ORTIGOZA & CORTEZ. Da produção ao consumo    impactos socioambientais no espaço urbano
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ORTIGOZA & CORTEZ. Da produção ao consumo impactos socioambientais no espaço urbano


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por outro, a difi culdade de comunicar ao consumidor as vantagens 
de adotar padrões e estilos de vida mais efi cientes.
Nesse sentido, é imprescindível o envolvimento e participação 
da população na tomada de decisões quanto ao planejamento ou em 
qualquer iniciativa relacionada às inovações que vão de encontro às 
suas aspirações. As inovações quanto ao uso de bicicletas, utilização 
de transporte público, formas de uso coletivo de automóveis privados 
e outras só serão plenamente aceitas quando o consumidor estiver 
envolvido com as mesmas.
As estratégias e/ou alternativas para atingir o consumo sustentá-
vel devem envolver as comunidades locais, ou seja, as comunidades 
devem expressar os seus pontos de vista sobre as questões de con-
servação e desenvolvimento e ser capazes de apontar atitudes com-
portamentais mais apropriadas para atingir uma melhor qualidade 
ambiental e de vida.
Os consumidores que ao comprarem incluírem considerações 
éticas e ambientais poderão se transformar em poderosos fatores 
de mudança. Porém, eles só podem exercer esse poder se existirem 
condições apropriadas, ou seja, é necessário que haja no mercado 
bens produzidos, distribuídos e comercializados menos prejudiciais 
ao meio ambiente, e que os consumidores possuam informação su-
fi ciente acerca do impacto ambiental de suas ações. É importante, 
portanto, a implementação de estratégias nacionais e setoriais por 
meio de um reexame de políticas, leis e instituições capazes de in-
troduzir determinadas estratégias.
108 SILVIA APARECIDA G. ORTIGOZA \u2022 ANA TEREZA C. CORTEZ
Para assegurar uma transformação social e efi caz do meio am-
biente e do consumo em benefício de todos os habitantes da Terra, 
não se pode esquecer da dialética global\local. Todas as estratégias 
para alcançar o consumo sustentável devem perpassar a dimensão 
espacial, ou seja, o local deve ser entendido não somente como uma 
entidade geográfi ca, mas como o nexo entre o sistema global e o ator 
individual, com capacidade de auto-organização e identidade. Desse 
modo, o local é um nível essencial do entendimento dos problemas 
ambientais advindos do consumo exacerbado.
A Educação Ambiental pode se constituir se levada a sério, numa 
estratégia para alcançar o indivíduo-consumidor. Haja vista que, 
por meio dela, os indivíduos aprendem como funciona o ambiente e 
podem ter uma compreensão crítica (global/local) do mesmo, o que 
permitirá adotar uma posição consciente e participativa a respeito da 
melhoria da qualidade de vida. 
No fundo, o que a E A pretende é:
desenvolver
para adquirir
e encontrar
necessários para lidar com
CONHECIMENTO
COMPREENSÃO
HABILIDADES
MOTIVAÇÃO
SOLUÇÕES
SUSTENTÁVEIS
VALORES
MENTALIDADES
ATITUDES
E A
QUESTÕES/PROBLEMAS
AMBIENTAIS
Figura 3 \u2013 Pretensões da Educação Ambiental.
Fonte: Dias, G. F., 2000.
DA PRODUÇÃO AO CONSUMO 109
Embora seja importante alcançar os objetivos da Educação Am-
biental retratados na fi gura 3, é preciso ressaltar que não se consegue 
resolver todos os problemas por meio dela, porque os confl itos são 
socioeconômicos e políticos.
O consumo sustentável deve ter um objetivo territorializado, e 
as transformações devem ser processadas levando em conta a capa-
cidade e a variação potencial de cada contexto local.
A dimensão local-territorial é de fundamental importância, não 
só para defi nir os problemas, mas também para constituir-se como 
chave essencial de interpretação, para entendê-los e corrigi-los. As 
relações natureza/sociedade/consumo sustentável são, de fato, 
percebidas e estimadas em diferentes meios. Mas toda atribuição 
de signifi cados é particularmente importante em escala local, onde 
territórios, qualidade ambiental e de vida tornam-se balizados por 
uma série de atores locais.
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5
ANÁLISE DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NAS 
METRÓPOLES: O EXEMPLO DE SÃO PAULO 
E LISBOA
 Magda Adelaide Lombardo1
Introdução
A rápida urbanização ocorrida nos últimos cinquenta anos, em 
nível mundial, está associada à vulnerabilidade das cidades às alte-
rações climáticas.2 Entretanto, a urbanização representa o avanço na 
organização territorial, considerando os desempenhos econômico, 
social e ambiental.
O ciclo da globalização vivido mais intensamente desde os anos 
1980 corresponde a uma nova etapa no processo de urbanização. A 
cidade recupera o seu esplendor no contexto de uma nova cultura 
urbana que também se globaliza.
Esse novo modo de vida urbano-capitalista, considerando as re-
lações sociais de produção, gera como produto a distribuição, troca, 
consumo e gestão. Nesse contexto, o espaço urbano representa a 
materialidade das relações sociais de produção e de consumo, produ-
zindo fragmentação na paisagem, degradação ambiental, alterações 
climáticas em micro, meso e macroescala. 
 1 Professora titular do departamento de Planejamento, IGCE/Unesp, Rio Claro.
 2 Este artigo foi elaborado a partir do projeto de pesquisa realizado junto ao Centro 
de Estudos Geográfi cos da Universidade de Lisboa, sob a supervisão da Profa. 
Dra. Maria João Alcoforado.
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Em virtude das ameaças das alterações climáticas para que apon-
tam as investigações mais credíveis, as cidades constituem a mais 
acelerada alteração ambiental, com intensa transformação da pri-
meira natureza. Nesse contexto, a cidade também corresponde a 
um potencial único para a aplicação de medidas mitigadoras dos 
impactos indesejáveis dessas alterações.
Do mesmo modo que a cidade tem respondido a mudanças glo-
bais na esfera do humano (envelhecimento), do social