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ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS
FONTE: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/noveanorienger.pdf>. 
Acesso em:
A figura acima nos indica uma organização que atualmente deve ser planejada em seu 
conjunto, ou seja, projetando essa prática para o trabalho do professor, em que “esta é uma 
oportunidade preciosa para uma nova práxis dos educadores, sendo primordial que ela aborde 
os saberes e seus tempos, bem como os métodos de trabalho, na perspectiva das reflexões 
antes tecidas”. (BRASIL, 2004, p. 18)
Assim, temos que dar continuidade na definição e redefinição das práticas e das ações, 
que devem ser realizadas com a mesma rapidez e complexidade com que ocorre o processo 
de transformação, não só no Brasil, mas em escala mundial. 
Com o intuito de transformar a realidade educacional, o documento defende que “faz-se 
necessária uma proposta educacional que tenha em vista a qualidade da formação a ser oferecida 
a todos os estudantes”. (BRASIL, 1997a, p. 27).
A intenção dos PCN é que o professor tenha um auxílio em sua ação de reflexão sobre o 
cotidiano da prática pedagógica, que continuamente esse cotidiano transforma-se e exige novas 
competências docentes. Nesse sentido, com esse documento se prevê que seja possível:
- rever objetivos, conteúdos, formas de encaminhamento das atividades, expec-
tativas de aprendizagem e maneiras de avaliar;
- refletir sobre a prática pedagógica, tendo em vista uma coerência com os 
objetivos propostos;
- preparar um planejamento que possa de fato orientar o trabalho em sala de aula;
- discutir com a equipe de trabalho as razões que levam os alunos a terem maior 
ou menor participação nas atividades escolares;
- identificar, produzir ou solicitar novos materiais que possibilitem contextos mais 
significativos de aprendizagem;
- subsidiar as discussões de temas educacionais com os pais e responsáveis.
(BRASIL, 1997a, p. 12)
A proposta apresentada pelos PCN não tem uma concepção rígida de currículo; é flexível, 
com o objetivo de considerar a diversidade brasileira e respeitando a autonomia do professor e 
equipe pedagógica.
Acadêmico, apresentamos aqui uma imagem disponibilizada em outro documento 
importante do MEC, “Ensino Fundamental de Nove anos”, que contribui para percebermos a 
organização desse nível de ensino:
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A importância que adquirem, nessa nova realidade mundial, a ciência e inova-
ção tecnológica tem levado os estudiosos a denominar a sociedade atual de 
sociedade do conhecimento, sociedade técnico-informacional ou sociedade 
tecnológica, o que significa que o conhecimento, o saber e a ciência assumem 
papel muito mais destacado do que anteriormente. Na atualidade, as pessoas 
aprendem na fábrica, na televisão, na rua, nos centros de informação, nos 
vídeos, no computador, e cada vez se ampliam os espaços de aprendizagem. 
(LIBÂNEO, 2012, p. 62-64, grifos do autor)
A instituição escolar, portanto, já não é considerada o único meio ou o meio mais 
eficiente e ágil de socialização dos conhecimentos técnico-científicos e de desenvolvimento 
de habilidades cognitivas e competências sociais requeridas para a vida prática.
A tensão em que a escola se encontra não significa, no entanto, seu fim como instituição 
socioeducativa ou o início de um processo de desescolarização da sociedade. Indica, antes, 
o início de um processo de reestruturação dos sistemas educativos e da instituição tal como a 
conhecemos. A escola hoje precisa não apenas conviver com outras modalidades de educação 
não formal, informal e profissional, mas também, articular-se e integrar-se a elas, a fim de 
formar cidadãos mais preparados e qualificados para um novo tempo. Para isso, o ensino 
escolar deve contribuir para:
a) Formar indivíduos capazes de pensar e aprender permanentemente (capacitação 
permanente) em um contexto de avanço das tecnologias de produção e de modificação da 
organização do trabalho, das relações contratuais capital/trabalho e dos tipos de empregos.
b) Prover formação global que constitua um patamar para atender à necessidade de 
maior e melhor qualificação profissional, de preparação tecnológica e de desenvolvimento de 
atitudes e disposições para a vida numa sociedade técnico-informacional.
c) Formar cidadãos éticos e solidários.
Assim, pensar o papel da escola nos dias atuais sugere levar em conta questões 
relevantes. A primeira e, talvez, a mais importante é que as transformações mencionadas 
representam uma reavaliação que o sistema capitalista faz de seus objetivos.
No entanto, quando o autor Libâneo (2012) faz o alerta de que o ensino escolar deve 
contribuir para formar indivíduos capazes de pensar e aprender permanentemente dentro do 
contexto tecnológico e das relações capital/trabalho, poderia, aí, ser acrescentado o termo 
“harmonização das relações trabalhistas”. 
O que quer dizer que a educação pode e deve ter uma relação próxima e significativa 
com o capitalismo, uma vez que o desenvolvimento educacional deixou de ser estável, isto 
é, com hora e local predeterminado. Hoje, a informação e o conhecimento não têm fronteira, 
eles estão em toda parte, principalmente nas organizações produtoras de bens e serviços. 
Ainda segundo o autor, “a escola deixou de ser o único meio de socialização do conhecimento”, 
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seguindo a mesma linha de raciocínio com relação ao capital/trabalho. Liedke (2002, p. 345-
346) afirma que: 
No limiar do século 21, os avanços da tecnologia microeletrônica e da racio-
nalização das técnicas organizacionais do processo de trabalho, orientados 
por conceitos como produção flexível, produção enxuta e especialização fle-
xível, em um contexto de competição capitalista global, colocam em xeque a 
centralidade do trabalho. Decorridos três séculos de predomínio da sociedade 
industrial, o trabalho passa a assumir um conteúdo crescentemente intelectual, 
em contraposição ao conceito de trabalho físico, manual. Aumenta a impor-
tância da informação, do trabalho imaterial, em contraposição ao conceito 
convencional de trabalho, centrado na ideia de transformação da natureza. 
Para alguns estudiosos, teria chegado o momento, na história da humanidade, 
de separarem-se, novamente, os conceitos de trabalho, emprego e identi-
dade social e individual. Outras formas de socialização, de construção das 
identidades sociais e individuais deverão voltar-se para atividades de cunho 
comunitário, como escolas, clínicas, clubes de bairro, manutenção de infraes-
trutura nas cidades, envolvendo várias formas de trabalho voluntário (KUMAR, 
1985: CACCIAMALI, 1996). Estudos recentes apontam para a importância de 
políticas voltadas ao estímulo das atividades intensivas em mão de obra, ao 
mesmo tempo em que defendem a necessidade de diminuição da jornada de 
trabalho semanal (MATTOSO, 1996; ANTUNES, 1996). Mais do que simples 
especulação, os desafios são amplos e incertas as alternativas. Porém, pare-
ce certo que as formas precárias de ocupação da força de trabalho (trabalho 
temporário, desregulamentação do trabalho, rebaixamento dos salários) estão 
longe do conceito aristotélico de trabalho humano como obra criativa, livre da 
esfera da necessidade.
No entanto, a Revolução Tecnológica vai além do fenômeno relacionado com a dinâmica 
da informação e comunicação, pois ela é também o objeto de dinamização dos saberes, 
conceitos e dos valores individuais e sociais. Sendo assim, essas tecnologias têm se mostrado 
eficientes e flexíveis em todos os aspectos da vida cotidiana, seja no âmbito das relações sociais, 
econômicas e educacionais, principalmente por oferecerem uma gama de alternativas

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