BIZELLI, José Luis   Inovação   limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento

BIZELLI, José Luis Inovação limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento


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descrição serão capazes de proporcionar melhor compreensão sobre 
a necessidade de seu uso para com os alunos. Serão criados maiores 
estímulos para a adoção de práticas inclusivas em sala de aula. 
A escola, quando assume o papel de formar multiplicadores, 
permite que alunos, professores e funcionários levem para casa e 
para a vizinhança as práticas aprendidas. A partir do momento em 
que se conhece, compreende e apoia a utilização de recursos de aces-
sibilidade na escola, na televisão, nas peças de teatro, nos cinemas 
e outros locais e produções culturais ou educativas, a sociedade in-
clusiva vai se firmando como melhor alternativa para convivência 
harmônica de todos os seus integrantes. 
Faz-se importante notar que o histórico da relação entre so-
ciedade e pessoas com deficiência revela importantes vitórias 
(Lanna Junior, 2010; Lemos, 2003). Entretanto, muitas outras 
deverão ser alcançadas para que a sociedade moderna possa ser 
chamada de inclusiva. 
Para que se pense em acessibilidade plena, torna-se necessário 
superar um conjunto enorme de barreiras: arquitetônicas \u2013 obs-
táculos físicos em espaços ou equipamentos urbanos e meios de 
transporte \u2013; comunicacionais \u2013 obstáculos na comunicação in-
terpessoal, oral, escrita ou virtual \u2013; metodológicos \u2013 obstáculos 
provocados por diferentes métodos e técnicas de estudo, trabalho 
de ação comunitária que desrespeitem as diferenças \u2013; instrumen-
tais \u2013 obstáculos gerados por diversos instrumentos e utensílios 
de estudo, trabalho, lazer e recreação \u2013; programáticos \u2013 obstá-
culos provenientes de barreiras invisíveis presentes em políticas 
públicas governamentais, normas ou regulamentos \u2013 e atitudinais 
\u2013 obstáculos causados por preconceitos, estereótipos e discrimi-
nações (Sassaki apud Vivarta, 2003).
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A acessibilidade em diversos âmbitos é uma das formas para 
garantir a inclusão social, digital e educacional de todas as pessoas 
por meio da eliminação de barreiras que possam impedir ou di-
ficultar a igualdade de oportunidade entre todos os membros de 
uma sociedade.
A inclusão social, digital e educacional leva em consideração 
princípios como: respeito à diversidade humana \u2013 cultural, linguísti-
ca, racial, étnica, sexual, cognitiva \u2013; direito de pertencer incondicio-
nalmente a uma comunidade, cultura ou local; não rejeição; respeito 
às diferenças individuais; aplicação e uso do desenho universal; inde-
pendência \u2013 capacidade de tomar decisões próprias relativas às condi-
ções específicas \u2013; autonomia \u2013 domínio no ambiente físico ou social 
com ou sem tecnologia assistiva e/ou tecnologia da informação e co-
municação \u2013; empoderamento \u2013 uso do poder pessoal para escolher, 
decidir e assumir o controle da situação em questão (Sassaki, 1997).
A audiodescrição, como apresentada aqui, é um instrumento de 
acessibilidade comunicacional por se tratar de um tipo de tradução 
audiovisual que permite o acesso às informações visuais. Assim, ao 
estar disponível em programas televisivos, peças de teatro, sessões de 
cinema, aulas presenciais ou a distância, permite que a pessoa com 
deficiência visual possa ter igualdade de oportunidade de acesso às 
informações transmitidas em relação às outras pessoas que estão na-
quele ambiente ou situação. Dessa forma, garante-se o caráter inclu-
sivo de uma sociedade que se preocupa com o seu desenvolvimento 
inclusivo e sustentável (Werneck, 2004; Bieler, 2006; Vivarta, 2003).
O acesso à informação proporcionado pela adoção da audiodes-
crição, como opção de acessibilidade comunicacional em produtos, 
lugares e eventos educativos, culturais ou artísticos, contribui para a 
aquisição de conhecimento por pessoas com deficiência visual. 
No caso de livros didáticos ou paradidáticos, além do uso de 
formatos acessíveis a leitores de tela, os alunos também podem se 
beneficiar de materiais que adotem a audiodescrição como ferra-
menta de acesso às informações visuais contidas em figuras, grá-
ficos e mapas, por exemplo. Mesmo que a professora não tenha na 
sala de aula um computador com leitor de tela para transmitir a au-
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diodescrição contida em livros digitais, se o material impresso vier 
com a descrição das imagens, ela poderá informar o conteúdo aos 
alunos com e sem deficiência visual. 
É interessante observar que mesmo as pessoas sem deficiên-
cia visual podem se beneficiar da audiodescrição, pois ela enfati-
za elementos descritivos que muitas vezes passam despercebidos 
pelo vidente. Na sala de aula, a audiodescrição pode contribuir 
para o aprimoramento do olhar analítico dos estudantes videntes 
em relação às imagens contidas nos materiais didáticos e para o 
aumento do vocabulário e da capacidade descritiva dos alunos. 
Mesmo uma pessoa que não tenha deficiência visual, mas que 
tenha alguma dificuldade em compreender elementos visuais, é be-
neficiada com as informações transmitidas pela audiodescrição. Joan 
Greening (2009), consultora de audiodescrição, afirma que certa vez 
recebeu um e-mail de um rapaz com autismo agradecendo à audio-
descrição, pois ele finalmente tinha compreendido que a expressão 
facial de franzir as sobrancelhas fechando levemente os olhos signi-
ficava que a pessoa estava com raiva. 
A televisão é o meio de comunicação com maior presença nos 
lares brasileiros. Segundo dados do PNAD 2009 \u2013 documento pro-
duzido pelo IBGE2 \u2013, mais de 95% dos domicílios, no Brasil, ti-
nham um aparelho de TV. Sendo assim, a mídia televisiva aparece 
como a principal fonte de informação e entretenimento da popula-
ção e constitui-se como elemento importante na educação informal 
dos telespectadores. 
Em relação às pessoas com deficiência visual, a falta de con-
dições de acesso à linguagem televisiva faz que o rádio ocupe a 
primazia da preferência. A maioria das pessoas com deficiência 
visual adquiriu a deficiência ao longo da vida e, por isso, teve 
que se adaptar a lugares, situações e produtos em sua maioria 
sem acessibilidade.
Segundo entrevistas, quem não nasceu cego vai perdendo o há-
bito de assistir à televisão porque faltam informações para entender 
 2 Ver IBGE (2010).
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o que está acontecendo durante a música. É mais comum pessoas 
com deficiência visual optarem por utilizar o rádio como fonte de 
informação e entretenimento. 
Na sociedade da informação, a internet está potencializando a 
trajetória descrita pela televisão (Belloni, 2008), a qual ganhou, ao 
longo dos anos, status entre as instituições responsáveis pelo processo 
de socialização \u2013 família, escola e Estado.
Vale lembrar que a reação dos espectadores aos conteúdos tele-
visivos, a comparação e a análise que venham a ser feitas a partir das 
experiências vividas no cotidiano dependem da sua personalidade, da 
sua maturidade psíquica e do seu ambiente familiar dos espectadores 
(Bastos, 1988; Magalhães, 2007).
A formação de um espectador com deficiência visual que 
possui acessibilidade comunicacional é muito mais satisfatória e 
completa se ele encontrar \u2013 assim como na sua experiência com 
o computador com programa leitor de tela \u2013 acessibilidade para 
poder usufruir dos conteúdos audiovisuais de forma autônoma.
A audiodescrição contribui exatamente na fruição da programa-
ção televisiva trazendo informações importantes para a percepção e 
compreensão do que está sendo veiculado para a satisfação do espec-
tador com deficiência visual. 
Tendo em vista os poucos anos de vida desse recurso de aces-
sibilidade comunicacional no Brasil e o crescimento paulatino da 
inserção da audiodescrição em programas de TV, filmes, peças de 
teatro e exposições artísticas, ainda está sendo formado, na pes-
soa com deficiência visual, o hábito de receber a audiodescrição 
durante o uso/consumo de produtos e produções informativas, 
culturais e artísticas. 
Sabe-se que quem convive com