimensões 
c) Retalho do Músculo Grande Dorsal 
\u2022 Localização: Músculo Grande Dorsal 
\u2022 Tipo: basicamente é do tipo muscular,
contudo podemos adicionar o seg-
mento de pele suprajacente ao mús-
culo, podendo assim ser do tipo mús-
culo -fáscio -cutâneo 
\u2022 Artéria nutriente: Artéria tóracodorsal 
\u2022 Pedículo: Uma artéria e uma veia
\u2022 Extensão: Podemos retirar o músculo
em toda a sua extensão.
\u2022 Características: é um retalho de gran-
des dimensões, que possibilita a
cobertura de uma grande área.
Apesar de apresentar uma espessura
grande,podemos esperar a sua dimi-
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COBERTURA CUTÂNEA
Área cruenta em região dorso ulnar do 1/3 distal do antebraço, com
exposição óssea.
Aspecto clínico final do retalho escapular.
nuição quando de sua utilização a distância
devido ao processo de denervação muscu-
lar.
2 \u2013 Retalhos do Braço
a) Retalho Lateral do Braço
\u2022 Localização: Porção lateral do braço 
\u2022 Tipo: Apesar de ser utilizado mais freqüen-
temente em sua forma fáscio-cutânea,
poderá ser retirado com segmento distal do
úmero e porção lateral do tríceps (osteo-
fáscio-cutâneo). A presença de inervação
sensitiva (nervo cutâneo lateral do braço)
garante potencial de retorno de sensibilida-
de local 
\u2022 Artéria nutriente: Artéria colateral radial
posterior 
\u2022 Pedículo: Uma artéria para duas veias 
\u2022 Extensão: Podemos retirar uma extensa
área que vai de cerca de 3 cm distais da
inserção do músculo deltóide até cerca de 3
cm distais ao epicôndilo lateral. A largura
máxima que permite o fechamento primário
da área doadora é de 5 a 6 cm.
\u2022 Características: é um retalho bastante ver-
sátil, especialmente se considerarmos o
fato de podermos restringir o trauma cirúrgi-
co ao mesmo membro lesado, quando de
lesões mais distais. A possibilidade de
fazer-se a sutura do nervo sensitivo junto a
área receptora garante o retorno da sensi-
bilidade do retalho.
3 \u2013 Retalhos do antebraço 
a) Retalho da artéria radial (Chinês)
\u2022 Localização: toda a face anterior do ante-
braço