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Guia de Bolso de Procedimentos de Enfermagem

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NORMA DE POSICIONAMENTOS 
 
DEFINIÇÃO 
Posicionamentos são posturas em que se coloca o doente, quando este 
não tem capacidade para mudar de decúbito sozinho e/ou quando a sua 
situação clínica não o permite. É um conjunto de acções que visam 
promover o conforto, prevenir posições viciosas e lesões cutâneas. 
 
OBJECTIVOS 
• Promover conforto; 
• Prevenir posições viciosas; 
• Prevenir lesões cutâneas. 
 
INFORMAÇÕES GERAIS 
• Esta é uma técnica executada pelo enfermeiro, sendo que o horário 
é de acordo com a situação clínica do doente e com o programa 
estabelecido. 
• Recomenda-se posicionamentos de 2 em 2 horas, avaliando a 
tolerância e sensibilidade cutânea do doente, sendo necessário 
vigiar regularmente as zonas de apoio, de modo a evitar o 
aparecimento de rubor persistente. 
• Pode ser necessário diminuir o tempo de permanência nalgumas 
posições e aumentar outras, de acordo com as actividades 
programadas ao longo do dia. 
• Os períodos de permanência devem ser alargados, se possível, no 
período nocturno e encurtados no período diurno. 
• O risco de aparecimento de complicações da imobilidade, varia de 
doente para doente, e depende essencialmente do tempo de 
permanência do leito e do grau de actividade do doente, quando 
acamado. 
 
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• Os principais factores de risco, para o aparecimento de 
complicações da imobilidade são: 
• Idade> a 65 anos; 
• Alterações do estado de consciência; 
• Alterações da sensibilidade; 
• Desnutrição; 
• Obesidade; 
• Hábitos tabagicos e/ou alcoólicos; 
• Patologia respiratória antecedente; 
• Alterações hemodinamica. 
• A alternância de decúbitos é o meio, por excelência, de prevenção 
de úlceras de pressão ao doente acamado. 
• Em qualquer posicionamento o doente deve ficar com o corpo 
centrado e com a coluna alinhada e sobretudo confortável. 
Considera-se os seguintes posicionamentos: 
• DD – decúbito dorsal; 
• DL – decúbito lateral esquerdo e direito; 
• DSD – decúbito semi dorsal esquerdo e direito; 
• DV – decúbito ventral; 
• DSV – decúbito semi ventral esquerdo e direito. 
• Deve-se colocar um resguardo, ao fazer a cama, de modo a facilitar 
as deslocações do doente. 
• As mudanças de posições devem obedecer a um plano regular: 
� DD – DLD – DSDD – DLE – DSDE 
• Os doentes hemiplégicos, quando posicionados em decúbito lateral, 
devem ser colocados sobre o lado comprometido, quando as 
condições pulmonares, cardíacas e esqueléticas o permitam. 
• Nos decúbitos ventral e semi-ventral mantém-se a extensão 
completa da anca e alivia-se a pressão sobre as proeminências 
ósseas posteriores. Estes decúbitos são benéficos no tratamento de 
lesões nas regiões dorsal, nadegueira, occipital e calcanhares. 
 
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• Devem usar-se materiais de prevenção de úlceras de pressão, tais 
como colchão pressão alterna, protecção calcanhar ou cotovelo, 
entre outros, tendo sempre em conta que nenhum destes materiais é 
eficaz se o doente não for mudado de posição regularmente. 
• É essencial manter boas condições de higiene, do doente e da 
roupa da cama, bem como uma nutrição e hidratação adequadas. 
• As substâncias que mantém a pele hidratada e com um bom grau de 
elasticidade são benéficas e devem ser usadas em massagem, 
principalmente nas zonas de proeminência óssea. 
• Quando surge uma zona de rubor, esta não deve ser massajada de 
forma intempestiva, pois já existe lesão dos tecidos. Deve massajar-
se à volta, de modo a fazer uma melhor irrigação da zona, sem a 
pressionar. 
• Os calcanhares são uma das zonas mais susceptíveis de formação 
de úlcera de pressão. Está correcto o uso de protectores de 
calcanhar desde que sejam facilmente removíveis para permitir a 
massagem e a visualização de controlo. 
• As almofadas em forma de coroa circular estão aconselhadas em 
casos de cirurgia ao períneo ou hemorróidas, não sendo 
aconselhadas na prevenção de úlceras de pressão. 
 
MATERIAL 
• Almofadas de textura moldável e de tamanhos adequados ao 
posicionamento pretendido. 
• Rolo para manter a curvatura popliteia. 
• Rolo para manter calcanhares elevados. 
• Rolo para as mãos. 
• Suporte de pés. 
• Material de prevenção de úlceras de pressão. 
 
 
 
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INTERVENÇÕES ENFERMAGEM 
• Decúbito Dorsal 
o É o decúbito mais utilizado em UCI, e muitas vezes o que 
o doente prefere. 
o É de todos os decúbitos, aquele que apresenta maior 
risco, porque se exerce uma grande pressão na região 
sacro-coccígea, calcanhares e região occipital. 
o Membros inferiores: 
� Posição neutra 
� Joelhos e anca em extensão mantendo 
curvatura popliteia 
� Apoio total da superfície plantar (suporte de 
pés), para prevenir pé equino 
� Calcanhares sem apoio na superfície da cama 
o Membros superiores: 
� Devem ser posicionados dentro da amplitude 
de mobilização indolor ou não resistível 
• Posição 1 
o Ombro abduzido a 90º e 
com ligeira rotação 
interna 
o Cotovelo a 90º 
o Antebraço parcialmente 
pronado 
• Posição 2 
o Ombro abduzido a 
menos de 90º (grau 
compatível com 
conforto) 
o Cotovelo a 90º 
o Antebraço pronado 
 
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• Posição 3 
o Ombro em ligeira 
abdução 
o Cotovelo em extensão 
o Antebraço supinado 
 
� Punho e mão 
• Punho em extensão 
• Flexão parcial das articulações 
falangianas e 
metacarpofalangianas 
• Abdução do polegar em oponência 
com ligeira flexão na articulação 
interfalangiana (rolo de mão) 
 
• Decúbito Lateral 
o É normalmente bem tolerado, mas o doente pode referir 
desconforto, sobretudo a nível do ombro, do lado do 
decúbito. 
o Não utilizar em doentes ventilados, porque diminui a 
capacidade ventilatória. 
� Membros inferiores 
• Flexão da anca e joelho do membro 
inferior contrario do decúbito, sem 
contacto com o MI do lado do 
decúbito (almofada) 
� Membros superiores 
• Rotação externa e extensão parcial 
do MS do lado do decúbito 
• Abdução do ombro do lado do 
decúbito 
 
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• Flexão do MS do lado contrario ao 
decúbito, sem contacto com o tórax 
o Vigiar zonas de maior risco: 
� Maléolos 
� Trocanter 
� Lóbulo da orelha 
 
• Decúbito Semi Dorsal 
o É ideal para prevenção de úlceras de pressão, por manter 
livres de apoio, as principais áreas de proeminência 
óssea. 
o Vigiar as zonas de maior risco: 
� Maléolos 
� Lóbulo da orelha 
 
• Decúbito Ventral e Semi Ventral 
o Destinam-se sobretudo a aliviar a pressão nas zonas 
sacro-coccígea, occipital e calcanhares. 
� Membros inferiores 
• Anca e joelho em extensão 
• Pés com ligeira elevação (rolo sob 
a parte anterior do tornozelo) 
� Membros superiores 
• Ligeira abdução 
• Extensão do cotovelo 
• Extensão e supinação do punho 
• Flexão dos dedos (rolo de mão) 
o Vigiar as zonas de maior risco na posição ventral: 
� Lóbulo da orelha 
� Grelha costal 
� Região esternal 
 
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� Cristas ilíacas 
� Dorso do pé 
o Vigiar as zonas de maior risco na posição semi-ventral: 
� Lóbulo da orelha 
� Ombro 
� Crista ilíaca 
� Maléolos 
 
 
REGISTOS 
• Procedimento (data e hora) 
• Programa de posicionamentos 
• Reacções do doente 
• Características das zonas de isco 
• Complicações 
 
 
NOTAS: 
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