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RESUMO DIREITO ADMINISTRATIVO 1

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etc. Não aplicáveis aos atos enunciativos (atestar, certificar fato ou opinião sobre dado assunto).
Autoexecutoriedade: Atributo que faz com que alguns atos administrativos possam ser executados sem autorização judicial prévia, utilizando inclusive a força se necessária para desconstituir uma ilegalidade. Poder de compelir física e diretamente o administrado à execução de atos administrativos ou dispositivos legais sem o consentimento do judiciário, como por exemplo, remoção de veículos irregulares, fechamento de restaurante irregular, apreensão de mercadoria contrabandeada. Se diferente da exigibilidade, pois aquela é uma coerção indireta que induz o administrado à obediência, enquanto essa é uma coerção direta que impõe à obediência. Suscetível de controle judicial posterior. A autoexecutoriedade deve observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade.
Obs.; devido ao seu caráter coercitivo direto, com uso de força, apenas alguns atos administrativos gozam de autoexecutoriedade. Os que possuem a autoexecutoriedade prevista em lei (fechamento restaurante vigilância sanitária) e os executados em situações emergenciais (dispersão de manifestação violenta).
Tipicidade: O ato administrativo deve ser utilizado para o fim que foi criado. Existe um ato administrativo para cada finalidade que a administração pública deseja alcançar. Já que todo ato administrativo tem presunção de legitimidade e obriga o administrado criando deveres para os mesmos, deve se haver um controle de legalidade desses atos, não permitindo que sejam utilizados sem definição expressa e específica em lei anterior. 
Planos de existência, validade e eficácia dos Atos Administrativos:
Existência/Perfeição: Ato administrativo existe e é perfeito quando cumpriu seu ciclo jurídico de formação, ou seja, quando está revestido dos elementos (conteúdo e forma) e pressupostos (objeto e referibilidade à função administrativa) necessários para ser considerado ato administrativo.
Validade: Ato administrativo válido é aquele que atende os requisitos previstos no ordenamento jurídico. A validade pressupõe a existência do ato, portanto só se pode falar em ato válido ou inválido após o ciclo de formação perfeito. 
Eficácia: Ato administrativo eficaz é aquele apto a produzir seus efeitos, sem nenhuma causa que impede seus efeitos. 
Requisitos dos Atos administrativos:
Para serem válidos os atos administrativos devem possuir os seguintes requisitos:
Competência: Para que o ato seja válido deve ter sido praticado por agente competente definido por lei. Requisito vinculado. 
Objeto: Todo ato dever ter um objeto, ou seja, um conteúdo, uma ordem ou um resultado prático pretendido ao ser expedido. Requisito discricionário.
Forma: Os atos administrativos devem ter forma prescrita ou não proibida por lei. Geralmente são escritos.
Motivo: Situação fática e o fundamento jurídico que autorizam a prática do ato. Ex.: infração de trânsito motiva a multa. Requisito discricionário.
Finalidade: Todo ato deve ser praticado objetivando o interesse público para o qual foi criado. Interesse público pretendido com a prática do ato. A prática do ato objetivando qualquer interesse alheio ao público está viciado por desvio de finalidade.
 Classificação dos atos administrativos
Atos vinculados: São aqueles que não há margem alguma de liberdade, pois a lei define antes todos os aspectos da conduta. Ex.; Aposentadoria compulsória aos 75 anos.
Obs.: Atos vinculados não possuem mérito (juízo de conveniência e oportunidade) e por isso não podem ser revogados. Mas podem ser anulados por vícios de legalidade.
Atos discricionários: São aqueles que dão certa liberdade ao agente, diante do caso concreto, para escolher qual melhor forma de atingir o interesse público. Ex.: Decretos, autorizações, licenças.
Possui mérito, juízo de conveniência e oportunidade no objeto e motivo. Por isso, podem ser anulados por ilegalidade ou revogados por interesse público. Sujeito a amplo controle de legalidade do ato. O mérito não se sujeita a controle judicial.
Extinção de atos administrativos:
Revogação: É a extinção do ato perfeito e eficaz. A revogação é ato discricionário feito por juízo de conveniência e oportunidade visando o interesse público. O ato administrativo só pode ser revogado por ato da autoridade que o criou. Somente a administração pública é competente para revogar seus atos. Devem-se respeitar os direitos adquiridos. Cabível apenas em atos discricionários.
Anulação/Invalidação: É a extinção de um ato ilegal, determinada pela Administração Pública ou pelo Judiciário. Possui eficácia retroativa ex tunc. Decisão vinculada. Cabível em atos vinculados e discricionários desde que sejam ilegais.
Uso e abuso do poder administrativo
Poder administrativo:
A administração pública para cumprir suas competências constitucionais em defesa do interesse público recebe poderes especiais. Esses poderes são instrumentais para a defesa do interesse público, por isso são chamados de poder-dever, pois para cada prerrogativa concedida existe uma obrigação equivalente.
Poder vinculado: A lei ao atribuir determinado poder a administração pública, não dá margem de liberdade ao agente, pois define todos os aspectos das condutas a serem adotadas. O agente público é um simples executor da vontade legal. Ex.: Lançamento tributário, art. 3º CTN.
Poder discricionário: A lei ao atribuir determinada competência a administração pública, da determinada liberdade para o agente em algum aspecto do ato, para que no caso concreto possa avaliar a melhor solução para alcançar o interesse público. A lei não define uma única conduta padrão. Ex.: decreto expropriatório. 
Reza a doutrina majoritária que a discricionariedade do ato incide apenas sobre o objeto e o motivo, pois a competência, a forma e a finalidade serão sempre vinculadas à lei.
Abuso de poder:
O gênero abuso de poder comporta duas espécies: desvio de poder e excesso de poder.
No desvio de poder (desvio de finalidade) o agente competente executa o ato com interesse alheio ao interesse público.
Teoria subjetiva do desvio de poder: basta à intenção viciada do agente público ao praticar o ato para que ele seja considerado nulo. O interesse público nunca será atingido se realizado por motivo ilegal. Ex.: prefeito desapropria terreno de inimigo político. Desvio de finalidade mesmo que o terreno se mostre o mais adequado.
Teoria objetiva do desvio de poder: não basta a intenção viciada, mas também a violação concreta do interesse público. Ex.: prefeito desapropria terreno de inimigo político para construção de creche. Terreno é a melhor opção para a creche. Não há desvio de finalidade.
No excesso de poder o agente competente ultrapassa os limites da sua competência, exorbitando o uso de suas atribuições. Desproporcionalidade entre o fato e a conduta praticada pelo agente.

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