BIZELLI, José Luis   Inovação   limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento

BIZELLI, José Luis Inovação limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento


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por exemplo. O EaD acontece quando aluno e professor não estão 
presencialmente em um mesmo espaço físico de aprendizagem.
Segundo Moore e Kearsley (2007), em situações de EaD se torna 
necessário o uso de algum tipo de tecnologia para transmitir infor-
mações e proporcionar um meio para interagir. Só assim é possível 
realizar o que prescrevem os documentos oficiais:
Caracteriza-se a educação a distância como modalidade educacional na 
qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e apren-
dizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação 
e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades 
educativas em lugares ou tempos diversos (Brasil, 2005).
Ao recuperar a história do EaD, no Brasil, em seus diferentes 
meios e tecnologias, é possível dizer que ele começa com a geração 
textual, ou seja, a formação realizada via textos enviados por corres-
pondência postal. Essa modalidade de ensino é criada pelas primei-
ras escolas com fins lucrativos e foi conhecida também como estudo 
em casa ou estudo independente. 
O público-alvo era formado principalmente por mulheres, as 
quais não tinham acesso às instituições educacionais formais. Um 
fator que possibilita o desenvolvimento desse modelo é o estabeleci-
mento de serviços postais baratos e confiáveis.
A segunda geração do EaD é da década de 1930 e foi chama-
da de analógica por realizar sua transmissão via rádio e televisão. 
Quando o rádio surge, no início do século XX, educadores per-
cebem suas possibilidades como difusor do conhecimento. No 
entanto, o rádio não atende às expectativas da área educacional 
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em virtude da diferença de interesses estabelecida entre emissoras 
radiofônicas e instituições de ensino. 
Já a televisão \u2013 como se pode ver na experiência das TVs 
educativas5 \u2013 obteve mais sucesso que o rádio por conta de con-
tribuições empresariais. Nessa geração, passam a ser oferecidos 
cursos tanto de curta duração como de nível superior. É o período 
também dos cursos transmitidos por TV a cabo e dos telecursos 
que integram programas de TV com livros didáticos.6 Um bom 
exemplo brasileiro dos telecursos é o Telecurso 2000, oferecido, até 
hoje, por meio de parcerias entre a Fundação Roberto Marinho e 
escolas \u2013 públicas ou privadas \u2013, com o intuito de ofertar ensino 
supletivo, técnico e profissionalizante.
A terceira geração se inicia no final da década de 1960 e é carac-
terizada por mudanças significativas no contexto do EaD. Surge o 
Projeto de Mídia de Instrução Articulada (AIM \u2013 Articulated Ins-
tructional Media Project), que tem como principal objetivo agrupar 
tecnologias de comunicação para propagar o ensino com custo redu-
zido. As tecnologias utilizadas passam a ser compostas por materiais 
impressos, correspondência para orientações, transmissão por rádio 
e televisão, conferências por telefone, kits para experiências em casa 
e recursos de bibliotecas locais.
Ainda nessa geração, em 1967, são criadas as Universidades Aber-
tas (UAs) que usam o rádio e a televisão para transmitir seus conteú-
dos. As UAs são criadas originariamente pelo governo britânico e não 
estão vinculadas a outra instituição presencial, como as AIMs. As 
UAs, por outro lado, são instituições totalmente voltadas à finalidade 
de EaD para qualquer pessoa que se interesse.
A quarta geração surge nos Estados Unidos, em 1980, e está basea-
da na tecnologia da teleconferência, direcionada, normalmente, para o 
uso de grupos. É um modelo próximo do ensino tradicional, pois os 
 5 História mais complicada têm as TVs universitárias brasileiras conforme pode ser 
verificado em Bizelli e Stipp (2011).
 6 Um estudo mais aprofundado e interessante sobre a questão dos telecursos no Bra-
sil \u2013 dos impactos possíveis pela incorporação da interatividade \u2013 pode ser visto em 
Bizelli e Caran (2012).
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alunos se reúnem em salas de aula convencionais ou outras localidades 
como residências e empresas. Entretanto, utiliza-se de equipamentos 
específicos para a transmissão e o recebimento de áudio e imagens.
O processo permite em sua primeira versão \u2013 a áudioconferência, 
realizada via telefones comuns \u2013 uma relação bidirecional e, posterior-
mente, a teleconferência por transmissão via satélite amplia o público 
que assiste ainda uma forma de comunicação de mão única. Na década 
de 1990, a videoconferência se torna realidade com as linhas telefôni-
cas de fibra ótica cuja capacidade de transmissão de dados é maior e a 
comunicação se faz nos dois sentidos.
Hoje, a geração digital utiliza, como suporte, recursos tecnoló-
gicos modernos, baseados no computador e na internet. As TICs 
possibilitam nova fase no EaD. Com a internet, os cursos podem 
ser acessados de qualquer localidade, em qualquer horário, me-
diante o uso de computador pessoal, permitindo acesso a textos, 
vídeos, áudio e outras ferramentas importantes de comunicação, 
como chats e fóruns de debate.
Com a interatividade plenamente disponível \u2013 aprovado pela 
ABNT o middleware a ser utilizado no país;7 aceito na prática pe-
los radiodifusores, pelos que comandam a indústria de software e, 
principalmente, pelos que estão à frente da indústria de receptores 
\u2013 será possível ousar mais em TVDi (Luca, 2009).
Os novos recursos abrem oportunidades para uma gama imen-
sa de aplicações televisivas que passam a ser factíveis, visto que a 
interatividade na televisão deixa de ser a experiência individual 
oferecida pelos sistemas de TVDi atuais e assume seu caráter de 
criação coletiva que é inerente ao ambiente televisivo.
A TVDi, portanto, facilita o acesso à educação e a acessibilida-
de é o seu principal atributo (Damásio; Quico, 2004; Dosi; Prario, 
2004). Na sociedade global, impõem-se tarefas como: educação 
para todos; aprendizagem contínua; educação formal e profissional 
 7 O Ginga vai permitir o desenvolvimento de aplicações multiusuário e multidispositi-
vo pela conexão do receptor de TVDi com dispositivos móveis (Silva, 2007). Assim, 
as aplicações estarão disponíveis para serem usadas em qualquer lugar dentro de uma 
HAN (Home Área Network).
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e busca de competências mais flexíveis e gerais que exigem conexão 
e interação (Pulkkinem, 2005).
A EaD se afirma enquanto modalidade de ensino capaz de 
responder às tarefas impostas em todos os níveis de educação for-
mal, de educação não formal e de educação informal.8 O número 
de instituições de ensino públicas e privadas que adotam cursos 
a distância tem crescido no Brasil depois da publicação da Lei de 
Diretrizes e Bases (LDB), em 1996.9 Segundo dados do Ministério 
da Educação, o número de matrículas em cursos EaD, entre 2000 e 
2010, passou de 5 287 para 930 179.10 
Algo sempre questionado no EaD é a ausência física do profes-
sor em sala de aula. No entanto, na relação ensino-aprendizagem, a 
capacidade do professor de entender, mediar e estimular os alunos 
pela TICs deve ser maior. O esforço de ambos \u2013 professor e aluno \u2013 
torna-se essencial para a realização do processo de conhecimento. 
O aluno é a figura central de todo o processo de construção e de 
reconstrução do conhecimento em um ambiente colaborativo de 
aprendizagem, sob a orientação do professor, por meio de ferra-
mentas de comunicação e informação capazes de monitorar, apoiar 
e aperfeiçoar a aprendizagem (Azevedo; Silva, 2009).
O uso de TICs no EaD modifica as noções de tempo e de espa-
ço. Assim, educar não possui mais definição prévia de local e de ho-
rário, pois o processo de ensino-aprendizagem acontece conforme 
interesses e necessidades de professores e de alunos (Castro, 2007).
As possibilidades para o ensino e para o próprio processo edu-
cacional se ampliam. Envolvem-se as mídias \u2013 rádio, TV analógica, 
 8 A educação formal refere-se a uma estrutura organizada, hierarquizada e adminis-
trada sob