BIZELLI, José Luis   Inovação   limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento

BIZELLI, José Luis Inovação limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento


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com um banco unificado de informações se 
oferece ao gestor da promoção social uma ferramenta capaz de ava-
liar se a criança que recebe o benefício Bolsa Escola está com sua 
frequência escolar no índice desejado ou se ela está faltando às aulas 
porque passou no serviço de saúde e está sob observação com sus-
peita de uma doença contagiosa. O professor pode ficar atento aos 
sintomas da doença para alertar os pais dos alunos que dividem a 
mesma classe com o aluno doente. Pelos dados georreferenciados é 
possível identificar se, no bairro, há mais casos da doença. Enfim, 
ganha-se capacidade de gestão sobre os acontecimentos.
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É claro que para enfrentar a questão da melhoria do perfil do 
gasto público, ferramentas de gestão ainda são insuficientes se não 
são acompanhadas de uma mudança no perfil do gestor e dos atores 
sociais, mas esse é um assunto para ser tratado no próximo tópico 
sobre os programas de educação continuada para a máquina admi-
nistrativa local.
O Progam também oferece instrumentos para que se atenda à 
governança pelo aspecto da melhoria do perfil da arrecadação pú-
blica. Há um conjunto de produtos que auxiliam os gestores lo-
cais a aumentar a capacidade arrecadadora própria do município. 
O sexto produto oferecido é, portanto, composto por softwares de 
gerenciamento do cadastro imobiliário e pelos procedimentos de 
recadastramento imobiliário municipal, os quais criam oportuni-
dades de melhoria de receita no que diz respeito ao Imposto Ter-
ritorial Urbano (IPTU), às Taxas de Serviços Urbanos (TSU), ao 
Imposto sobre Transmissão Intervivos de Bens Imóveis (ITBI) e às 
Contribuições de Melhorias (CtM).
Ter capacidade de gestão sobre o cadastro8 imobiliário significa 
tanto trabalhar com os softwares de gerenciamento quanto lançar 
mão \u2013 sempre que preciso for \u2013 da atividade de recadastramento 
imobiliário, ou seja, da busca ativa de informações diretamente no 
território da malha urbana.
Um sistema assim constituído permite, em tempo real, que os 
agentes públicos tenham visão abrangente da cidade, possibilitando 
o planejamento estratégico sobre áreas de expansão desordenada \u2013 
ou sobre áreas de invasão \u2013 as quais necessitem de infraestrutura, de 
saneamento básico, de escolas, de postos de saúde, de lazer e cultura, 
de transporte coletivo e de serviços públicos em geral.
Desenha-se um conjunto de informações necessárias e suficien-
tes para que a municipalidade exerça a sua competência tributária. 
A informação pode ser genérica \u2013 setor, quadra, lote, serviços e equi-
pamentos públicos \u2013 ou específica para cada imóvel \u2013 característi-
 8 O termo \u201ccadastro\u201d significa \u2013 de forma mais abrangente \u2013 o agrupamento de infor-
mações sobre fatos, pessoas ou bens e que se destinem a um determinado fim.
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cas físicas, área e testada \u2013 e ordenada para permitir o manuseio, o 
controle e a atualização, possibilitando simulações na arrecadação 
de tributos,9 os quais vão retornar aos contribuintes nos locais onde 
forem necessários.
Uma base no modelo SIG \u2013 Sistema de Informações Geográ-
ficas \u2013 facilita a interação entre Zonas Tributáveis Urbanas e o lote 
pertencente a um contribuinte; facilita, portanto, a ligação entre 
cartografia digital e banco de dados multifinalitário, o qual detém 
informações importantes sobre cidadãos, empresas e logradouros.
É preciso entender, porém, o aumento de arrecadação, não como 
aumento de impostos, mas sim como a introdução do princípio de 
justiça tributária, ou seja, da tributação apropriada segundo a capa-
cidade contributiva do munícipe.
No entanto, fixar impostos mais justos é uma parte do desafio 
para buscar a justiça tributária, pois, além de lançar o imposto, o 
município tem de ser capaz de efetivamente cobrá-lo. Se assim não 
for, aquele que aposta na incapacidade municipal de cobrança leva 
vantagem sobre os outros, que contribuem regularmente.
Para tanto, é disponibilizado aos gestores públicos locais o sis-
tema informatizado para ajuizamento de feitos processuais de pri-
meira instância e administração do executivo fiscal do município. A 
ferramenta oferece uma administração mais eficaz da dívida ativa 
do município, permitindo seu acompanhamento processual e a 
sua cobrança.
Três são as fases que compõem a implantação do sistema. Primei-
ro é feita uma auditoria dos dados, da qual resulta a apuração da li-
quidez, da certeza e da exigibilidade do crédito municipal. Para tanto, 
efetuam-se a coleta e o tratamento dos dados disponíveis no sistema 
de arrecadação local, analisando a consistência das informações à luz 
da legislação aplicável, a legalidade dos atos de lançamento e a lega-
lidade da cobrança dos tributos \u2013 e de outros créditos, quando cabe.
 9 O exemplo que pode ser citado é o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), 
calculado com base na Planta Genérica de Valores (PGV) segundo a localização do 
imóvel e o tipo de edificação.
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Na segunda fase, são introduzidas rotinas informatizadas: 
distribuição eletrônica de feitos processuais de primeira instância; 
materialização dos feitos processuais de primeira instância; atendi-
mento ao contribuinte; acompanhamento do processo de execução 
fiscal e gestão financeira dos créditos pagos da dívida ativa.
Finalmente, todas as informações são integradas ao banco de da-
dos único e multifinalitário. Essa arquitetura de banco de dados é a 
única a permitir que o contribuinte vá sendo conhecido por análises 
combinadas. É possível saber o grau de dependência do contribuin-
te aos sistemas de atendimento social públicos \u2013 educação, saúde e 
promoção social \u2013 e sua capacidade econômica efetiva \u2013 número de 
imóveis dos quais é proprietário \u2013, gerando o traçado de seu perfil 
contributivo para ser avaliado administrativamente.
Como exemplo, uma execução fiscal \u2013 ou uma cobrança 
administrativa ostensiva \u2013 pode ser sobrestada no caso de um 
contribuinte que se encontre amparado por programas de renda 
complementar. Essa cobrança, além de ineficaz \u2013 face à situação 
de exclusão econômica \u2013 deixa o cidadão mais vulnerável.
Outro produto desenvolvido especialmente para dar maior ges-
tão nas questões referentes aos tributos locais é o modelo digital de 
atualização do Cadastro de Atividades Econômicas do município. 
Com o sistema informatizado, a gestão e a baixa de tributos mobiliá-
rios \u2013 em especial, o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza 
(ISSQN) \u2013 ganham maior efetividade.
Embora em muitas cidades paulistas o processo de produção \u2013 
responsável pela geração de trabalho e de renda \u2013 esteja baseado na 
atividade econômica rural, um ciclo virtuoso de desenvolvimento 
local sustentável passa, necessariamente, pela expansão da atividade 
econômica urbana, ligada, em especial, ao comércio e aos serviços.
Os agentes públicos municipais devem estar atentos para regrar 
a implantação das atividades econômicas na malha urbana, garan-
tindo as condições necessárias à produção de riqueza e permitindo a 
melhoria contínua da qualidade de vida. Espaço sem regras de ges-
tão afasta as atividades econômicas responsáveis e deteriora o am-
biente urbano, colocando em risco o Direito à Cidade para todos.
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Se, por um lado, a atividade econômica dá vida ao município, 
incrementando positivamente a capacidade de compra dos cida-
dãos com salários e renda; por outro lado, as empresas geram im-
postos, que auxiliam a administração local a melhorar o perfil de 
sua arrecadação, permitindo que a população excluída do merca-
do de trabalho e do mercado de consumo possa, pelo poder públi-
co local, ter acesso a bens e serviços necessários à sua reprodução.
O sistema contempla um conjunto de softwares aplicativos 
que franqueiam vias de acesso com o poder municipal, aproxi-
mando o contribuinte de tributos mobiliários em geral da ad-
ministração e