BIZELLI, José Luis   Inovação   limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento

BIZELLI, José Luis Inovação limites e possibilidades para aprender na era do conhecimento


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a novidade como objeto do desejo. O modelo da informática é o do 
pragmatismo da tarefa imposta para ser realizada \u2013 planejamento, 
execução, avaliação e correção de rotas \u2013 no qual o conhecimento 
acontece de forma cumulativa e o progresso é um processo contínuo.
A educação se preocupa com a permanência \u2013 valores, moral, 
ética, padrão estético. A comunicação é afeita à mudança contínua, 
provocando fenômenos de curta duração, criando a arte do efêmero, 
a contracultura, o que subverte o status quo, o ponto fora da curva. A 
informática no seu experimentalismo funciona sob a lógica do pro-
grama, espaço onde o programador prevê as possibilidades de uso 
da liberdade, tendo como orientação a inovação como resposta para 
o desenvolvimento da Sociedade da Informação, de forma amoral, 
sem falsos juízos de valor.
A educação busca formar o cidadão, aquele que deverá ocupar o 
seu lugar na hierarquia da ágora, obrigado a expor-se, a comprome-
ter-se e a responsabilizar-se. A comunicação forma o consumidor, 
aquele que deseja viver melhor e vai lutar para sobreviver melhor 
na anarquia da sociedade de consumo, aquele que está preocupado 
com um mercado mais bem orientado aos seus interesses. A infor-
mática cria o profissional que será o artífice da rede, aquele que cria 
e destrói (hackers) a segurança da informação e da vida moderna, 
aquele que, via ferramentas de gestão, vai exercer o controle dos 
meios, a eficiência, a eficácia e a efetividade no atendimento dos fins 
das políticas públicas.
Embora um exercício retórico \u2013 sem a finalidade de esgotar ou 
dar conta da totalidade dos aspectos envolvidos nos diferentes faze-
res das áreas de atuação profissional \u2013 a intenção do pesquisador é 
mostrar o tamanho da dificuldade de pensar em formas exitosas de 
trabalhar, por exemplo, com EaD. Sentar em torno de uma mesa 
com os três tipos de profissionais e sair com um resultado coletivo 
virtuoso é tarefa de cálculo político arriscado. Porém, os resultados 
danosos da falta de diálogo criativo entre esses atores estão postos à 
prova no cotidiano.
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Por isso, ative-me, em boa parte do trabalho, nas experiências 
vividas no contato com a TVDi. A ferramenta instiga pensar sobre 
muitas possibilidades para romper o isolamento de profissionais 
tão diferentes. Não que ela resolva os fatores estruturais apontados, 
mas, do ponto de vista da análise, da implantação e da avaliação de 
políticas é um meio importante de informação e comunicação.
Imaginar que seja factível ter toda as inovações tecnológicas em-
barcadas no aparelho televisivo e disponíveis no controle remoto da 
TVDi, agindo como plataforma de interação entre múltiplos meios \u2013 
entre eles a TV e o computador \u2013, coloca no horizonte, como foi dito, 
um otimismo com relação às soluções criativas que possam provocar 
encontros entre atores das múltiplas formações dentro do ciberespa-
ço educativa. Não se trata de um espaço para educadores ou para es-
colas, mas um espaço educativo para todos ensinarem e aprenderem.
No entanto, quero terminar como comecei nos últimos dois pa-
rágrafos da Introdução: 
A conclusão é clara: o que se impõe é o exercício de uma nova éti-
ca que supere a postura fugaz do consumo individual da vida! Faz-se 
mister, assim, a criação ética da existência humana rumo a um mun-
do multiplataforma que permita a aprendizagem de convivências 
mais justas e pacíficas.
Novamente o dilema de Sísifo se impõe! Talvez, só exista o alen-
to dos ensinamentos do pensamento gramsciano: pessimismo da inte-
ligência, otimismo da vontade, ou seja, aquilo que Cerroni (2012) diz 
ser a formulação de um novo problema relativo à fundação de uma 
ciência política que se identifique com a ciência da sociedade, bem 
como de uma ética da responsabilidade socialmente enraizada.
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