BIZELLI, José Luis   Inovação   limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento

BIZELLI, José Luis Inovação limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento


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sociedade organizada, democratização dos meios de 
comunicação, maior igualdade de competição entre atores sociais. 
Entretanto, esse conjunto de possibilidades, para ser concretizado, 
requer interatores com educação para a mídia. Assim, a apropria-
ção de novas tecnologias depende de uma política educacional que 
permita o desenvolvimento de cidadãos autônomos e críticos que 
saibam se posicionar diante de velhas e novas mídias. 
Mas a chegada da TV Digital não somente mostra a necessidade 
de uma política de educação para a mídia, ela leva a pensar na ne-
cessidade de reformas de marcos legais da radiodifusão. O Código 
Brasileiro de Telecomunicações (CBT) não sustenta soluções para os 
problemas contemporâneos.
No entanto, é preciso reconhecer que o sinal digital é uma realida-
de. Os desafios a serem superados imediatamente são a produção de 
aplicações e serviços interativos de qualidade e a formação de mão de 
obra especializada para os diversos fins que exige a nova tecnologia. 
Importante ressaltar que o desenvolvimento da TVDi vai depender 
do envolvimento de profissionais das mais diversas áreas, como edu-
cação, comunicação, design, programação, engenharia da computação.
Em relação à educação, o estudo identificou que existe potencial 
na utilização da TVDi. Seu uso pode aumentar as oportunidades de 
aprendizagem em casa, especialmente como alternativa à utilização 
de computador com acesso à internet. A TVDi tem papel na supe-
ração da exclusão digital e se mostra como ferramenta importante 
para educação em virtude da sua penetração na sociedade brasilei-
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ra. Contudo, há a necessidade de produção de inovações educativas 
para essa tecnologia.
A simulação de um curso de alfabetização à linguagem audio-
visual buscou combinar recursos da TDV e do Moodle, dentro de 
uma proposta para aproveitar cada uma das plataformas. A con-
clusão é: a combinação ou parceria mostra-se viável e potencializa 
o aprendizado da linguagem audiovisual. Mesmo com a limitação 
de interatividade local, a TV pode ser protagonista na educação 
formal de jovens professores ou mesmo na educação continuada.
A alta qualidade de imagem e som, possibilidade de escolher ân-
gulos diferentes de uma mesma cena ou imagem, o fato de poder re-
ver os conteúdos, assistir a vídeos combinados com fóruns, enquetes 
e wikis da plataforma Moodle podem promover uma aprendizagem 
mais completa e multimidiática de extrema relevância para o desen-
volvimento de habilidades e de apropriação tecnológica.
A universidade que forma os educadores deve trabalhar com 
áreas transdisciplinares integradas por sistemas multiplataformas. 
Os currículos precisam ser remodelados em função de proverem 
formação para as habilidades em TICs e em convergência digital. 
Ao desenvolver planos globais para a educação, para EaD ou para 
projetos educacionais que incluam as TICs, governos, sociedade, 
universidades e outras entidades devem levar em consideração a 
tendência da integração entre as mídias. Dentro de uma proposta 
transmídia, deve-se incentivar a produção de conteúdos digitais 
que incorpore diferentes plataformas, de uma maneira que elas 
dialoguem entre si. 
Canais de radiodifusão educativa, públicos ou privados, e se-
tores do ensino formal precisam estreitar relações para tomar de-
cisões no sentido de definir as formas de utilização das inovações 
tecnológicas. A produção de projetos-pilotos a fim de testar como 
esses meios podem incrementar o acesso às oportunidades de 
aprendizagem e parcerias entre empresas de radiodifusão, desen-
volvedores de conteúdos e provedores de conteúdos educativos.
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Ciberativismo em documentário interativo10
Ao pensar em comunicação, mais do que estabelecer um mero 
eixo receptor-transmissor, torna-se necessário criar uma relação 
ensino-aprendizagem de múltiplos sentidos na produção de conhe-
cimentos que virão com a interatividade: possibilidades de horizon-
talização do fazer comunicacional e, portanto, democratização do 
processo (in)formativo. 
Pensando no consumidor de conteúdos como interagente e 
centrando a atenção em um tipo de conteúdo que valoriza a parti-
cipação, é possível propor um experimento que permita diferentes 
olhares sobre um mesmo produto cristalizado na tela: é a oportuni-
dade de experienciar o documentário, criando novos documenta-
ristas e elevando seu potencial como recurso educativo.
Produtos audiovisuais interativos são criados em comunidades 
de conhecimento, as quais se impulsionam a desvendar enigmas por 
meio de uma linguagem e de uma semiótica que terão como resulta-
do outros roteiros \u2013 tomando parte ou rompendo \u2013, gerando novos 
símbolos ou novas estéticas a instigar o ensino-aprendizagem inte-
rativo e recolocando a aventura de educar-se por produto midiático.
Na contemporaneidade, vivemos o fenômeno da globalização 
tecnológica, da universalização do consumo, da massificação do 
querer e da cultura. Assim é o mundo cibernético, ponto difusor 
exponencial das ideologias. Ambiente fluido de fluxos aleatórios de 
interesses moldados por tempos infinitesimais, nos quais as pessoas 
se definem e se encontram em fenômenos de curta duração.
A cibercultura agrega e desagrega grupelhos hiperorganizan-
do e hiperdesorganizando \u2013 na borda do espaço digital produzido, 
em que tudo é possível \u2013 a criação humana desprovida dos contor-
nos de suas fronteiras e de seus limites. As portas redesenham as 
chaves que, embora sejam muitas, se estabelecem pela linguagem, 
pelo conhecimento, pelas preferências e pelas oportunidades es-
 10 Releitura de trabalho exposto no Congresso da Intercom, em 2012 (Bizelli; Santos, 
2012).
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truturais disponíveis, destruindo e recriando abismos. As próprias 
identidades podem estar explícitas, implícitas ou, simplesmente, 
ocultas, visto que não há obrigatoriedade de que elas sejam revela-
das no ciberespaço.
A cibernética é uma ciência relativamente jovem surgida 
durante a década de 1940 com a teoria de Wiener (1968), que a 
define como uma teoria de transmissão de mensagens a partir de 
impulsos elétricos. O homem do século XXI, o ciborgue \u2013 me-
tade homem, metade máquina, tamanha sua relação de depen-
dência com ela \u2013, metaforiza o novo ser que vive na plenitude a 
cultura cibernética.
Na sociedade da comunicação midiática, as mensagens são 
emitidas e recebidas de um mesmo ponto do espaço imaterial e 
codificado: a internet, pela ação do ciborgue cuja relação com as 
máquinas, mais do que uma relação de cooperação, resulta em 
dependência. Os crescentes avanços tecnológicos, sobretudo no 
campo da inteligência artificial tendo como princípio o código 
binário 0 e 1, levam o homem a acomodar, de certa forma, ca-
pacidades de seu cérebro, deixando para a máquina atividades 
como operações matemáticas e reservas de memória.
Os seres humanos, cada vez mais, são reféns de suas inven-
ções conforme perdem o controle sobre o tempo e o território: 
acontecimentos locais têm respostas, impactos e apelos mundiali-
zados na infinidade de mensagens multiplataformas instantâneas. 
Não há tempo para memorizar porque a inovação chega instanta-
neamente e o conhecimento obtido agora pode se tornar obsoleto 
no próximo segundo, quando alguém, em uma parte qualquer do 
mundo, provar \u2013 blefar \u2013 o contrário.
Dentro do contexto do instantâneo, do ciberespaço, a TVDi é 
mais um aparelho de criação. No entanto, por carregar seus novos 
atributos \u2013 interatividade, multiprogramação \u2013, reinventa o fazer 
televisivo e revoluciona as certezas do mundo audiovisual.
O desafio, portanto, é transformar o produto em algo metamorfo 
que possa ser moldado à vontade do público, permitindo que a inte-
ração traga sempre a novidade, a inovação. O novo produto audiovi-
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sual gestado no ciberespaço permanece como mutante,