HARVEY, David. O Enigma do Capital
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HARVEY, David. O Enigma do Capital


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O ENIGMA DO CAPITAL
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trônica as páginas em branco que intercalavam os capítulos, índices etc. na versão 
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das páginas. O conteúdo original do livro se mantém integralmente reproduzido.
O ENIGMA DO CAPITAL
e as crises do capitalismo
Tradução
João Alexandre Peschanski
David Harvey
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Copyright © David Harvey, 2010
Copyright desta tradução © Boitempo Editorial, 2011
Tradução do original em inglês The Enigma of Capital: and the Crises of Capitalism 
(Londres, Profile, 2010)
Coordenação editorial 
Ivana Jinkings
Editora-adjunta 
Bibiana Leme
Assistência editorial 
Caio Ribeiro
Tradução
João Alexandre Peschanski
Revisão 
Livia Campos
Diagramação 
Acqua Estúdio Gráfico
Capa
David Amiel
sobre fotos de Ana Yumi Kajiki
Produção 
Ana Lotufo Valverde
CIP\u2011BRASIL. CATALOGAÇÃO\u2011NA\u2011FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
H271e
Harvey, David, 1935\u2011
 O enigma do capital : e as crises do capitalismo / David Harvey ; tradu\u2011
ção de João Alexandre Peschanski. \u2011 São Paulo, SP : Boitempo , 2011. 
 Tradução de: The enigma of capital : and the crises of capitalism
 Apêndice
 Inclui bibliografia e índice
 ISBN 978\u201185\u20117559\u2011184\u20110
 1. Capitalismo. 2. Capitalismo \u2011 Filosofia. I. Título. 
11\u20116593. CDD: 330.122
 CDU: 330.142.1
03.10.11 07.10.11 030281
É vedada, nos termos da lei, a reprodução de qualquer
parte deste livro sem a expressa autorização da editora.
Este livro atende às normas do acordo ortográfico em vigor desde janeiro de 2009.
1ª edição: novembro de 2011
BOITEMPO EDITORIAL
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Tel./fax: (11) 3875\u20117250 / 3872\u20116869
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www.boitempoeditorial.com.br
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Sumário
Preâmbulo .............................................................................................................. 7
1. A crise ................................................................................................................. 9
2. O capital reunido .............................................................................................. 41
3. O capital vai ao trabalho ................................................................................. 55
4. O capital vai ao mercado .................................................................................. 91
5. O capital evolui ................................................................................................. 101
6. A geografia disso tudo ..................................................................................... 117
7. A destruição criativa da terra ......................................................................... 151
8. Que fazer? E quem vai fazê\u2011lo? ......................................................................... 175
Epílogo ................................................................................................................... 211
Apêndices ................................................................................................................ 225
Fontes e leituras complementares ...................................................................... 229
Índice onomástico ................................................................................................. 233
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Preâmbulo
Este livro é sobre o fluxo do capital.
O capital é o sangue que flui através do corpo político de todas as sociedades 
que chamamos de capitalistas, espalhando\u2011se, às vezes como um filete e outras ve\u2011
zes como uma inundação, em cada canto e recanto do mundo habitado. É graças a 
esse fluxo que nós, que vivemos no capitalismo, adquirimos nosso pão de cada dia, 
assim como nossas casas, carros, telefones celulares, camisas, sapatos e todos os ou\u2011
tros bens necessários para garantir nossa vida no dia a dia. A riqueza a partir da qual 
muitos dos serviços que nos apoiam, entretêm, educam, ressuscitam ou purificam 
são fornecidos é criada por meio desses fluxos. Ao tributar esse fluxo os Estados 
aumentam seu poder, sua força militar e sua capacidade de assegurar um padrão 
de vida adequado a seus cidadãos. Se interrompemos, retardamos ou, pior, sus\u2011
pendemos o fluxo, deparamo\u2011nos com uma crise do capitalismo em que o coti\u2011
diano não pode mais continuar no estilo a que estamos acostumados.
Compreender o fluxo do capital, seus caminhos sinuosos e sua estranha lógica 
de comportamento é, portanto, fundamental para entendermos as condições em 
que vivemos. Nos primeiros anos do capitalismo, economistas políticos de todos 
os matizes se esforçaram para entender esses fluxos, e uma apreciação crítica de 
como o capita lismo funciona começou a emergir. Mas nos últimos tempos nos 
afastamos do exer cício desse tipo de compreensão crítica. Em vez disso, construí\u2011
mos modelos matemáticos sofisticados, analisamos dados sem fim, investigamos 
planilhas, dissecamos os detalhes e enterramos qualquer concepção do caráter sis\u2011
têmico do fluxo de capital sob um monte de papéis, relatórios e previsões.
Quando Sua Majestade a rainha Elizabeth II perguntou aos economistas da 
London School of Economics, em novembro de 2008, como não tinham visto a 
atual crise chegar (pergunta que certamente estava em todos os lábios, mas que 
apenas uma monarca feudal poderia tão simplesmente fazer e dela esperar alguma 
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resposta), eles não tinham nenhuma explicação pronta. Em conjunto, sob a égide 
da British Academy, só puderam confessar numa carta coletiva a Sua Majestade, 
após seis meses de estudo, ruminação e consulta minuciosa a importantes políti\u2011
cos, que haviam perdido de vista o que chamavam de \u201criscos sistêmicos\u201d, que, co\u2011
mo todos, haviam se perdido em uma \u201cpolítica de negação\u201d. Mas o que estavam 
negando?
Meu homônimo do início do século XVII William Harvey (assim como eu, 
nascido \u201chomem de Kent\u201d) é em geral considerado a primeira pessoa a mostrar 
correta e sistematicamente como o sangue circula pelo corpo humano. Foi com 
essa base que a pesquisa médica passou a estabelecer como ataques cardíacos e 
outras doenças podem afetar seriamente, se não terminar, a força vital dentro do 
corpo humano. Quando o fluxo de sangue para, o corpo morre. Nos sas compreen\u2011
sões médicas atuais são, naturalmente, muito mais sofisticadas do que Harvey 
poderia ter imaginado. No entanto, nosso conhecimento ainda repousa sobre as 
conclusões sólidas apresentadas por ele pela primeira vez.
Na tentativa de lidar com os graves tremores no coração do corpo político, eco\u2011
nomistas, líderes empresariais e políticos, na ausência de qualquer concepção da 
na tureza sistêmica do fluxo de capital, têm ou ressuscitado antigas práticas ou apli\u2011
cado concepções pós\u2011modernas. Por um lado, as instituições internacionais e am\u2011
bulantes de crédito continuam a sugar, como sanguessugas, a maior quantidade que 
podem do sangue de todos os povos do mundo \u2013 independentemente de quão po\u2011
bres sejam \u2013 por meio dos chamados programas de \u201cajuste estrutural\u201d e toda sorte 
de outros esquemas (como a repentina duplicação das taxas de nossos cartões de 
crédito). Por outro lado, os presidentes dos bancos centrais inundam suas econo\u2011
mias e inflam o corpo global político com excesso de liquidez na esperança de que 
as trans fusões de emergência curem uma doença que exige diagnóstico e interven\u2011
ções muito mais radicais.
Neste livro tento restaurar