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imprevisível, fica ele obrigado a concluir o 
transporte contratado em outro veículo da 
mesma categoria, ou, com a anuência do pas-
sageiro, por modalidade diferente, à sua custa, 
correndo também por sua conta as despesas 
de estada e alimentação do usuário, durante a 
espera de novo transporte.
Art. 742. O transportador, uma vez execu-
tado o transporte, tem direito de retenção 
sobre a bagagem de passageiro e outros objetos 
pessoais deste, para garantir-se do pagamento 
do valor da passagem que não tiver sido feito 
no início ou durante o percurso.
SEÇÃO III \u2013 Do Transporte de Coisas
Art. 743. A coisa, entregue ao transportador, 
deve estar caracterizada pela sua natureza, 
valor, peso e quantidade, e o mais que for ne-
cessário para que não se confunda com outras, 
devendo o destinatário ser indicado ao menos 
pelo nome e endereço.
Art. 744. Ao receber a coisa, o transportador 
emitirá conhecimento com a menção dos da-
dos que a identifiquem, obedecido o disposto 
em lei especial.
Parágrafo único. O transportador poderá 
exigir que o remetente lhe entregue, devida-
mente assinada, a relação discriminada das 
coisas a serem transportadas, em duas vias, 
uma das quais, por ele devidamente auten-
ticada, ficará fazendo parte integrante do 
conhecimento.
Art. 745. Em caso de informação inexata ou 
falsa descrição no documento a que se refere 
o artigo antecedente, será o transportador in-
denizado pelo prejuízo que sofrer, devendo a 
ação respectiva ser ajuizada no prazo de cento 
e vinte dias, a contar daquele ato, sob pena de 
decadência.
Art. 746. Poderá o transportador recusar a 
coisa cuja embalagem seja inadequada, bem 
como a que possa pôr em risco a saúde das 
pessoas, ou danificar o veículo e outros bens.
Art. 747. O transportador deverá obriga-
toriamente recusar a coisa cujo transporte 
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ou comercialização não sejam permitidos, ou 
que venha desacompanhada dos documentos 
exigidos por lei ou regulamento.
Art. 748. Até a entrega da coisa, pode o reme-
tente desistir do transporte e pedi-la de volta, 
ou ordenar seja entregue a outro destinatário, 
pagando, em ambos os casos, os acréscimos de 
despesa decorrentes da contraordem, mais as 
perdas e danos que houver.
Art. 749. O transportador conduzirá a coisa ao 
seu destino, tomando todas as cautelas necessá-
rias para mantê-la em bom estado e entregá-la 
no prazo ajustado ou previsto.
Art. 750. A responsabilidade do transporta-
dor, limitada ao valor constante do conheci-
mento, começa no momento em que ele, ou seus 
prepostos, recebem a coisa; termina quando 
é entregue ao destinatário, ou depositada em 
juízo, se aquele não for encontrado.
Art. 751. A coisa, depositada ou guardada 
nos armazéns do transportador, em virtude de 
contrato de transporte, rege-se, no que couber, 
pelas disposições relativas a depósito.
Art. 752. Desembarcadas as mercadorias, o 
transportador não é obrigado a dar aviso ao 
destinatário, se assim não foi convencionado, 
dependendo também de ajuste a entrega a do-
micílio, e devem constar do conhecimento de 
embarque as cláusulas de aviso ou de entrega 
a domicílio.
Art. 753. Se o transporte não puder ser feito 
ou sofrer longa interrupção, o transportador 
solicitará, incontinenti, instruções ao remetente, 
e zelará pela coisa, por cujo perecimento ou 
deterioração responderá, salvo força maior.
§ 1o Perdurando o impedimento, sem moti-
vo imputável ao transportador e sem manifes-
tação do remetente, poderá aquele depositar 
a coisa em juízo, ou vendê-la, obedecidos os 
preceitos legais e regulamentares, ou os usos 
locais, depositando o valor.
§ 2o Se o impedimento for responsabilidade 
do transportador, este poderá depositar a coisa, 
por sua conta e risco, mas só poderá vendê-la 
se perecível.
§ 3o Em ambos os casos, o transportador 
deve informar o remetente da efetivação do 
depósito ou da venda.
§ 4o Se o transportador mantiver a coisa 
depositada em seus próprios armazéns, continu-
ará a responder pela sua guarda e conservação, 
sendo-lhe devida, porém, uma remuneração 
pela custódia, a qual poderá ser contratualmente 
ajustada ou se conformará aos usos adotados em 
cada sistema de transporte.
Art. 754. As mercadorias devem ser entregues 
ao destinatário, ou a quem apresentar o conheci-
mento endossado, devendo aquele que as receber 
conferi-las e apresentar as reclamações que tiver, 
sob pena de decadência dos direitos.
Parágrafo único. No caso de perda parcial 
ou de avaria não perceptível à primeira vista, 
o destinatário conserva a sua ação contra o 
transportador, desde que denuncie o dano em 
dez dias a contar da entrega.
Art. 755. Havendo dúvida acerca de quem seja 
o destinatário, o transportador deve depositar a 
mercadoria em juízo, se não lhe for possível obter 
instruções do remetente; se a demora puder oca-
sionar a deterioração da coisa, o transportador 
deverá vendê-la, depositando o saldo em juízo.
Art. 756. No caso de transporte cumulativo, 
todos os transportadores respondem solidaria-
mente pelo dano causado perante o remetente, 
ressalvada a apuração final da responsabilidade 
entre eles, de modo que o ressarcimento recaia, 
por inteiro, ou proporcionalmente, naquele ou 
naqueles em cujo percurso houver ocorrido o 
dano.
CAPÍTULO XV \u2013 Do Seguro
SEÇÃO I \u2013 Disposições Gerais
Art. 757. Pelo contrato de seguro, o segurador 
se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a 
garantir interesse legítimo do segurado, relativo 
a pessoa ou a coisa, contra riscos predetermi-
nados.
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Parágrafo único. Somente pode ser par-
te, no contrato de seguro, como segurador, 
entidade para tal fim legalmente autorizada.
Art. 758. O contrato de seguro prova-se com 
a exibição da apólice ou do bilhete do seguro, 
e, na falta deles, por documento comproba-
tório do pagamento do respectivo prêmio.
Art. 759. A emissão da apólice deverá ser 
precedida de proposta escrita com a decla-
ração dos elementos essenciais do interesse 
a ser garantido e do risco.
Art. 760. A apólice ou o bilhete de seguro 
serão nominativos, à ordem ou ao portador, 
e mencionarão os riscos assumidos, o início e 
o fim de sua validade, o limite da garantia e o 
prêmio devido, e, quando for o caso, o nome 
do segurado e o do beneficiário.
Parágrafo único. No seguro de pessoas, 
a apólice ou o bilhete não podem ser ao 
portador.
Art. 761. Quando o risco for assumido em 
cosseguro, a apólice indicará o segurador que 
administrará o contrato e representará os 
demais, para todos os seus efeitos.
Art. 762. Nulo será o contrato para garantia 
de risco proveniente de ato doloso do segu-
rado, do beneficiário, ou de representante de 
um ou de outro.
Art. 763. Não terá direito a indenização o 
segurado que estiver em mora no pagamento 
do prêmio, se ocorrer o sinistro antes de sua 
purgação.
Art. 764. Salvo disposição especial, o fato de 
se não ter verificado o risco, em previsão do 
qual se faz o seguro, não exime o segurado de 
pagar o prêmio.
Art. 765. O segurado e o segurador são obri-
gados a guardar na conclusão e na execução 
do contrato, a mais estrita boa-fé e veracidade, 
tanto a respeito do objeto como das circuns-
tâncias e declarações a ele concernentes.
Art. 766. Se o segurado, por si ou por seu 
representante, fizer declarações inexatas ou 
omitir circunstâncias que possam influir na 
aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, 
perderá o direito à garantia, além de ficar 
obrigado ao prêmio vencido.
Parágrafo único. Se a inexatidão ou omis-
são nas declarações não resultar de má-fé do 
segurado, o segurador terá direito a resolver o 
contrato, ou a cobrar, mesmo após o sinistro, 
a diferença do prêmio.
Art. 767. No seguro à conta de outrem, o 
segurador pode opor ao segurado