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Art. 828. Não aproveita este benefício ao fiador:
I \u2013 se ele o renunciou expressamente;
II \u2013 se se obrigou como principal pagador, ou 
devedor solidário;
III \u2013 se o devedor for insolvente, ou falido.
Art. 829. A fiança conjuntamente prestada a 
um só débito por mais de uma pessoa importa 
o compromisso de solidariedade entre elas, se 
declaradamente não se reservarem o benefício 
de divisão.
Parágrafo único. Estipulado este benefício, 
cada fiador responde unicamente pela parte que, 
em proporção, lhe couber no pagamento.
Art. 830. Cada fiador pode fixar no contrato a 
parte da dívida que toma sob sua responsabili-
dade, caso em que não será por mais obrigado.
Art. 831. O fiador que pagar integralmente a 
dívida fica sub-rogado nos direitos do credor; 
mas só poderá demandar a cada um dos outros 
fiadores pela respectiva quota.
Parágrafo único. A parte do fiador insolvente 
distribuir-se-á pelos outros.
Art. 832. O devedor responde também perante 
o fiador por todas as perdas e danos que este 
pagar, e pelos que sofrer em razão da fiança.
Art. 833. O fiador tem direito aos juros do 
desembolso pela taxa estipulada na obrigação 
principal, e, não havendo taxa convencionada, 
aos juros legais da mora.
Art. 834. Quando o credor, sem justa 
causa, demorar a execução iniciada contra 
o devedor, poderá o fiador promover-lhe o 
andamento.
Art. 835. O fiador poderá exonerar-se da 
fiança que tiver assinado sem limitação de 
tempo, sempre que lhe convier, ficando obri-
gado por todos os efeitos da fiança, durante 
sessenta dias após a notificação do credor.
Art. 836. A obrigação do fiador passa aos 
herdeiros; mas a responsabilidade da fiança 
se limita ao tempo decorrido até a morte do 
fiador, e não pode ultrapassar as forças da 
herança.
SEÇÃO III \u2013 Da Extinção da Fiança
Art. 837. O fiador pode opor ao credor as 
exceções que lhe forem pessoais, e as extinti-
vas da obrigação que competem ao devedor 
principal, se não provierem simplesmente de 
incapacidade pessoal, salvo o caso do mútuo 
feito a pessoa menor.
Art. 838. O fiador, ainda que solidário, ficará 
desobrigado:
I \u2013 se, sem consentimento seu, o credor 
conceder moratória ao devedor;
II \u2013 se, por fato do credor, for impossível a 
sub-rogação nos seus direitos e preferências;
III \u2013 se o credor, em pagamento da dívida, 
aceitar amigavelmente do devedor objeto di-
verso do que este era obrigado a lhe dar, ainda 
que depois venha a perdê-lo por evicção.
Art. 839. Se for invocado o benefício da 
excussão e o devedor, retardando-se a exe-
cução, cair em insolvência, ficará exonerado 
o fiador que o invocou, se provar que os bens 
por ele indicados eram, ao tempo da penhora, 
suficientes para a solução da dívida afiançada.
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CAPÍTULO XIX \u2013 Da Transação
Art. 840. É lícito aos interessados prevenirem 
ou terminarem o litígio mediante concessões 
mútuas.
Art. 841. Só quanto a direitos patrimoniais de 
caráter privado se permite a transação.
Art. 842. A transação far-se-á por escritura 
pública, nas obrigações em que a lei o exige, ou 
por instrumento particular, nas em que ela o 
admite; se recair sobre direitos contestados em 
juízo, será feita por escritura pública, ou por 
termo nos autos, assinado pelos transigentes e 
homologado pelo juiz.
Art. 843. A transação interpreta-se restritiva-
mente, e por ela não se transmitem, apenas se 
declaram ou reconhecem direitos.
Art. 844. A transação não aproveita, nem 
prejudica senão aos que nela intervierem, ainda 
que diga respeito a coisa indivisível.
§ 1o Se for concluída entre o credor e o de-
vedor, desobrigará o fiador.
§ 2o Se entre um dos credores solidários e o 
devedor, extingue a obrigação deste para com 
os outros credores.
§ 3o Se entre um dos devedores solidários 
e seu credor, extingue a dívida em relação aos 
codevedores.
Art. 845. Dada a evicção da coisa renunciada 
por um dos transigentes, ou por ele transferida 
à outra parte, não revive a obrigação extinta 
pela transação; mas ao evicto cabe o direito de 
reclamar perdas e danos.
Parágrafo único. Se um dos transigentes 
adquirir, depois da transação, novo direito sobre 
a coisa renunciada ou transferida, a transação 
feita não o inibirá de exercê-lo.
Art. 846. A transação concernente a obriga-
ções resultantes de delito não extingue a ação 
penal pública.
Art. 847. É admissível, na transação, a pena 
convencional.
Art. 848. Sendo nula qualquer das cláusulas 
da transação, nula será esta.
Parágrafo único. Quando a transação 
versar sobre diversos direitos contestados, in-
dependentes entre si, o fato de não prevalecer 
em relação a um não prejudicará os demais.
Art. 849. A transação só se anula por dolo, 
coação, ou erro essencial quanto à pessoa ou 
coisa controversa.
Parágrafo único. A transação não se anula 
por erro de direito a respeito das questões que 
foram objeto de controvérsia entre as partes.
Art. 850. É nula a transação a respeito do 
litígio decidido por sentença passada em 
julgado, se dela não tinha ciência algum dos 
transatores, ou quando, por título ulterior-
mente descoberto, se verificar que nenhum 
deles tinha direito sobre o objeto da tran-
sação.
CAPÍTULO XX \u2013 Do Compromisso
Art. 851. É admitido compromisso, judicial 
ou extrajudicial, para resolver litígios entre 
pessoas que podem contratar.
Art. 852. É vedado compromisso para solu-
ção de questões de estado, de direito pessoal 
de família e de outras que não tenham caráter 
estritamente patrimonial.
Art. 853. Admite-se nos contratos a cláusula 
compromissória, para resolver divergências 
mediante juízo arbitral, na forma estabelecida 
em lei especial.
TÍTULO VII \u2013 Dos Atos Unilaterais
CAPÍTULO I \u2013 Da Promessa de 
Recompensa
Art. 854. Aquele que, por anúncios públicos, 
se comprometer a recompensar, ou gratificar, 
a quem preencha certa condição, ou desem-
penhe certo serviço, contrai obrigação de 
cumprir o prometido.
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Art. 855. Quem quer que, nos termos do ar-
tigo antecedente, fizer o serviço, ou satisfizer a 
condição, ainda que não pelo interesse da pro-
messa, poderá exigir a recompensa estipulada.
Art. 856. Antes de prestado o serviço ou pre-
enchida a condição, pode o promitente revogar 
a promessa, contanto que o faça com a mesma 
publicidade; se houver assinado prazo à exe-
cução da tarefa, entender-se-á que renuncia o 
arbítrio de retirar, durante ele, a oferta.
Parágrafo único. O candidato de boa-fé, que 
houver feito despesas, terá direito a reembolso.
Art. 857. Se o ato contemplado na promes-
sa for praticado por mais de um indivíduo, 
terá direito à recompensa o que primeiro o 
executou.
Art. 858. Sendo simultânea a execução, a cada 
um tocará quinhão igual na recompensa; se 
esta não for divisível, conferir-se-á por sorteio, 
e o que obtiver a coisa dará ao outro o valor 
de seu quinhão.
Art. 859. Nos concursos que se abrirem com 
promessa pública de recompensa, é condição 
essencial, para valerem, a fixação de um prazo, 
observadas também as disposições dos pará-
grafos seguintes.
§ 1o A decisão da pessoa nomeada, nos 
anúncios, como juiz, obriga os interessados.
§ 2o Em falta de pessoa designada para 
julgar o mérito dos trabalhos que se apre-
sentarem, entender-se-á que o promitente se 
reservou essa função.
§ 3o Se os trabalhos tiverem mérito igual, 
proceder-se-á de acordo com os arts. 857 e 858.
Art. 860. As obras premiadas, nos concursos 
de que trata o artigo antecedente, só ficarão 
pertencendo ao promitente, se assim for esti-
pulado na publicação da promessa.
CAPÍTULO II \u2013 Da Gestão de Negócios
Art. 861. Aquele que, sem autorização do 
interessado, intervém na gestão de negócio 
alheio, dirigi-lo-á segundo o interesse e a 
vontade presumível de seu dono, ficando