Kuper, Adam. 2003   Cultura e Civilização In Cultura a visão dos antropólogos. Bauru EDUSC. Pp. 45 71
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Kuper, Adam. 2003 Cultura e Civilização In Cultura a visão dos antropólogos. Bauru EDUSC. Pp. 45 71


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ISBN flS-7i4tD-mt-E
9ll798574ll601464ll
BC
COS
39
K96c
KUP
ciências
BC
ag
215516
Adam Kuper
Coordenação Editorial
Irmã Jacinta Turolo Garcia
Assessoría Administrativa
Irmã Teresa Ana Sofiãtti
Coordenação da Coleção Ciências Sociais
Luiz Eugênio Véscio
Cultura
a visão dos antropólogos
T r a d u ç ã o
Mirtes Frange de Oliveira Pinheiros
caenoas^ sociais EDUSC
Editora da Universidade do Sagrado Coração
00 S
EDUSC
Ia Universidade do Sagrado Coraçã<
K9678c
Kuper, Adam ,
Cultura : a visão dos antropólogos / Adam
Kuper ; tradução Miites Fraiige; de Oliveira,
.pinheiros. - Bauru/SP: EDUSC, 2002.
324 p. ; 21 cm. \u2014 (Coleção Ciências Sociais)
ISBN 85-7460-146-2
Tradução de: Culture: the anthropologisfs
account.
1. Cultura. 2. Etnologia. 3. Civilização \u2014
Sociologia. I. Título. II. Série.
CDD. 306
ISBN 0^674-00.417-5 (original)
Copyright© Adam Kuper, 1999
Copyright© (tradução) EDUSC, 2002
Tradução realizada a partir da edição de 1999
Direitos exclusivos de publicação em língua portuguesa
para o Brasil adquiridos pela
EDITORA DA UNIVERSIDADE DO 'SAGRADO CORAÇÃO
Rua Irmã Arminda, 10-50
CEP 17011-160 - Bauru - SP
Fone (14) 3235-7111 - Fax (14) 3235-7219
e-mail: eclusc@edusc.com,br
para Jessica
l. sumario
9 Prefácio à edição brasileira
11 Prefácio
21 Introdução: guerras culturais
Parte 1. Genealogias
45 Capítulo 1. Cultura e civilização: intelectuais franceses,
alemães e ingleses, 1930-1958
73 Capítulo 2. A visão cias ciências sociaisfTalcott
Parsons e os antropólogos americanos
Parte 2. Experimentos
lOjv Capítulo 3. Clifford Géertz: cultura como religião e
como grande ópera
101 Capítulo 4. David Schneíder: biologia como cultura
207 Capítulo 5. Marshall Sahlins: história como cultura
259 ( Capítulo 6. Admirável mundo novo
287 Capítulo 7. Cultura, diferença, identidade
Leituras adicionais
317 Agradecimentos
319 índice onomástico
l prefácio à edição brasileira
E,/m agosto cie 1999, pouco antes da publicação inicial
cie Cultura., eu era professor convidado no Museu Nacional
cio Rio de Janeiro, oncle conduzi uma série cie seminários que
sintetizavam, o assunto cio livro. As discussões foram uma
revelação para mim.'Não é demais dizer que me sentia em
casa, tanto nas mas dó Rio quanto no anfiteatro cie conférên.-.
cias. Os jovens brasileiros com os quais dialogava obviamente
entendiam muito, bem o quex eu tinha em mente. Meu
primeiro envolvimento com as questões cie identidade e
política cultural se deu na década de 1950,, quando era estu-
dante universitário na África do Sul. No Brasil, no final do
século 20, jovens antropólogos intetessavam-se por questões
muito similares, com a mesma intensidade. Tanto no Brasil
como na África do Sul, a definição de cultura e a importância
dada às causas culturais não eram apenas questões acadêmi-
cas abstratas, mas problemas com conseqüências políticas e
sociais imediatas. Essas questões estavam no âmago cios de-
bates nacionais sobre raça, sobre o caráter e o.destino dos
&quot;povos indígenas&quot;, sobre as causas cia pobreza.
No Brasil, como tem muitos outros países, por vezes pare-
cia que a idéia de cultura havia substituído a idéia cie raça no
discurso popular, mas falar de cultura freqüentemente eqüiva-
lia a falar de raça, oferecendo uma razão para crer que as
relações econômicas, políticas e sociais eram determinadas
pela natureza interior dos diferentes grupos na: sociedade.
Para entendermos as implicações desse, tipo de pensamento
basta considerarmos alguns dos fatores que ele. rejeita: as con-
seqüências das, políticas econômicas, o poder modeíador da
políticajnternacional, a política dos grupos de interesse. Uma
antropologia que se define como o estudo da cultura despre-
zará fatores sociais, políticos, econômicos e também biológi-
!
 cos. Idéias e valores serão vistos como as causas cio compor-
tamento \u2014 cio crime, das práticas trabalhistas, cias práticas edu-
prefácio à edição brasileira
cacionais \u2014 e não como as conseqüências de outros fatores,
tais como a prosperidade e a pfobreza relativas, as oportu-
nidades de emprego, a exclusão cios processos políticos, a cor-
rupção e assim por diante.
A primeira parte deste livro explora as genealogias inte-
lectuais das diferentes noções de cultura. A segunda &quot;parte
examina as quase sempre criativas e críticas aplicações de
uma noção particular cie .cultura na antropologia cultural nos
Estados Unidos durante a segunda metade cio século 20. Esta
parte do livro denomina-se Experimentos, pois os maiores
expoentes da antropologia cultural moderna estavam na ver-
dade testando o valor do conceito de cultura para a com-
preensão do comportamento humano. Finalinente, discuto as
versões mais recentes do determinismo cultural em antropolo-
gia e levanto questões sobre o que poderia acontecer se fôsse-
mos tentados à-adotar uma teoria cia história radicalmente ide-,
'alista e relativista.
Escrevo este Prefácio uma semana após os ataques ter-
roristas nas cidades de Nova York e Washington. As .reações
imediatas ciavam conta cie que o acontecido provava a tese de
Samuel Huntington cie que os conflitos do século 21 seriam
conflitos culturais e cjue as novas guerras seriam guerras entre
civilizações. Há um fatalismo trágico neste tipo de visão, assim
como havia na idéia muito parecida, no início cio século 20,
de que raça era destino, e que a$ grandes guerras por vir seri-
am guerras entre raças. Até certo ponto, uma profecia desse
tipo poderá, se concretizar. Vale a pena refletir muito sobre as
teorias e a própria idéia cie cultura que fundamentam essa
maneira de &quot;pensar.
-Londres, 17 de setembro de 2001
Tradução cie Valéria Biondo
lio
(prefácio
JL álo neste livro sobre certa &quot;tradição moderna dentro
do antigo discurso internacional em constante transformação
Sobre cultura. Já em 1917, Robert Lowie declarou que cultura
&quot;é, na verdade, o único assunto da etnologia, assim como a
consciência é o assunto cia psicologia, a vida é o assunto clã
biologia e a eletricidade é um ramo cia física&quot;.' Palavras arre-
batadoras. Boa parte dos catedráticos alemães, por exemplo,
descreveu seu campo como ciência cultural, mas não como
etnologia. Os discípulos cie Mathew Arnold perguntaram se
era possível encontrar qualquer cultura, que fizesse jus ao
nome além das fronteiras das grandes civilizações. É alguns-
antropólogos contestaram, dizendo que o verdadeiro tema da_
süà disciplina era a evolução hivmana.-JVías. Lowie falou em
nome cie uma escola de antropologia cultural norte-america-
na recém-criacla que decidiu desafiar as idéias comumehte'
aceitas, Suas afirmações seriam, levadas mais a sério uma ge-
ração mais tarde.' Depois da Segunda Guerra Mundial, as Ciên-
cias sociais gozaram de um período de prosperidade e prestí-
gio sem precedentes nos Estados Unidos. As várias disciplinas
ficaram mais especializadas e a antropologia cultural recebeu
uma licença especial para atuar no campo cia cultura.
Os resultados foram bastante satisfatórios; pelo menos a
princípio, para os antropólogos. Stuart Chase comentou, em
1948, que o &quot;conceito cie cultura dos antropólogos e sociólo-
gos está sendo considerado o alicerce das ciências sociais&quot;.2
Em 195t2,&quot;a opinião respeitada cios maiores expoentes da an-
tropologia norte-americana cia época, Alfred Kroeber e Clycle
Kluckhohn, era de que &quot;a idéia -de cultura, no sentido antro-
1. LOWIE, Robert II. Culliíre and Ethnology. Nova York: McMur-
trie, 1917. p. 5,
,2. CHASE, Saiait. TíyeProper Study ofMankind. Nova York: Harper,
194S. p. 59.
H l
prefácio prefácio
polõgico técnico, constitui, uma das principais noções do pen-
samento americano contemporâneo&quot;.3 E eles estavam confian-
tes cie que no &quot;sentido antropológico técnico&quot;, cultura era um
conceito de promessa científica cie grande vulto, &quot;quase ilimi-
tado. &quot;Em importância