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CONDIÇÃO JURÍDICA DO ESTRANGEIRO

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CONDIÇÃO JURÍDICA DO ESTRANGEIRO
Devido a noção de universalidade dos direitos humanos, há uma forte tendência em uniformizar o tratamento de estrangeiros com o de nacionais.
O Brasil vem adotando esse entendimento, inclusive já consagrado no artigo 5º, caput, da Constituição da República, que determina que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, á liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. 
As principais normas brasileiras referentes a condição jurídica do estrangeiro no Brasil constam da Constituição da República e do Estatuto do Estrangeiro lei 6.815/80).
A entrada e permanência de estrangeiros aqui no Brasil é feita mediante certo controle.
Em geral, a entrada e a permanência de um estrangeiro em outro país estão condicionadas à posse de um documento de viagem válido, expedido pelo Estado de origem, e de uma autorização emitida pelas autoridades do Estado que o recebe.
O documento de viagem por excelência é o passaporte válido, normalmente emitido pelo Estado do qual o indivíduo é nacional.
O passaporte é propriedade do Estado, estando apenas na posse da pessoa.
Outro documento de viagem é o laissez-passer, emitido pelo Estado que recebe o estrangeiro em circunstâncias excepcionais.
Por fim, o documento de identidade pode servir como documento de viagem, dependendo da existência de tratados que regulem a matéria e que poderão limitar seu emprego a determinados tipos de viagem.
O VISTO é um documento emitido pelo Estado ao qual pretende se dirigir o estrangeiro que confere a este a expectativa de direito de admissão no território daquele.
A concessão do visto é ato discricionário das autoridades do Estado de destino do estrangeiro, observados também os requisitos legais estabelecidos em sua legislação interna e/ou tratados concernentes, bem como o interesse público. 
As espécies de visto concedidas pelo Brasil encontram-se listadas no estatuto do estrangeiro, sendo eles:
Visto de trânsito: conferido a estrangeiros que, para chegar a outro país, tenham que passar pelo Brasil, sendo válido por até dez dias, improrrogáveis, e para uma só entrada.
Visto de turista: concedido para viagens recreativas ou de visita, válido por cinco anos, com múltiplas entradas, com permanência não superior a 90 dias, prorrogáveis por igual período, permitindo estada total de 180 dias por ano.
Visto temporário: concedido para viagem cultural ou em missão de estudos; em viagem e negócios, na condição de artista ou desportista, por até 90 dias; na condição de estudante, por até um ano, prorrogável; na condição de cientista ou técnico, sob o regime de contrato ou a serviço do Governo brasileiro, pelo tempo de duração do serviço; na condição de correspondente de jornal, pelo tempo do contrato; na condição de ministro religioso, por até um ano, prorrogável. 
Visto oficial: concedido a autoridades de outros Estados.
Visto diplomático: conferido aos agentes diplomáticos, consulares e suas famílias.
Visto de cortesia: visa a atender os casos omissos.
Não se exigirá visto de saída do estrangeiro no Brasil.
O visto pode ser dispensado em viagens de turismo, dependendo do Estado de origem do viajante.
O estrangeiro pode ser impedido de entrar ou de continuar em território estrangeiro, caso sua documentação não esteja em conformidade com a legislação cabível.
DEPORTAÇÃO
É o ato pelo qual o Estado retira compulsoriamente de seu território um estrangeiro que ali entrou ou permanece de forma irregular.
Tal irregularidade consiste no descumprimento dos requisitos exigidos para a entrada e a permanência do estrangeiro.
A deportação é de competência do Departamento de Polícia Federal.
A responsabilidade pela deportação, em geral, é da empresa transportadora, mas pode ser à custa do Estado deportante.
EXPULSÃO
É o ato pelo qual o Estado retira do território nacional o estrangeiro considerado nocivo ou inconveniente aos interesses nacionais.
Além da nocividade e inconveniência, o Estatuto ainda prevê hipóteses específicas de expulsão: prática de fraude para obter entrada ou permanência no Brasil; não recomendação da deportação do ilegal; prática de vadiagem ou mendicância; e o desrespeito de proibição especialmente prevista para o estrangeiro.
Todas as hipóteses deverão ser apuradas em processo administrativo, levado a cabo dentro do Ministério da Justiça, mas, nos casos de lesão ou ameaça de lesão a direito, pode o Poder Judiciário intervir.
Da decisão de expulsão cabe, na via administrativa, pedido de reconsideração, no prazo de dez dias.
A expulsão é materializada através de decreto e sua revogação deve ser feita também mediante decreto.
O expulso só poderá retornar se o decreto for revogado e seu retorno sem essa condição, configura crime previsto no artigo 338 do Código Penal.
Atualmente não é permitida a expulsão de nacionais, conhecida como banimento.
Não é permitida a expulsão quando configurar extradição inadmitida pela lei brasileira.
Não permitida a expulsão de refugiado.
Não é permitida a expulsão de estrangeiro casado há mais de cinco anos com cônjuge brasileiro ou com filho brasileiro sob sua guarda e dependência econômica.
EXTRADIÇÃO
É o ato pelo qual um Estado entrega a outro Estado um indivíduo acusado de ter violado as leis penais deste outro ente estatal, ou que tenha sido condenado por descumpri-las, para que neste seja submetido a julgamento ou cumpra a pena que lhe foi aplicada, respondendo, assim, pelo ilícito que praticou.
A extradição deverá ser objeto de pedido do ente estatal interessado em punir determinado indivíduo. Entretanto, o Estado ao qual é solicita da extradição só deverá atender o pleito se este se enquadrar nos requisitos consagrados nas normas pertinentes.
A extradição visa evitar que um indivíduo em conflito com a lei escape de responder pelos atos cometidos por se refugiar no território de outro Estado.
A extradição é aplicável apenas a ilícitos penais de certa gravidade.
A legitimidade para pedir a extradição define-se não pelo local onde foi cometido o ato, mas pelo ordenamento que foi violado.
É possível tanto na fase processual, como após a condenação.
A extradição é ativa quando o Estado pede, ou passiva quando é solicitado a conceder a extradição.
Requer pedido, não é ato de ofício, como a deportação e a expulsão.
A extradição deve fundamentar-se, inicialmente, na existência de tratado entre o Estado solicitante e o solicitado.
Não havendo tratado, o Estado que solicita pode ainda apresentar ao Estado solicitado a chamada “promessa de reciprocidade”, pela qual se compromete a examinar eventual pedido de extradição futuro que lhe for apresentado por este.
Em síntese, é inviável o exame ou de promessa de reciprocidade, o que também implica indeferimento sumário da demanda de extradição apresentada.
De acordo com o princípio da identidade, o ato delituoso em que se baseia o pedido extraditório deve ser considerado ilícito no Estado solicitante ou no solicitado. Também é utilizado no que tange às penas.
O Brasil não concederá extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião (CR, art. 5º, LII).
Essa vedação se deve ao fato de ser imprecisa a definição de crime político, contrariando a necessidade de que crimes devem ser definidos com a maior clareza e precisão possíveis.
A regra geral no mundo é a de que o nacional não pode ser extraditado.
No Brasil a Carta Magna em seu artigo 5º, LI, veda expressamente tal ato, permitindo em casos específicos, a extradição de naturalizados.
A indicação do extraditando de que teria um filho brasileiro não é óbice ao deferimento da extradição.
A competência para a concessão de extradição no Brasil permeia entre o Executivo e o Judiciário.
Cabe ao STF analisar a legalidade do pedido de extradição, sem a análise do mérito.
Há uma grande divergência doutrinária acerca dessa análise, tendo em vista que parte da doutrina defende que a decisão do

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