Legislação Tributária - Resumo
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Legislação Tributária - Resumo

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Legislação Tributária
Conceito
Segundo o ilustre doutrinador Ricardo Alexandre1
, legislação tributária “compreende as
leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares
que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.”
Neste sentido, entendemos que a legislação tributária abrange as normas que orientam a
relação entre o Estado e o contribuinte.
Vamos ver um pouco sobre cada ato normativo.
Lei em sentido estrito:
De acordo com o artigo 3º, do CTN, todo tributo será instituído por lei. Assim, rememore-se
que a lei pode ser ordinária ou complementar, distinguindo-as, entre si, portanto, pelo rito
do processo legislativo.
No tocante à lei complementar, em especial, temos que sua especicidade é tratar sobre
assuntos especícos, previamente determinados pela Constituição Federal. São os casos
reservados à lei complementar. Vejamos:
Art. 146, da CRFB: princípios gerais.
Art. 148; art. 154, I e 195, §4º e art. 153, VIII: instituição de tributos.
Art. 155, §1º, III, art. 155, §2º, XII e art. 156, §3º: Regular impostos estaduais e municipais.
Medida Provisória:
Primeiramente, precisamos frisar que não cabe Medida Provisória em casos que devem ser
dispostos por meio de lei complementar.
Ademais, para que caiba a MP, são necessários dois requisitos: relevância e urgência.
1
ALEXANDRE, Ricardo. Direito tributário esquematizado. 7. ed. ver. e atual. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2013, p. 195.
Direito Obrigacional Tributário
Direito Tributário
2
A MP é um ato expedido pelo Chefe do Poder Executivo (lembrando que, em casos de
Estado e Municípios, deve haver previsão expressa sobre essa possibilidade na respectiva
Constituição ou Lei Orgânica2
). Além disso, importante salientar que a MP possui força de
lei, no entanto não se trata de uma lei propriamente dita.
Por m, a MP possui validade de 60 dias, podendo ser prorrogada por igual período uma
única vez.
Decreto Legislativo:
Trata-se de um ato normativo originado no Poder Legislativo. É utilizado para regular as
situações ocorridas durante a vigência de uma MP que não foi convertida em lei ao nal do
seu prazo. Ademais, também serve para aprovar tratados internacionais.
Seu rito de aprovação é apenas de maioria simples dos presentes.
Resolução do Senado:
As resoluções são editadas pelo Congresso Nacional ou por suas Casas, no uso de suas
competências trazidas pelos artigos 49, 50 e 52, da CRFB.
Segundo as preciosas lições de Ricardo Alexandre, em matéria tributária, as resoluções
mais importantes são as elaboradas pelo Senado Federal. “Como Casa de representação
dos Estados-membros, o Senado certamente é o melhor foro para se discutirem assuntos
em que os interesses destes entes políticos estejam em jogo.”3
Tratado internacional:
Tratado internacional é um documento utilizado para formalizar uma vontade exterioriza-
da pelos diversos países signatários. Nele, cam acordados quais normas serão aplicadas
internamente nos país participantes.
Decreto:
São atos originados do Chefe do Poder Executivo. Eles são expedidos para regulamentar o
conteúdo das leis. Sendo assim, encontram-se hierarquicamente abaixo das leis.
Normas Complementares:
Atos normativos de autoridades administrativas.
Decisões de jurisdição administrativa.
Práticas reiteradas observadas pelas autoridades administrativas.
Convênios celebrados entre os entes.
2
Lembrem-se que, se a Constituição Estadual não tiver previsão, a Lei Orgânica do município não poderá trazer a medida provisória, conforme artigo
29, da CRFB.
3ALEXANDRE, op.cit.,p. 199.
3
Vigência
O artigo 101, do CTN, diz que a vigência da legislação tributária obedece a Lei de Introdução
às Normas do Direito Brasileiro – LINDB.
Segundo a LINDB, uma lei entrará em vigor 45 dias após a sua publicação, salvo disposição
em contrário. É a chamada vacatio legis.
Então, vigência é quando a lei existe e é válida, mas ainda não produz seus efeitos. Por
outro lado, quando a lei, além de vigente, é ecaz, ela produz efeitos no mundo dos fatos.
Além disso, a vigência pode ser:
No espaço: determina onde a lei vale. A regra geral é a territorialidade. (Exceção: extra-
territorialidade = quando a lei de um ente pode valer nos demais, porque foi rmado um
convênio ou porque a União editou uma norma geral).
No tempo: determina quando a lei passa a vigorar.
Interpretação
Temos duas formas de interpretação: a literal e a mais benéca ao contribuinte.
A interpretação literal signica usar exatamente o que está escrito na lei (“letra da lei”).
Segundo o artigo 111, do CTN, devemos usar essa técnica nos casos de suspensão ou ex-
clusão do crédito tributário, outorga de isenção e dispensa do cumprimento de obrigações
tributárias acessórias.
Por outro lado, a técnica da interpretação mais benéca pode ser usada nos casos de
infrações e penalidades. Ela será usada em favor do contribuinte nos casos em que ele
infringe a lei ou na aplicação da penalidade, quando houver dúvida quanto:
À capitulação legal do fato.
À natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus
efeitos.
À autoria, imputabilidade ou punibilidade.
À natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.
Vigência
No espaço
No tempo