BIZELLI, José Luis   Inovação   limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento

BIZELLI, José Luis Inovação limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento


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Moodle, 
o Youtube, softwares de edição de vídeo e câmeras digitais.
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de comunicação proporciona crescimento intelectual, ampliação de 
repertório, desenvolvimento de valores e atitudes capazes de asse-
gurar cidadãos com autonomia e responsabilidade para enfrentar os 
desafios da vida contemporânea.
A media literacy tem como premissa que é possível adquirir um 
senso crítico sobre aquilo que é veiculado pela cultura de massa. A 
reflexão sobre os elementos que constroem a mensagem da mídia e a 
postura de quem se coloca no papel de sujeito da produção midiática 
\u2013 rompendo com a posição passiva daquele que se sujeita à mensa-
gem \u2013 propicia a formação de um ator capaz de análise crítica.
Mas como a mídia-educação pode auxiliar na mudança do espa-
ço público na escola, tornando-a mais prazerosa e mais significativa 
na vida do jovem, para além das fronteiras das instituições escolares, 
oferecendo oportunidade para a participação social?
A experiência dos ingleses \u2013 o pilar da análise aqui desenvolvida 
\u2013 baseia-se no estimular o ator a produzir conteúdo midiático, ou seja, 
o aluno frente ao desafio de produzir e veicular mensagens de mídia.
Cria-se um espaço de expressão, utilizando os meios de comu-
nicação para além das trocas de conteúdos aprendidos em sala de 
aula, visto que envolvem a criação e circulação de novos conceitos, 
novos pensamentos, ideias e pontos de vistas nascidos da interação. 
As experiências de mídia-educação não se colocam somente como 
oportunidade de aprendizado de linguagens, mas também se tor-
nam espaço de apropriação, de expressão, conscientização e, princi-
palmente, de exercício de cidadania.
Dessa maneira, a educação para a mídia não é apenas propos-
ta de alfabetização aos elementos da fotografia, do cinema ou do 
jornalismo, ela é canal para cidadãos expressarem sua realidade 
ou conhecerem outra realidade a partir dos meios e tecnologias 
de comunicação. 
Mídia-educação, leitura crítica dos meios, educomunicação, 
educação para a mídia e media literacy são alguns termos usados para 
caracterizar a área interdisciplinar do conhecimento que se preocupa 
em desenvolver formas de ensinar e aprender aspectos relevantes da 
inserção dos meios de comunicação na sociedade. Assim, a literacia 
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em mídia é o resultado de ações pedagógicas que envolvem, necessa-
riamente, a compreensão crítica e a participação ativa.
Na Inglaterra, o Communications Act, de 2003,6 estabelece 
como tarefa para o Ofcom \u2013 órgão regulador de mídia nesse país 
\u2013 promover a media literacy. De lá para cá, medidas estão sendo 
implantadas e, entre elas, o fomento de programas de educação 
para a mídia em espaços de educação formal e não formal.
Segundo o Ofcom,7 a pessoa letrada em mídia deve ser capaz 
de usar um guia eletrônico para encontrar um programa que dese-
ja assistir; emitir juízo de valor sobre programas veiculados, con-
cordar ou não com o ponto de vista do produtor; identificar como 
o produtor influencia o produto e que recursos de linguagem ele 
utiliza para isso; interagir com o programa, usando a interativida-
de da TV, do computador ou do telefone; responder a demandas 
escrevendo ou mandando e-mails para o produtor, manifestando 
seus próprios pontos de vista sobre o tema do programa e usar as 
tecnologias de comunicação para criar conteúdos próprios em áu-
dio e vídeo. O que se quer é formar um cidadão que possa escolher 
conteúdos na mídia, seja ela qual for: TVDi, internet, jornal, rádio.
O modo como são desenvolvidas e implantadas as ações pe-
dagógicas para ensinar mídia varia de acordo com a concepção 
que os educadores e comunicadores têm dessa área. Dois extre-
mos estão marcados ideologicamente (Green; Hannon, 2007): o 
da fé cega na tecnologia \u2013 quando a simples presença das mídias 
na escola já é algo revolucionário e positivo \u2013 e o do pânico mo-
ral \u2013 a cultura trazida pelas mídias é uma degeneração que deve 
ser combatida pela educação escolar. Entre os extremos, há uma 
série de posturas mais equilibradas que se preocupa em preparar 
pessoas para usar as mídias de forma mais proveitosa, seja como 
consumidor, seja como cidadão (Buckingham, 2003).
O certo é que jovens chegam à sala de aula impregnados da 
cultura midiática, sobretudo a televisiva, exigindo que a escola 
 6 A Lei Geral das Comunicações Inglesas.
 7 Ver Ofcom (2011).
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\u2013 enquanto instituição \u2013 e os professores \u2013 enquanto atores na 
construção do conhecimento \u2013 respondam pedagogicamente aos 
comportamentos gerados pela indústria cultural.
Apesar de as iniciativas brasileiras, no campo das políticas pú-
blicas, promover o uso de mídias na educação e a inserção de tecno-
logias no ambiente educacional, materiais pedagógicos adequados e 
metodologias de trabalho apropriadas são insuficientes para ativida-
des dessa natureza, as quais envolvem habilidades de leitura multi-
modal, conhecimentos técnicos específicos e formação de critérios 
de julgamento que não se limitem a criticar o gosto do aluno pela 
cultura de massa. 
Mesmo em relação aos conteúdos tradicionais, como o ensino 
da Língua Portuguesa, ainda não foram concretizadas metodolo-
gias de ensino que garantam o desenvolvimento de certas compe-
tências comunicativas. As instituições escolares vêm enfrentando 
todas essas mudanças com crises e contradições: reformas, parcos 
recursos, desmotivação e má-formação dos docentes para lidar 
com mídias e tecnologias.
O fato é que a incorporação tecnológica na educação é insufi-
ciente e lenta, principalmente diante da realidade socioeconômi-
ca que caracteriza o país. Isso explica a pressão e a necessidade 
das mudanças. A formação universitária dos futuros educadores 
e gestores abriga, portanto, uma responsabilidade primordial. É 
no processo de construção da formação do educador que o audio-
visual está em desvantagem, assim como no contexto da escola 
básica.
O ensino da expressividade textual se aproxima mais de uma 
postura passiva que inibe a criatividade dos alunos. A imagem é 
utilizada de maneira muito tímida, como mero recurso ilustrativo 
e devidamente legendada, para que não haja qualquer abertura 
quanto ao seu significado.
Uma pesquisa desenvolvida pelo Núcleo de Comunicação e 
Educação (NCE), da ECA\u2013USP, entre 1996 e 1998, envolvendo 
15 escolas públicas, 1,2 mil educandos de 3ª e 8ª séries, confirma 
a situação de leitura e escrita passiva no ambiente escolar. Foram 
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analisados como os textos escolares e não escolares circulavam na 
sala de aula. Nenhum conteúdo midiático era discutido em sala 
de aula, enquanto no intervalo os dois grupos comentavam ani-
madamente o capítulo da novela e a reportagem do jornal. Nessa 
perspectiva, \u201c[...] o mundo legal do discurso pedagógico parecia 
esconder a pluralidade das linguagens institucionais não escola-
res ou pelo menos não reconhecê-la e mesmo esquivar-se dela\u201d 
(Citelli, 2004, p.161).
Criar material educacional para o uso da mídia na escola siste-
matiza conhecimentos e serve de referencial para o professor. Pro-
gramas como o \u201cLuz, Câmera... Educação!\u201d (São Paulo, 2009) \u2013 por 
meio do qual se disponibiliza material para o uso pedagógico do ci-
nema na sala de aula com a distribuição de DVDs de vários gêneros 
diferentes às escolas \u2013 geram um guia de atividades interessantes.
No entanto, a avaliação do material permite que se constate que 
ainda falta uma conscientização da importância de trabalhar para 
além da temática do filme. É preciso considerar o eixo da produção, 
ou seja, a apropriação dos elementos linguísticos que compõem o fil-
me para melhor fundamentar a análise crítica. 
Como foi visto, o EaD abre várias possibilidades para que se tra-
balhem os conteúdos midiáticos pela interatividade de plataformas 
digitais. O professor envia instruções aos alunos mediante