BIZELLI, José Luis   Inovação   limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento

BIZELLI, José Luis Inovação limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento


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governança pública.
Desde o início do programa, havia uma diretriz em relação ao 
fato de que o planejamento compartilhado só seria possível a partir 
de um processo de Gestão do Conhecimento. O conhecimento so-
bre a cidade é produzido por diferentes atores sob diferentes olha-
res. A cidade é vista pelo administrador público como seu desafio 
profissional, como objeto de intervenção ante sua criatividade para 
solucionar demandas específicas. A cidade é objeto de consumo do 
cidadão para realizar uma infinidade de ações que suportam sua 
apoiar projetos de investimento da Administração Pública Municipal voltados à mo-
dernização da administração tributária e à melhoria da qualidade do gasto público, a 
fim de proporcionar aos municípios uma gestão eficiente, que gere aumento de recei-
tas e/ou redução do custo unitário dos serviços prestados à coletividade.
 6 Para aprofundar a discussão sobre o conceito de governança, ver Frischtak e Atiyas 
(1996) e Pereira (1997).
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existência e suas mais diversas atividades. A cidade é vista pelo 
político como local onde o poder de mando se materializa, no qual 
o seu programa de governo se estabelece ou não. A cidade é vis-
ta pela criança enquanto espaço lúdico. Enfim, cada ator que olha 
para a cidade usa seus conhecimentos para entendê-la e utilizá-la 
de formas diversas.
Esse conhecimento plural produzido pelos diferentes olhares 
sobre a cidade está retido em atores dispersos, sendo difícil siste-
matizá-lo e compartilhá-lo de forma a construir um novo tipo de 
gestão do espaço público. Para que a sistematização do conheci-
mento seja possível, é necessário um processo educativo dos atores 
envolvidos, o qual tenha como lastro a publicização da informação. 
A Gestão do Conhecimento, portanto, depende da gestão da infor-
mação e da educação continuada dos atores durante o processo.
O Progam \u2013 para trabalhar dentro do conceito de Gestão do 
Conhecimento \u2013 indica a associação de um conjunto de ferramentas 
que compõem o sistema de informações para a governança municipal, 
conjunto de ferramentas esse capaz de disponibilizar e cruzar, de 
forma ágil e confiável, informações globais que dizem respeito à di-
nâmica socioeconômica materializada na malha urbana. Isso dá vi-
sibilidade constante para aqueles processos de tomada de decisões 
voltados ao atendimento das demandas da comunidade por pres-
tação de serviços públicos, permitindo sua avaliação permanente.
Oferece ainda um programa de educação continuada para a 
governança municipal, com vista a fortalecer os atores envolvidos 
com o processo compartilhado de gestão, diminuir a resistência 
da administração local às mudanças advindas da implantação do 
sistema de informações e habilitar todos para desempenhar suas 
funções de forma gerencial e comprometida com as transformações 
propostas pelo planejamento estratégico sustentável, garantia do 
Direito à Cidade como forma de inclusão social.
Mais do que expandir o volume de conceitos que podem estar 
incluídos nos cursos de gestão tradicional, o propósito é transfor-
mar a sala de aula e os espaços de discussão sobre a cidade em um 
processo pedagógico de aprendizagem e empowerment.
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O sistema de informações integra, sob um único banco de da-
dos, diversos setores da administração municipal, que comparti-
lham informações sem perder de vista as necessidades particulares 
de cada área. As informações e as funções de uso comum (inter-
setoriais) formam o núcleo corporativo da aplicação, enquanto 
aquelas de uso predominante ou específico de determinada área 
formam o segmento departamental.
O trabalho se inicia com a composição do cadastro técnico \u2013 
base para o banco corporativo \u2013, que reúne informações para a 
composição do cadastro único do cidadão, para o cadastro das ati-
vidades econômicas do município e para o cadastro físico-territorial. 
Os dados departamentais \u2013 prontuários dos pacientes do sistema 
de saúde, registro acadêmico dos alunos da rede básica da educa-
ção, fichas de atendimento do sistema de promoção social, cadas-
tro de fornecedores, entre outros \u2013 articulam-se à base corporativa 
na construção de um Banco Multifinalitário Único.
No Banco de Dados Multifinalitário, formam-se as relações de 
integração lógica entre os dados corporativos e os dados departa-
mentais com conjuntos que se hierarquizam \u2013 por meio de uma 
arquitetura de senhas de acesso \u2013 para produzir uma informação7 
que seja a um só tempo intersetorial e específica.
Ferramentas de geoprocessamento criam \u2013 a partir dos ca-
dastros técnicos \u2013 o modelo virtual de cidade, permitindo que os 
agentes públicos acompanhem, analisem e redirecionem as ações 
públicas que ordenam a malha urbana. Abre-se caminho para que 
as políticas públicas traçadas para a cidade estejam visíveis e pos-
sam ser avaliadas, medidas no seu impacto na qualidade de vida 
do munícipe, ou seja, abre-se caminho para que se possa garantir 
um índice de governança municipal.
O modelo virtual de cidade permite também ensaios em 
complexas análises de futurabilidade, proporcionando ao gestor 
local ferramentas de avaliação dos impactos provocados por no-
vas medidas propostas. Quando a prefeitura acolhe o projeto de 
 7 Para entender melhor a diferença entre dados e informações, ver Goldratt (1992).
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um shopping center, localizado na área central da cidade, quais 
são as consequências de um maior fluxo de pessoas convergindo 
para aquele local? Quais os efeitos sobre o sistema de transporte, 
sobre os dispositivos viários, sobre o consumo de água, esgoto e 
energia elétrica, sobre a incidência de crimes ou delitos?
Os produtos compreendidos no sistema de informações vol-
tados à governança municipal reúnem 12 módulos de atuação, cujo 
primeiro é justamente a normalização das bases de dados corpora-
tivas do município, para fins de povoamento do Banco de Dados 
Multifinalitário Único, eliminando as redundâncias e garantindo 
a devida integridade lógica referencial entre a base digital carto-
gráfica e a base alfanumérica.
Essa integridade permite, por exemplo, que a existência de 
um logradouro, de um bairro ou de um imóvel localizado no mu-
nicípio tenha seu respectivo cadastro na base alfanumérica asso-
ciado a uma entidade cartográfica. Por essa associação, torna-se 
possível analisar as divergências entre as entidades existentes na 
base cartográfica e aquelas existentes na base alfanumérica.
Paralelamente ao trabalho de normalização, um segundo pro-
duto a ser implantado é um curso de formação e aprimoramento 
para o pessoal da área de Tecnologia da Informação (TI), curso que 
conta com 160 horas-aula. O público-alvo é o profissional da área 
de TI do município, que administra \u2013 conhecendo os princípios 
que regem a arquitetura do sistema \u2013 o processo de implantação, 
desenha os serviços de customização e incrementa o desenvolvi-
mento da plataforma utilizada.
Os funcionários da área de informática que concluem o cur-
so de TI passam a compor uma comunidade de desenvolvedores, 
cujo desafio é traçar os novos aplicativos e plataformas do sistema 
como um todo. Para tanto, os programadores que desenharam o 
Progam criaram um ambiente no qual os técnicos locais podem 
conhecer os fonts do sistema e, passo a passo, consolidar seus co-
nhecimentos de programação em informática.
Com o apoio dos profissionais da informática que atuam no 
município, criam-se as condições para implantação dos três próxi-
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mos produtos que dizem respeito à gestão das políticas públicas de 
saúde, educação e promoção social.
O sistema informatizado de controle e administração escolar \u2013 
composto dos módulos de Cadastro Básico Escolar e de Geren-
ciamento Escolar \u2013 permite que se faça o controle sincronizado de 
todas as escolas municipais, garantindo o acesso às informações