Aula ITR 4 - Dir. Agrario
2 pág.

Aula ITR 4 - Dir. Agrario


DisciplinaDireito Agrário606 materiais2.702 seguidores
Pré-visualização2 páginas
a R$ 50,00, sendo corrigidas pela taxa referencial do Sistema de Liquidação e de Custódia (SELIC), acrescidos de juros de 1% ao mês.

Administração do ITR

Com a Lei nº 11.250/05, que regulamentou o inciso III do § 4º do art. 153 da CF, alterado pela EC nº 42/03, possibilitou que a Secretaria da Receita Federal, através de convênio, pudesse delegar as atribuições de fiscalização, lançamento e cobrança do ITR ao Distrito Federal e aos Municípios, continuando o órgão federal, no entanto, com a competência supletiva.

Assim é que através da Instrução Normativa SRF nº 643, de 12/04/06, a Secretaria da Receita Federal dispôs sobre o convênio a firmado com o Distrito Federal e os Municípios para a delegação das atribuições, inclusive a de lançamento de créditos tributários, e de cobrança do ITR, inclusive, apresentando modelo de convênio a ser firmado entre as partes.

Imunidades do ITR

A CF no seu art. 153, § 4º, estabelece que o ITR não incidirá sobre pequenas glebas rurais quando o proprietário as explore, só ou com sua família, e desde que não possua outro imóvel quer seja ele rural ou urbano.

A Lei nº 9.393/96, regulamentando este dispositivo, no seu art. 2º, disse que são consideradas pequenas glebas os imóveis de área igual ou inferior ao rol ali estabelecidos.

Também na condição de imune do ITR estão as propriedades imobiliárias pertencentes aos Estados, Distrito Federal, aos Municípios, aos partidos políticos, às entidades sindicais dos trabalhadores, as instituições de educação e assistência social, nos termos do art. 150, inciso VI, CF.

Isenções do ITR

A lei, no seu art. 3º, enumera os casos de isenções do ITR.

Outro caso de isenção do ITR fixado pela lei está quando o conjunto de imóveis rurais de um mesmo proprietário, cuja área total observe os limites regionais acima especificados, desde que, cumulativamente, seja explorado só ou com sua família, admitida ajuda eventual de terceiro e ainda que não possua imóvel urbano.

Execução fiscal

A execução fiscal é a forma judicial para a cobrança do ITR.
Conforme dispõe a Lei nº 11.250/05, mesmo havendo convênio expresso, não é o ente público Distrito Federal ou Município legitimado para a cobrança judicial. Apenas para a cobrança administrativa, no qual se incluiu o processo administrativo tributário.

Neste sentido, o art. 14 da IN SRF nº 643/06 é claro quando afirma que após a cobrança, se não houver a confirmação do pagamento por parte do sujeito passivo, a SRF encaminhará o débito à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa Da União.

Com força de liquidez e certeza, o débito constituído através da certidão de dívida ativa impõe a constrição judicial através da penhora. Uma vez, não incidindo a constrição judicial da penhora ou do arresto sobre dinheiro, deverá ela necessariamente incidir sobre o imóvel rural do devedor e, no caso de avaliação, esse valor será declarado pelo contribuinte.

É explicável a razão legal pela necessidade do Governo Federal de abrir mais um caminho para a obtenção de terras para a reforma agrária, pois o imóvel rural do devedor preferencialmente penhorado poderá ser adjudicado pela União diretamente em nome do INCRA. E em havendo saldo em favor do devedor, este será transformado em TDAs e assim depositado.

Defesa do contribuinte do ITR

Há duas formas de defesa ao contribuinte da pretensão de cobrança do ITR.

A primeira delas é a administrativa, e se oportuniza após a notificação de que a apuração do ITR por ele efetuada e conseqüente autolançamento foi glosada ou inaceita pela Secretaria da Receita Federal ou pelo órgão arrecadador do Distrito Federal ou do Município, quando houver delegação de lançamento e cobrança (Lei 11.250/05). É o chamado processo de reclamação do contribuinte, onde é necessário o contraditório, ampla defesa e a possibilidade de recurso, em respeito ao art. 5º, inciso LV, da CF.

A segunda forma de defesa é a judicial, e se opera através dos embargos a execução fiscal, onde o devedor pode discutir amplamente qualquer questão referente ao imposto, como, por exemplo, equívoco da Receita Federal ou do órgão do Distrito Federal e do Município, quando houver delegação, no apanhamento dos elementos da base de cálculo do tributo, a aplicação de alíquota errada, o lançamento de ofício defeituoso, ausência de notificação, erros na certidão da dívida ativa, e assim por adiante.

Poderão constituir ainda elementos de defesa a argüição da decadência e da prescrição, ambas em prazos estanques e de 5 anos.\ufffd

Efeitos colaterais do ITR

O legislador procurou atribuir outros efeitos ao ITR, buscando com isso abranger com maior eficácia sua execução.

O primeiro dos efeitos é também fiscal, porém ligado diretamente ao imposto de renda. Assim, no caso de custo de aquisição e valor de venda de imóvel rural, é o VTN o parâmetro para efeito de apuração do ganho de capital.

Outro efeito é que na concessão de incentivos fiscais e de crédito rural, em qualquer das modalidades, fica elas condicionadas à comprovação do recolhimento do ITR dos últimos 5 anos, ressalvados os casos em que a exigibilidade do imposto esteja suspensa ou em curso processo de execução fiscal. Ficam fora dessa exigência os empréstimos do PRONAF \u2013 Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.

O terceiro efeito previsto pelo legislados é de cunho registral. Portanto, somente com a comprovação do pagamento do ITR dos últimos cinco anos podem ser efetuados atos registrais previstos na Lei dos Registros Públicos que digam respeito ao imóvel rural. A lei atribui responsabilidade solidária pelo imposto e seus acréscimos aos serventuários do registro de imóveis que descumprirem essa determinação.

Por último no caso do imóvel rural ser desapropriado, o valor da terra nua previsto no art. 184 da CF e na LC 76/93, não poderá ser superior ao VTN declarado pelo contribuinte para efeito de apuração do ITR.

Fontes: http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/itr/2011/ManualdePreenchimentoDITR2011.pdf

BARROS, Wellington Pacheco. CURSO DE DIREITO AGRÁRIO, Vol. 1, 6ª Ed., Livraria do Advogado, 2009.

\ufffd Decadência: se o contribuinte não lançar o ITR no prazo estabelecido, caberá a Receita Federal ou os agentes delegados a fazer, em caso de inércia por parte destes, o silêncio flui em benefício do devedor a partir da inércia do fisco. Prescrição: ocorre quando sendo lançado o imposto pelo contribuinte, não é pago o valor devido e não lhe é cobrado judicialmente. Ambos no prazo de cinco anos.

\ufffd PAGE \* MERGEFORMAT \ufffd7\ufffd