BIZELLI, José Luis   Inovação   limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento

BIZELLI, José Luis Inovação limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento


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de forma mais rápida e segura. Os processos que dependem da 
disponibilidade e do cruzamento de dados podem ser feitos com 
maior agilidade. Processos como a transferência de alunos para 
outras escolas; as montagens das escalas, as substituições e os re-
manejamentos de professores; as mudanças de calendário; entre 
outros, são facilitados.
Ao implantar um sistema informatizado que possibilita a preci-
são das informações pessoais e acadêmicas de cada aluno, viabilizan-
do o controle de demanda e a otimização dos recursos municipais na 
área da educação, sabe-se que a questão pedagógica \u2013 fundamental 
para a mudança do padrão do ensino-aprendizagem de cada unidade 
escolar \u2013 não se resolve.
No entanto, ao transferir para o sistema informatizado muitas 
das rotinas que ocupam o tempo de gestores qualificados, libera-se 
capacidade de intervenção para que os agentes educacionais utili-
zem criatividade e inteligência com ações que tenham impacto na 
qualidade efetiva da educação oferecida às crianças e aos adolescen-
tes do município.
O sistema informatizado de saúde atende aos requisitos das dire-
trizes e políticas preconizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 
A saúde privada, no Brasil, está disponível a um pequeno contin-
gente de pessoas que podem pagar os altos custos dos sofisticados 
serviços que a medicina moderna oferece. O SUS vem para integrar 
as diversas ações e serviços da saúde mantidos pelo poder público e, 
em algumas situações, complementarmente, aqueles mantidos pela 
iniciativa privada, posto que saúde é um direito constitucional de 
todos os cidadãos brasileiros.
Na própria concepção do SUS, é possível identificar os concei-
tos da governança que se quer introduzir na esfera pública local. O 
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sistema fala: da gestão na formulação das políticas públicas de saúde 
e da revisão organizacional das estruturas que prestam as ações e os 
serviços de saúde; da busca da eficiência, mas também da eficácia, 
atingida com a melhora dos resultados dos aparelhos de saúde; da 
descentralização ao questionar a melhoria da gestão nas mãos dos 
agentes locais; da participação, tanto dos agentes promotores da saú-
de quanto daquela que atinge os usuários.
O sistema de gestão da saúde, oferecido pelo Progam aos muni-
cípios, ajuda na construção da integralidade proposta pelo SUS, in-
tegralidade esta que não é vista apenas como uma forma holística de 
entender o paciente, mas como uma superação da compartimenta-
lização das ações de promoção, proteção e de recuperação da saúde.
As próprias unidades prestadoras de serviços de saúde têm 
que formar um todo indivisível que só pode se efetivar com a tro-
ca, em tempo real, de informações departamentais e corporativas, 
viabilizando a tomada de decisão e a gestão de procedimentos de 
forma integrada.
A disseminação da informação é o único processo que garante a 
efetiva participação na construção de um modelo de saúde melhor. 
O sistema de saúde dá visibilidade à gestão dentro das unidades de 
saúde \u2013 para os trabalhadores e agentes promotores da saúde \u2013 e ga-
rante que os resultados \u2013 aqueles que atestam a eficácia dos proce-
dimentos \u2013 possam ser verificados pelos usuários do sistema e pela 
população em geral.
Paralelamente, a saúde do cidadão melhora quando o sistema 
municipal de saúde melhora o processo de tomada de decisões, me-
lhora a participação dos trabalhadores da saúde na construção dos 
procedimentos de atendimento e melhora a comunicação interna e 
externa com as demais unidades que oferecem ações de promoção, 
proteção e de recuperação da saúde. Garante-se, assim, a melhoria 
do princípio de acessibilidade da população aos serviços de saúde.
O SUS preconiza também que as unidades de saúde modernizem 
suas estruturas administrativas e informatizem seus procedimentos. 
O sistema informatizado de saúde do Progam trouxe para os gestores 
locais \u2013 fossem os agentes comunitários ou os secretários municipais 
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de saúde \u2013 ferramentas (softwares) que, acopladas à rede departa-
mental e corporativa, auxiliavam na construção, na implantação e no 
acompanhamento das políticas públicas que visavam às ações de pro-
moção, proteção e de recuperação da saúde da população.
Facilitou-se o acesso às informações produzidas, possibilitando 
condições do exercício da gestão sobre as atividades e maior raciona-
lidade no decidir as políticas. O banco multifinalitário é abastecido 
cotidianamente na própria utilização do sistema que está incorpora-
da no processo de trabalho dos serviços essenciais de saúde.
Fazem parte do sistema informatizado de saúde os seguin-
tes módulos: cadastro e agendamento de profissionais da saúde; 
agendamento de pacientes; lançamento de fichas; prontuário clí-
nico; laboratório; SADT; relatório de lançamento de fichas e con-
trole de estoque.
Fechando o conjunto de sistemas voltado diretamente às políti-
cas públicas de inclusão social pelo poder local, está o sistema infor-
matizado da promoção social. Muito embora os governos estadual e 
federal mantenham uma gama imensa de programas direcionados às 
demandas cidadãs, na composição da rede de atendimento, cada vez 
mais, ganham espaço as entidades sem fins lucrativos dedicadas ao 
trabalho de promoção social, ou seja, ganham espaço aquelas entida-
des que passam a compor o que se convenciona chamar de terceiro 
setor \u2013 Organizações Não Governamentais (ONGs), Organizações 
da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), associações sem 
fins lucrativos, associações religiosas e sindicatos.
Quando se trabalha com uma gama tão variada de agentes en-
volvidos com uma atividade pública \u2013 a promoção da cidadania, a 
geração de trabalho e renda \u2013, ganha importância para a gestão a 
preocupação com a transparência na distribuição e no repasse de re-
cursos, assim como o acompanhamento da execução dos programas 
propostos pelos diversos agentes do terceiro setor e a avaliação dos 
resultados efetivos alcançados dos cidadãos necessitados.
O controle sobre uma gestão visível \u2013 proporcionado pela utili-
zação do sistema informatizado de promoção social para a liberação 
dos benefícios sociais em toda a extensão da rede de assistência \u2013 
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proporciona maior justiça na distribuição dos recursos e garante que 
entre os beneficiários estejam aqueles cidadãos que mais precisam 
dos auxílios, restringindo a retirada indevida.
A articulação da rede de comunicação entre as entidades que par-
ticipam do sistema permite ações integradas para o atendimento do 
assistido, viabilizando a troca de informações sobre os beneficiários 
e sobre os repasses governamentais de subvenção social que estejam 
sendo proporcionados a eles. Gera-se um prontuário unificado do 
atendimento municipal em programas de promoção social efetuado 
seja pelo governo local, seja pela rede privada ou pelo terceiro setor.
A visibilidade da ação governativa torna-se meta para todo o 
sistema de promoção social, visto que a sociedade civil \u2013 parcela fi-
nanciadora de muitas entidades \u2013 pode fiscalizar todas as ações que 
estão sendo realizadas para garantir o processo de inclusão dos cida-
dãos excluídos pelo mercado. Sites da secretaria de promoção social 
e de cada entidade passam a estar disponíveis para que a prestação de 
contas sobre atividade e utilização de recursos públicos ou privados 
esteja ali demonstrada.
Informações \u2013 confiáveis e atualizadas em tempo real pela rede 
integrada \u2013 podem ser disponibilizadas ainda por meio de busca ati-
va na base de dados \u2013 departamental ou corporativa \u2013 e gerar relató-
rios que possibilitem a tomada de decisão dos gestores municipais.
Os sistemas que atendem à área das políticas sociais visam, con-
juntamente, fornecer ferramentas que fortaleçam um dos braços da 
governança municipal: a melhoria na utilização dos recursos públicos.
Quando se trabalha