BIZELLI, José Luis   Inovação   limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento

BIZELLI, José Luis Inovação limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento


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também o trabalho de Aarreniemi-Jokipelto e Tuominen (2004).
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Na segunda direção, realizou um curso cujas ferramentas es-
tavam apoiadas completamente na plataforma da TVDi. O curso 
profissionalizante aconteceu via transmissão televisiva, em padrão 
digital, facilitando a integração dos alunos entre si e as relações alu-
no-professor e professor-aluno por meio de aplicativos que permi-
tiam, inclusive, que as provas e os testes fossem feitos a distância. O 
objetivo central era construir o conhecimento e resolver problemas 
juntos, tanto alunos com alunos quanto aluno com professor. Uma 
das conclusões apresentadas pelo autor no final do trabalho foi a de 
que, de fato, o EaD pode, desde que bem planejado, ser realizado 
com diferentes tecnologias.
Avanço significativo representa o desenvolvimento de uma ver-
são do Moodle para a TVDi. A ferramenta tradicional já tinha pe-
netração importante no contexto e-learning mundial sendo utilizada 
em mais de 45 mil sites, distribuídos por 210 países, com mais de 
três milhões de cursos e mais de 30 milhões de alunos cadastrados 
(Araujo, 2010).
O moodleTV \u2013 desenvolvido pelo Instituto Federal do Espírito 
Santo \u2013 passa a trabalhar integrando-se com a versão web: o aplica-
tivo televisivo, portanto, passa a desempenhar a função de conectar-
-se com o software instalado na emissora \u2013 Moodle tradicional \u2013, 
permitindo a comunicação entre as informações do ambiente web e 
o ambiente da TV.
Outro aplicativo importante é criado pela PUC\u2013Rio, em par-
ceria com professores da Universidade Federal do Espírito Santo 
(UFES) e da Universidade de São Paulo (USP): o chamado aula 
net. O aplicativo proporciona um ambiente televisivo de apren-
dizagem que, semelhante a ambientes de aprendizagem web, 
permite a EaD via TVDi. A prioridade do sistema é facilitar o 
trabalho em grupo.
Entre as possibilidades oferecidas pelo ambiente estão: 1) comu-
nicação entre e com os docentes por lista de discussão; 2) inserção de 
estratégias como conferências, debate e mensagens para participante; 
3) utilização de ferramentas de coordenação facilitando a distribuição 
de tarefas, os processos avaliativos, o envio de avisos e mensagens, 
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a formulação e o acompanhamento dos planos de aula; 4) produ-
ção e circulação de relatórios de participação; 5) cooperação com o 
compartilhamento de bibliografia, web-bibliografia, documentação, 
coautoria de conteúdo e download (Raymundo et al., 2010).
Com uma visão muito mais abrangente, Simão (2011) enume-
ra uma série de funcionalidades t-learning que estão sendo aten-
didas \u2013 e outras que poderão estar disponíveis em curto espaço 
de tempo \u2013 pela grade da televisão digital: 1) educação informal 
ou programas educativos em canais temáticos \u2013 a exemplo dos 
canais a cabo History Channel e National Geografic \u2013, nos quais 
os documentários ou programas de perguntas e respostas levam 
conteúdos educativos de cultura geral aos usuários;15 2) serviço de 
apoio ao professor em sala de aula: serviço que disponibiliza con-
teúdo multimídia de apoio ao professor pela TVDi, caracterizado 
por materiais com informações adicionais e interatividade local, 
como perguntas e respostas; 3) serviços de apoio ao estudante em 
casa: cria a possibilidade de o aluno acessar material extraclasse, 
enriquecido com interatividade para fixação de conteúdo; 4) ser-
viços de interação pais-escola: gera informações acessíveis para os 
pais dos alunos, transformando-se em um canal de comunicação 
com a escola, a exemplo de consultas sobre notas e frequências, 
correio eletrônico e fórum de discussão;16 5) conhecimentos espe-
cíficos por meio de serviços interativos em canais independentes: 
redes comerciais oferecem serviços interativos em canais inde-
pendentes, a exemplo das enciclopédias on-line;17 6) serviços de 
aprendizado em vídeos sob demanda: quando a TVDi estiver to-
talmente disponível, os vídeos sob demanda serão cada vez mais 
procurados, sendo que, no âmbito educacional, será possível ofe-
recer os mais diversos conteúdos, sem a necessidade de canal de 
retorno; 7) TV personalizada: no futuro, haverá a possibilidade 
de customização da programação de acordo com o perfil do usuá-
 15 Neste caso, não é necessária a utilização de um canal de retorno.
 16 Neste enfoque é necessário um canal de retorno.
 17 É necessário o canal de retorno para o envio de informações de compra.
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rio, o que vai significar que a educação formal poderá ser ofereci-
da em programação predefinida de acordo com o curso em que o 
aluno está matriculado.
Segue o mesmo caminho o trabalho de Andreata (2006), quan-
do aponta casos de utilização da TVDi para ações de educação. 
Bons exemplos, segundo o autor, estão na TVDi da Inglaterra: 1) 
o SOS teacher: a BBCi e a Kingston Interactive Television (KIT) 
apresentam um canal piloto oferecendo serviço de tira-dúvidas, o 
qual pode ser acessado pelos estudantes que fazem uma pergunta 
a um professor real por e-mail via set-top box, sendo que a resposta 
é dada em tempo real;18 2) o acesso a enciclopédias educacionais: 
pelo canal a cabo NTL é possível acessar seção de procura por re-
ferências no menu de interatividade, sendo que o serviço oferece 
a opção de busca por palavras ou sentenças fornecidas no serviço 
de notícias da BBC, pesquisando na Enciclopédia Educacional 
Hutchinson e na Enciclopédia de Oxford; 3) os programas edu-
cativos sob demanda: usuários \u2013 por exemplo, assinantes da KIT 
\u2013 têm acesso ao programa Walking With Beastes e seus elementos 
interativos, como comentários extras e informações textuais, além 
da possibilidade de parar, iniciar, repetir, avançar e retroceder os 
vídeos recebidos; 4) a educação para crianças: o canal CBeebies da 
BBC disponibiliza um serviço com a finalidade de desenvolver ha-
bilidades em crianças de 3 a 5 anos, sendo que, enquanto a progra-
mação televisiva é apresentada, a criança pode acessar atividades, 
por exemplo, o reconhecimento de cores. Como bom exemplo na-
cional, Andreata (2006) cita o portal para aplicações colaborativas 
(InteraTV), o qual se propõe ao exercício do EaD, embora neces-
site de um canal de retorno para o seu pleno funcionamento, re-
duzindo seu público-alvo àqueles que possuem acesso à internet.
Considerando a existência de múltiplos aspectos em relação ao 
manejo da informação para a produção do conhecimento (Bruce, 
2003), coloca-se como questão saber os procedimentos necessá-
 18 As perguntas ficam armazenadas e podem ser acessadas por vídeos sob demanda, no 
horário que se deseje.
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rios para incorporar as estratégias descritas ao processo de ensino 
e aprendizagem: que abordagem ou quais abordagens devem ser 
utilizadas para desenvolver um conjunto de atitudes e condutas que 
possam auxiliar no uso do domínio da informação?
De acordo com Beluzzo (2007), os experimentos pelaTVDi aju-
dam a repensar sobre as aquisições cognitivas, uma vez que, muni-
das pelo saber, as pessoas podem abordar, em uma nova sequência 
de investigação, os mesmos problemas ou situações-problema cons-
truindo novas parcelas do saber. Dois tipos de atividade mental po-
dem ocorrer: a mobilização e a estruturação do conhecimento diante 
da dinâmica não linear de sua construção.
Sem dúvida a utilização dos meios comunicativos em multipla-
taformas pode propiciar uma educação mais significativa, tornando 
relevante o entendimento das características de memória audio-
visual na aprendizagem. As práticas de sala de aula envolvem ler, 
ouvir, escrever e falar, as quais, muitas vezes, são utilizadas de for-
ma individualizada, o que não produz um aprendizado eficiente. O 
ideal seria uma combinação de recursos que propicie aprendizado 
mais eficiente, como a simulação de experiência real que ofereça 
maior realismo e aperfeiçoe \u201ca comunicação educativa do