Espécies normativas: Decreto Legislativo e Resolução - Resumo
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Espécies normativas: Decreto Legislativo e Resolução - Resumo


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Decreto Legislativo
Materializa as competências exclusivas do Congresso Nacional, que estão previstas
no artigo 49, incisos I a XVII da CRFB. As regras sobre o procedimento do decreto le-
gislativo estão nos Regimentos Internos das Casas e do Congresso.
O decreto legislativo também vai regulamentar os efeitos decorrentes da medida
provisória não convertida em lei, conforme o art. 62, §3º da CRFB.
Uma vez iniciado o processo legislativo, há uma discussão no Congresso. Se o projeto
for aprovado, a gente passa imediatamente pra promulgação, que é realizada pelo
Presidente do Senado, que também vai determinar a publicação. Não existe manifes-
tação do Presidente, sancionando ou vetando, pela própria natureza do ato, já que se
tratam de matérias de competência do Congresso, e também por previsão expressa
do art. 48, caput, da CRFB.
Processo de formação dos tratados internacionais
De todas as hipóteses previstas no art. 49 da CRFB a que se destaca e que é mais cobrada
em concursos é a competência para resolver sobre tratados, acordos ou atos internacio-
nais, que está prevista no inciso I.
Um tratado internacional pode se originar de duas maneiras (Art. 84, inciso VIII, c/c Art.
49, I, CRFB/88:
Pela aprovação do texto por uma instância de organização internacional.
Pela assinatura de um documento por sujeitos de direito internacional público.
Primeiramente, ocorre a celebração do tratado, convenção ou ato internacional pelo Pre-
sidente, para depois, internamente, o Congresso decidir sobre a sua viabilidade, conveni-
ência e oportunidade.
Se o Congresso concordar com a celebração do ato internacional, deve ser elaborado de-
creto legislativo que é o instrumento adequado para referendar e aprovar a decisão do
Presidente, que ca autorizado a raticar a assinatura, ou pra aderir, caso isso ainda não
tenha acontecido.
Depois disso, para que o tratado se incorpore denitivamente ao ordenamento jurídico
interno, o Presidente, mediante decreto, promulga e depois publica o texto.
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Direito Constitucional II
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De acordo com o STF, a expedição desse decreto provoca três efeitos:
A promulgação do tratado internacional.
A publicação ocial do texto do tratado.
A executoriedade do ato internacional, que só então passa a vincular e a obrigar no
plano do direito positivo interno.
O decreto integra o ordenamento jurídico interno com caráter de norma infraconstitucio-
nal, e se assemelha a uma lei ordinária. Ele pode inclusive ser revogado por uma norma
posterior, e pode também ter a sua constitucionalidade questionada.
Processo de formação dos tratados internacionais sobre direitos humanos
Art. 5º, §3º, CRFB/88: inserido na constituição pela EC 45/2004.
Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos e desde que aprovados
por 3/5 dos votos de seus membros, em cada Casa do Congresso Nacional e em 2 turnos
de votação (cf. art. 60, § 2.º, e art. 5.º, § 3.º): equivalem a emendas constitucionais.
Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos aprovados pela re-
gra anterior à Reforma e desde que não forem conrmados pelo quórum qualica-
do: tem natureza supralegal.
Os tratados e convenções internacionais de outra natureza: têm força de lei ordinária.
Qual a natureza jurídica dos tratados e convenções de direitos humanos anteriores
à EC n. 45/2004? A regra brasileira é omissa em relação a isso. A gente entende que o Con-
gresso Nacional pode conrmar os tratados sobre direitos humanos pelo quórum quali-
cado das emendas para poder falar em tratado internacional de natureza constitucional.
Qual é a diferença entre os tratados e convenções sobre direitos humanos que pas-
saram por essa formalidade e os que não foram? A diferença está no procedimento da
denúncia que é o ato de retirada do tratado. Enquanto os que seguiram o procedimento
mais solene dependem da autorização prévia do Congresso também em dois turnos, por
3/5 dos votos dos respectivos membros em cada uma das Casas, os outros, do mesmo
jeito que acontece com os tratados que não são de direitos humanos, podem ser denun-
ciados normalmente pelo Executivo, sem autorização prévia do Congresso.
Existem então, tratados sobre direitos humanos:
Materialmente e formalmente constitucionais, que são aqueles que equivalem
a emendas constitucionais porque passaram pelo procedimento de incorporação
mais solene.
Materialmente constitucionais, que apesar de tratarem de direitos humanos, não
passaram pelo procedimento mais solene.
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Qual seria o procedimento para aprovação pelo quórum qualicado das emendas?
De acordo com o artigo 49, inciso I, continua sendo o decreto legislativo o ato pelo qual
o Congresso Nacional resolve sobre tratados e convenções internacionais referentes a
direitos humanos A nova regra não diz que o procedimento deve ser o das emendas, mas
que uma vez cumpridas as formalidades, eles vão equivaler a emendas. A única diferença
é a possibilidade de que se atribua caráter de emenda constitucional aos tratados e con-
venções sobre direitos humanos, mas só se forem cumpridas as formalidades do art. 5º,
§3º da CRFB.
Resolução
Regulamentam as matérias de competência privativa da Câmara dos Deputados (art.
51), do Senado Federal (art. 52) e algumas de competência do Congresso Nacional,
denidas na constituição e no regimento interno.
Outras hipóteses: art. 68, § 2.º; art. 52, X; art. 155, § 1.º, IV; art. 155, § 2.º, IV; art. 155, §
2.º, V, “a”; art. 155, § 2.º, V, “b”, CRFB.
Os regimentos internos determinam as regras sobre o processo legislativo. De modo
geral, uma vez iniciado o processo legislativo na forma do Regimento, a discussão
se dá nas Casas respectivas. Ou seja, um projeto de resolução da Câmara vai ser
discutido na Câmara, um processo do Senado e discutido no Senado, e no caso de
resolução do Congresso, a tramitação acontece nas duas Casas.
Uma vez aprovado o projeto, de acordo com o art. 47, CRFB, o Presidente da Casa
(no caso de projeto da Câmara ou do Senado) e o Presidente do Senado (no caso
de resolução do Congresso) vai dar conta da promulgação e depois vão determinar
a publicação.
Como no decreto legislativo, não existe manifestação presidencial sancionando ou
vetando o projeto de resolução, conforme o art. 48, CRFB.