BIZELLI, José Luis   Inovação   limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento

BIZELLI, José Luis Inovação limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento


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a autoridade e a autoria da fala 
\u2013 monofonia \u2013 olhando para o receptor como um recipiente vazio a 
ser preenchido pelo conhecimento transmitido. No limite, o atendi-
mento ao aprendiz/espectador foi utilizado para dirimir as dúvidas 
sobre o conteúdo oferecido.
Por mais que as teorias pedagógicas tenham fugido do modelo 
exposto, baseado apenas na transmissão de conteúdos, as atividades 
praticadas no processo comunicacional reiteraram o modelo analó-
gico, o modelo da analogia, do aproximar-se do conhecido, do evitar 
distorções errôneas daquilo que é conhecido, catalogado como co-
nhecimento, validado enquanto certeza.
O mundo digital oferece uma plataforma que, por meio de um 
código instituído, desconstrói o objeto a ser conhecido, encapsula, 
transmite, desencapsula e reconstrói o objeto novamente. O pen-
sar digital é, assim, exercício enciclopedista que desconstrói racio-
nalmente todos os conceitos formulados por meio de uma matriz 
para reconstruí-lo, depois, em outro lugar e em outro tempo, em 
fração de segundos.
Tomando-se o caminho do otimismo da vontade, no horizonte 
da vida digital, é possível que a TV suporte o acesso à internet, o que 
formaria novos internautas entre aqueles que hoje estão excluídos 
do mundo virtual, sem comunicação com as novas tecnologias (Bec-
ker; Montez, 2005).
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Constituir-se-ia a TVDi como nova ferramenta para o desen-
volvimento social e para a ampliação da democracia (Schiefler, 
2011). Para que isso ocorra, novos parâmetros de democracia da 
informação têm que ser arquitetados, horizontalizando o acesso à 
informação, permitindo a apropriação dos conteúdos e provocan-
do mudanças de postura ante os fenômenos que são apresentados 
nas redes, posto que o meio digital oferece ao usuário ferramentas 
para que ele interfira nos conteúdos da comunicação, desenvol-
vendo capacidades que o tornam produtor de conteúdos.
Fica visível a oportunidade de rompimento de barreiras que 
separam o conhecimento erudito do popular, gerando interações 
totalmente novas, misturas capazes de agregar novos olhares nos 
múltiplos lados e de fazer que a população estabeleça outros parâ-
metros comunicacionais e sociais.
Dessa forma, ocorre uma multiplicação de conteúdo midiático, 
cujo ponto-chave inicial é a televisão. A multiplicação das mídias 
tende a acelerar a dinâmica dos intercâmbios entre as formas eruditas 
e populares, eruditas e de massa, populares e de massa, tradicionais e 
modernas (Santaella, 1996).
Se é possível pensar, então, que a TVDi gere uma plataforma 
suficientemente robusta para a educação e para a inclusão digital de 
parte considerável da sociedade brasileira, fica a cargo dos educado-
res, dos comunicadores e dos desenvolvedores de sistema11 construir 
novas bases para o EaD.12
Define-se, assim, o espaço do t-learning para a TVDi, ou seja, 
cria-se um contorno de utilização de uma ferramenta para construir 
 11 Os desafios em se projetar um aplicativo para TVDi, por exemplo, fundamentam-se 
na diferença que se estabelecem entre o aplicativo e os computadores. Estes últimos 
usam sistemas com dispositivos de entrada e saída de informação, em ambiente de 
fruição, com número de usuários e com baixo nível de expertise para seu uso (Leka-
kos, 2001).
 12 O avanço sobre as possibilidades da TVDi é, ainda, incipiente, sendo baixa a pro-
dução nacional de conteúdos educativos que explorem a interatividade proporcio-
nada pelo meio (Belda, 2009). Nas emissoras de canal aberto são veiculadas apenas 
aplicações de baixa interatividade, limitando-se a complementação de conteúdo de 
programas com o simples sistema de votação, sem canal de retorno.
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e criar conhecimento, podendo transformar-se em um veículo de 
desenvolvimento de habilidades intelectuais e comunicacionais. 
Essa ferramenta tem como maior vantagem o aprendizado perso-
nalizado, uma das possibilidades para se adequar às características 
da TVDi (Américo, 2007).
O t-learning analógico também é possível, no entanto, por mais 
que a TV analógica possa oferecer qualidade no roteiro e no teatro 
em frente às câmeras, a comunicação com o provedor do conteúdo é 
oferecida por meio de correio, telefone e, algumas vezes, por e-mail, 
o que rompe a ideia de tempo real e desmotiva o usuário: as dúvidas 
podem demorar semanas para serem solucionadas e dependem de 
outro aparelho ou método para tal. 
Mesmo alguns dos ambientes de e-learning, criados na rede de 
computadores, abandonam a utilização de audiovisuais dando pre-
ferência a textos e outras modalidades de ensino em decorrência de 
vários limitadores, como servidor, transmissão e tempo de produ-
ção do conteúdo.13
Produtos interativos ou audiovisuais no EaD devem, se-
gundo Andrade (2003), comportar material didático capaz de 
provocar ou garantir a necessária interatividade do processo 
ensino-aprendizagem, muito embora em processos de EaD o 
simples uso do material audiovisual é uma vantagem, pois as 
pessoas se comunicam melhor com aqueles que conhecem vi-
sualmente (Hack, 2010).
As diversas formatações mediáticas \u2013 vídeos, áudios, textos, 
imagens \u2013 utilizadas como recursos didáticos propiciam uma apren-
dizagem mais significativa e permanente no educando. 
O t-learning traz para dentro da relação ensino-aprendizagem 
um volume imenso de materiais audiovisuais (Bates, 2003), promo-
vendo a convergência da TVDi e o e-learning. Experiências têm sido 
feitas \u2013 nas mais diversas áreas de conhecimento, nos mais diversos 
 13 Muitas vezes, o que concretamente vem sendo feito \u2013 no e-learning e no t-learning 
\u2013 não reflete a ideia de facilitar o entendimento de suas potencialidades tanto no pro-
cesso de ensino-aprendizagem; quanto nos formatos dos produtos educativos em 
plataformas como a TVDi.
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locais de construção de saberes e para os mais variados públicos-alvo 
\u2013 na busca de caminhos possíveis para o t-learning.
Santos, Vale e Meloni (2006) relatam experiências com ambien-
tes de TVDi utilizados no desenvolvimento de aplicações de t-lear-
ning, por meio das quais os alunos podem interagir. As ferramentas 
foram criadas buscando atender dois cenários diferentes: estudantes 
e professores interagindo em um ambiente escolar; conteúdos trans-
mitidos a um elevado número de alunos sem a interatividade dispo-
nível. Ao final, foram apresentadas algumas preocupações sobre o 
design e a usabilidade das aplicações: escolha das cores e o redimen-
sionamento do vídeo, dentre outros. 
O programa ITV Talk-Show \u2013 promovido pelo canal 21, em 
2002 \u2013 foi, segundo Quico (2004), o primeiro programa ao vivo que 
permitiu a participação direta de interatores na TV portuguesa a 
cabo. Dois foram os atrativos do programa: o primeiro, a possibili-
dade de seleção de câmera, e o segundo, a interatividade em tempo 
real, pois foi possível interagir votando no tema para orientar a pró-
xima discussão entre os participantes. Outra função era a apresenta-
ção de um breve currículo dos participantes na tela. 
Experiência diferente foi realizada por Belda (2009) que de-
senvolveu, dentro de uma universidade brasileira (UFSCar), uma 
fábrica virtual como aplicativo de suporte para a engenharia de pro-
dução, proporcionando um ambiente televisivo de aprendizagem 
que dispunha de ferramentas como fórum, sala de profissões, sala 
de gestão e acesso ao piso de fábrica. Esse software foi desenvolvido 
para oferecer conhecimento a respeito dos processos de fabricação 
de determinado produto.
Já Aarreniemi-Jokipelto (2007) conduziu suas experiências14 em 
duas direções: na primeira, explorou o uso de mensagens instantâ-
neas no meio televisivo com o objetivo de pesquisar a viabilidade da 
aplicação de chat na comunicação de redes colaborativas, semelhan-
te ao que acontece em grupos de notícias, fóruns da internet e salas 
de bate-papo.
 14 Ver