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Espécies normativas: Lei Complementar, Lei Ordinária, Lei Delegada e Regime de Urgência - Resumo

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Lei Complementar e lei ordinária: semelhanças
Lei Complementar e lei ordinária: diferenças
Processo legislativo.
A regra geral é a de que por meio dessas leis, vão ser editadas normas gerais e abs-
tratas, regulamentando as normas constitucionais.
Existem duas grandes diferenças entre a lei complementar e a lei ordinária. Uma é do
ponto de vista material e outra é do ponto de vista formal.
Aspecto material
As hipóteses de regulamentação da Constituição por meio de lei complementar estão
todas previstas taxativamente no texto constitucional. Então sempre que o constituinte
originário quer que algo seja regulado por lei complementar, vai estar lá na constituição
dizendo expressamente.
O campo material que as leis ordinárias ocupam é residual, ou seja, tudo que não for
regulamentado por lei complementar, decreto legislativo e resoluções, vai ser regulamen-
tado por lei ordinária.
Aspecto formal
Em relação ao aspecto formal, a grande diferença entre lei complementar e lei ordinária
tem a ver com o quórum de aprovação do projeto de lei. A lei complementar é aprovada
pelo quórum de maioria absoluta (art. 69), enquanto as leis ordinárias são aprovadas
pelo quórum de maioria simples ou relativa (art. 47).
Diferença entre maioria absoluta e maioria simples: nos dois casos a gente pre-
cisa de maioria. No quórum de maioria absoluta, a maioria é dos componentes, do
total de membros integrantes da Casa, que é um número xo. A maioria absoluta é
o primeiro número inteiro depois da metade do total de componentes. Na maioria
simples, a maioria é das pessoas presentes na reunião ou na sessão, das pessoas
que compareceram no dia da votação.
Lei Complementar, Lei ordinária e Lei Delegada
Direito Constitucional II

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“Presente a maioria absoluta de seus membros” (art. 47): essa maioria absoluta é o
quórum de instalação da sessão de votação, ou seja, a quantidade de pessoas que
precisam estar lá pra que a votação aconteça, e não a quantidade de votos necessá-
rios pra aprovação da lei.
Lei Complementar e lei ordinária: hierarquia
Lei Delegada
STF: não existe hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, de acordo com os RE
419.629, 377.457 e 381.964.
O conito que pode existir é na verdade de competência constitucional. Então uma
lei ordinária que tratar de assunto reservado à lei complementar vai ser inconstitu-
cional não porque viola a lei complementar em si, mas porque vai estar em conito
com a própria constituição.
A lei delegada é uma exceção ao princípio da indelegabilidade de atribuições. Isso quer
dizer que para que uma lei seja delegada, primeiro é preciso que o Poder Legislativo dele-
gue uma atribuição ao Poder executivo. É a chamada delegação externa corporis.
Art. 68 da CRFB/88: A lei delegada vai ser elaborada pelo Presidente da República, depois de
solicitação ao Congresso Nacional, delimitando o assunto sobre o qual ele vai legislar. Essa
é a primeira fase do processo de elaboração da lei delegada, a fase iniciativa solicitadora.
Essa solicitação é apreciada pelo Congresso Nacional, que, caso seja aprovada, toma
a forma de resolução, de acordo com o art. 68, §2º da CRFB/88.
Art. 68, §1º, CRFB/88: algumas matérias que não podem ser delegadas.
Caso o Presidente elabore uma lei delegada além do limite xado na resolução emi-
tida pelo Congresso, cabe ao Congresso sustar a lei, por meio de decreto legislativo.
Isso é o que a gente chama de controle repressivo de constitucionalidade e é uma
das competências exclusivas do Congresso Nacional como está previsto no inciso V
do artigo 49 da CRFB/88.
Essa resolução que o Congresso emite precisa especicar o conteúdo e os termos do
seu exercício, e determina se vai haver ou não apreciação do projeto de lei delegada
pelo Congresso Nacional. Olha só o que diz o §3º do art. 68 da CRFB.
Existem dois tipos de delegação:
Delegação típica: não há apreciação pelo Congresso Nacional. O Congresso autoriza
a delegação ao Presidente, que vai elaborar, promulgar e fazer publicar a lei delegada.
Delegação atípica: há apreciação pelo Congresso, em votação única, sendo vedada
qualquer emenda.