Imunidades parlamentares - Resumo (parte 1)
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Imunidades parlamentares - Resumo (parte 1)


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Introdução
Imunidade material ou inviolabilidade parlamentar
A imunidade parlamentar é uma prerrogativa, própria da função parlamentar. Ela
garante o exercício do mandato parlamentar com liberdade total
Essas prerrogativas se dividem em dois tipos:
A imunidade material, real ou substantiva, que também é chamada de inviolabili-
dade e prevista no caput do artigo 53, CRFB/88.
E a imunidade processual, formal ou adjetiva, prevista nos §§ 2º a 5º do artigo 53,
da CRFB/88.
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer
de suas opiniões, palavras e votos.
Esse artigo garante, então, que os parlamentares federais são:
Invioláveis civil e penalmente.
Por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.
Desde que proferidos em razão de suas funções parlamentares.
No exercício e relacionados ao mandato.
Não se restringindo ao âmbito do Congresso Nacional.
O parlamentar vai estar resguardado mesmo que ele esteja fora do Congresso Na-
cional, mas exercendo a sua função parlamentar federal, em qualquer lugar do terri-
tório nacional, por sua opinião, palavra ou voto.
A imunidade material impede que o parlamentar seja condenado. Isso porque o tipo
penal ca amplamente descaracterizado, de modo que ele não pode ser responsabi-
lizado, penalmente, civilmente, politicamente ou administrativamente.
Imunidade não pode ser confundida com impunidade, com privilégio, com regalia.
Isso sim seria incompatível com a Democracia, com a República e com o Estado De-
mocrático de Direito.
Imunidades parlamentares - Parte 1
Direito Constitucional II
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Imunidade formal ou processual
Imunidade formal ou processual para a prisão
A imunidade formal ou processual está relacionada
À prisão dos parlamentares
E ao processo a ser instaurado contra eles
É necessário saber:
Em que situações os parlamentares são presos
E se vai ser possível instaurar processo contra eles
São dois tipos de imunidade formal ou processual. A imunidade formal ou processu-
al pra prisão e a imunidade formal ou processual pro processo.
Art. 53, § 2º, CRFB/88: Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Na-
cional não poderão ser presos, salvo em agrante de crime inaançável. Nesse caso,
os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que,
pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.
Os parlamentares passam a ter imunidade formal pra prisão a partir do momento
em que são diplomados pela Justiça Eleitoral. Ou seja, a imunidade formal pra prisão
passa a valer antes mesmo da posse, que é um ato público e ocial. A diplomação é
um atestado que garante a eleição regular do candidato e acontece antes da posse.
A diplomação é então o termo inicial pra atribuição da imunidade formal pra prisão.
Hipóteses de prisão:
Regra geral: parlamentares federais não poderão ser presos, seja a prisão penal
ou a prisão civil (inciso LXVII do art. 5º da CRFB/88).
Exceção: a prisão do parlamentar federal é permitida em caso de agrante de
crime inaançável.
No caso de agrante de crime inaançável: de acordo com o §2º do art. 53, os au-
tos devem ser remetidos à Casa Parlamentar respectiva no prazo de 24 horas pra
que, pelo voto da maioria absoluta dos membros da Casa, seja resolvida a prisão.
Então, a aprovação da Casa legislativa é condição necessária pra manutenção da
prisão já realizada se mantém ou não.
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Imunidade formal ou processual para o processo
Prerrogativa de foro (“foro privilegiado”)
As regras sobre imunidade formal em relação ao processo criminal dos parlamentares
passaram por mudanças bem profundas com a EC n. 35/2001 que alterou o teor do
artigo 53 da CRFB/88. A Emenda mitigou, ou seja, suavizou a amplitude dessa garantia.
Antes da Emenda 35, os parlamentares não podiam ser processados sem a prévia
licença da Casa. Em muitos casos essa licença não era deferida e eram muitas as si-
tuações de impunidade.
Com a mudança na regra, o Ministro do STF pode receber uma denúncia oferecida
sem a licença prévia da Casa parlamentar.
Não é mais necessário o pedido prévio de licença pra que um parlamentar federal
seja processado no STF. No máximo, o que pode acontecer, é a Casa Legislativa, por
iniciativa de um partido político nela representado e pelo voto da maioria dos seus
membros, sustar o andamento da ação penal de crime ocorrido depois da diploma-
ção do parlamentar. Ou seja, a gente pode falar de imunidade pro processo criminal,
mas é uma imunidade mitigada.
Não existe mais imunidade processual em relação a crimes praticados antes da
diplomação.
De acordo com a Súmula 245 do STF, “A imunidade parlamentar não se estende ao
corréu sem essa prerrogativa”.
Artigo 53, §1º, CRFB/88: “Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma,
serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal.”
Os Deputados e Senadores que cometerem qualquer tipo de crime, seja crime comum,
crime contra a vida, crime eleitoral ou contravenção penal vão ser submetidos a julga-
mento perante o STF.
Artigo 84, CPP: “A competência pela prerrogativa de função é do Supremo Tribunal
Federal, do Superior Tribunal de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais e Tribunais
de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, relativamente às pessoas que devam res-
ponder perante eles por crimes comuns e de responsabilidade.”
Pontos importantes
Infração cometida durante o exercício da função parlamentar:
Competência é do STF e não há necessidade de pedir autorização para respectiva Casa
para instauração do processo. Basta que o STF dê ciência ao Legislativo que vai poder
sustar o andamento do processo.