BIZELLI, José Luis   Inovação   limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento

BIZELLI, José Luis Inovação limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento


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abre-se uma brecha para discutir as re-
lações entre ensino e aprendizagem por meio de tecnologias in-
corporadas nos novos espaços midiáticos, como exercício para a 
superação dos obstáculos que se colocam à frente da garantia do 
Direito à Educação para todos.
Educação para a mídia em TVDi4
Percebe-se que, em tudo o que foi escrito até agora, a revo-
lução científico-tecnológica vivida pela Sociedade da Informação 
redefine os setores da vida contemporânea. A análise contida aqui 
recai sobre o estruturar a educação escolar e desenvolver o traba-
lho docente por meio das TICs. 
Utilizar a mudança como ferramenta de aprendizagem é com-
petência fundamental para quem quer ensinar e para quem quer 
aprender. Em educação, os investimentos em equipamentos, tec-
nologias e inovações têm que ser acompanhados de novas polí-
ticas educacionais, novas metodologias de ensino-aprendizagem 
e novas posturas entre os atores que constroem o conhecimento: 
professores e alunos, agentes de um processo comunicativo.
Comunicação implica troca, interação, participação, coautoria. 
Assim, comunicação difere da simples informação transmitida em 
 4 Releitura de trabalho exposto no Congresso da Intercom, em 2010 (Bizelli; Cerigatto, 
2010).
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mão única por uma mídia qualquer. Como aprender a ler e a escre-
ver com novas tecnologias? Para uma escola que não sabe usar se-
quer livros, as TICs \u2013 com sua interatividade, interdisciplinaridade, 
proatividade, disponibilidade de dados \u2013 podem representar apenas 
obstáculos de outra ordem para alunos passivos, espectadores à es-
pera de conteúdos e docentes carentes de preparo.
O ambiente no qual sobrevive a educação brasileira mantém 
traços legados pelo autoritarismo, escondidos que estão nos mean-
dros de uma falência que responsabiliza o aluno, o professor, o mo-
delo, as condições socioeconômicas; enfim, o sistema que organiza a 
vida cotidiana. Estatísticas demonstram que o comum é desistir de 
procurar na escola uma alternativa para viver de forma produtiva em 
sociedade, o cotidiano é falhar, abandonar, ser expulso. A violência 
na escola revela a falta de perspectiva, a baixa autoestima. A escola é 
a chave, mas onde está a porta?
Como, então, potencializar a escola, justamente no momento 
em que o conhecimento é tão valorizado? As novas mídias devem 
frequentar o ambiente escolar, visto que estão presentes no consu-
mo \u2013 ou no sonho de consumo \u2013 de crianças, adolescentes e adultos.
Ao trabalhar com os objetos da sociedade midiática, o edu-
comunicador está preparado para analisar, avaliar e decodificar os 
caminhos percorridos pelos meios de comunicação indicando al-
ternativas, propondo espaços de discussão e troca.
Esse ator deve ser formado e valorizado socialmente para exer-
cer sua função, enquanto suas atitudes devem estar circunscritas por 
políticas educativas bem definidas. No Brasil, políticas públicas têm 
sido construídas para dar suporte às mudanças. A partir de 1995, o 
Governo Federal implantou a TV Escola, o Programa Nacional de 
Informática na Educação (ProInfo) e o Programa de Formação de 
Professores (Proformação), todos desenvolvidos pela Secretaria de 
Educação a Distância (SEED) do MEC.
Apesar da existência dos programas, em muitos lugares eles têm 
uma aderência muito baixa. A dificuldade, por parte de alguns do-
centes, em trabalhar com as TICs, conforme reforçam Vieira e Sperb 
(1998), amplia o distanciamento entre a cultura oral e a cultura vi-
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sual, a qual não exerce o mesmo apelo sobre os mais velhos, ocasio-
nando um afastamento e criando resistências às inovações.
Segundo Chaves e Setzer (1988), há controvérsias entre os edu-
cadores sobre a melhor maneira de usar as TICs na escola. Essas 
controvérsias decorrem de diferentes visões da educação. Há os do-
centes que defendem a utilização do computador como instrumento 
de ensino e outros que defendem a utilização do computador como 
uma ferramenta de aprendizagem.
Ao olhar a tecnologia como instrumento de ensino, as novas 
mídias devem ser utilizadas para reforçar ou tornar mais eficiente 
o trabalho do professor. O computador é uma máquina de ensinar 
que ajuda o professor. Contudo, ao olhar a tecnologia como ins-
trumento/ferramenta de aprendizagem, descortina-se um pro-
cesso ativo que vai permitir ao aluno alcançar participação eficaz e 
significativa na vida em sociedade.
Os adeptos da visão mais convencional procuram domesticar 
o computador para que ele sirva para as tarefas da escola, sem 
perturbar a ordem escolar, não favorecendo usos abertos do com-
putador (Chaves, 1999). Os mais arrojados consideram que a 
tecnologia vai ajudar a trazer mudanças na escola, a subverter a 
ordem de maneira positiva, mas a tecnologia sozinha não provoca 
mudanças no ambiente escolar.
De qualquer forma, fica claro que a escola não pode ignorar o 
conteúdo veiculado pelos meios de comunicação. Seu papel é for-
mar leitores críticos e cidadãos mais atentos aos seus direitos em 
relação aos meios de comunicação. Além disso, é papel da escola 
produzir conteúdos, dando oportunidades para que os alunos fa-
çam uso das tecnologias e se apropriem das linguagens da TV, do 
rádio, da publicidade, do cinema, do jornalismo. 
A formulação de materiais pedagógicos para nortear o traba-
lho com as mídias é um exercício que vale para todos os meios e 
também para todos os gêneros. Desvendando a linguagem do jor-
nalismo, é possível trabalhar, por exemplo, o critério de seleções 
de notícias, a linguagem da notícia, o destaque dado à notícia e a 
análise das fontes. Assim também, a linguagem do entretenimen-
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to, da publicidade, da propaganda revela educativamente contri-
buições específicas para a construção de conhecimentos dispersos 
no universo da comunicação.
A mídia é só mais um fragmento do olhar daqueles que desejam 
conhecer e, assim, entender a linguagem da mídia não serve de \u201ces-
cudo para proteger os jovens da mídia e conduzi-los para coisas melho-
res, mas sim [serve para] torná-los habilitados a tomar decisões mais 
informadas para seu próprio interesse\u201d (Buckingham, 2003, p.13).
Três são as principais frentes de atuação do trabalho com as mí-
dias na educação: a) o que se chama de educação para as mídias \u2013 ou 
mídia-educação \u2013, que se centra no ensino e aprendizagem sobre a 
atuação dos meios de comunicação na sociedade; b) o uso instru-
mental das tecnologias da mídia na educação, conhecido como mí-
dia educativa \u2013 ou tecnologia educacional; e c) o uso da tecnologia 
para ensinar a distância, denominado de EaD. O objeto da análise 
proposta aqui é o uso de tecnologia \u2013 a plataforma moodle \u2013 para pro-
mover a mídia-educação e dar suporte as suas atividades.5
Há fundamento legal para o exercício proposto. Tanto os Parâ-
metros Curriculares Nacionais (PCN) quanto a Proposta Curricular 
do Estado de São Paulo apontam para a necessidade de trabalhar a 
mídia, suas linguagens e seus gêneros em sala de aula, apropriando-
-se das novas tecnologias. 
As escolas devem adotar metodologias de ensino diversificadas, 
priorizando aquelas que desenvolvem competências, tais como: ra-
ciocínio, comunicação e expressão, leitura e escrita, pensamento crí-
tico e autônomo, criatividade, cidadania, entre outras.
Ao estudar, por exemplo, recursos da linguagem cinemato-
gráfica \u2013 dentro da área Linguagens, Códigos e suas Tecnologias \u2013 
incrementa-se positivamente o domínio do sistema de códigos que 
sustenta tal linguagem. Esse melhor domínio pode revelar melhores 
autonomia, criticidade ou criatividade. A boa utilização dos meios 
 5 O campo para esta análise foi o curso de Letras da Universidade do Sagrado Coração 
\u2013 Bauru, no qual futuros professores foram desafiados a entender o processo de pro-
dução da linguagem audiovisual e cinematográfica com ferramentas como o