Crimes de responsabilidade e crimes comuns - Resumo
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Crimes de responsabilidade e crimes comuns - Resumo

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Crimes de responsabilidade
Introdução e natureza jurídica
As pessoas que ocupam altos cargos públicos podem praticar, além de crimes comuns,
os crimes de responsabilidade, ou seja, infrações político-administrativas, crimes de natu-
reza política. Nesses casos, elas são submetidas ao processo de impeachment.
O art. 85, CRFB/88, traz algumas hipóteses de crimes de responsabilidade.
O artigo diz “especialmente contra”. Isso quer dizer que não são só esses casos, esses
são alguns exemplos, de hipóteses de crimes de responsabilidade.
O parágrafo único estabelece que esses crimes serão denidos em lei especial, que
estabelecerá as normas de processo e julgamento.
É imprescindível que exista uma lei para disciplinar as hipóteses de crimes de res-
ponsabilidade. A lei que dene os crime de responsabilidade é a lei n. 1079/50.
Além do Presidente, também podem ser responsabilizados politicamente e destituídos
dos seus cargos por meio de processo de impeachment:
O Vice-Presidente (art. 52, I).
Os Ministros de Estado, nos crimes conexos com os crimes praticados pelo Presiden-
te (art. 52, I).
Os Ministros do STF (art. 52, II).
Os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério
Público (art. 52, II).
O Procurador-Geral da República (art. 52, II).
O Advogado-Geral da União (art. 52, II).
Governadores ( Lei 1.079/1950).
Prefeitos (Decreto-lei 201/1967).
Poder Executivo
Direito Constitucional II
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Procedimento
As regras procedimentais do processo de impeachment estão na Lei n. 1079/50.
Esse procedimento é bifásico, ou seja, ele tem duas fases:
A fase preambular, que é o juízo de admissibilidade do processo, que acontece na
Câmara dos Deputados, que, nesse caso, é considerada Tribunal de Pronúncia, como
está previsto no art. 80, da Lei.
A fase nal, na qual se o processo propriamente dito e o julgamento no Senado
Federal, que vai ser o Tribunal de Julgamento, também de acordo com o art. 80.
“São da competência legislativa da União a denição dos crimes de responsabilidade e o
estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento” (Súmula 722).
Procedimento: Câmara dos Deputados
Nessa fase inicial, a Câmara vai declarar procedente ou não a acusação, admitindo o pro-
cesso e o julgamento pelo Senado. Esse ato de recebimento ou não da denúncia, decisão
que não julga o mérito do processo, é chamado pela doutrina de juízo de admissibilidade.
A acusação pode ser formalizada por qualquer cidadão no pleno gozo dos seus direitos
políticos. A partir desse momento, o Presidente já passa a ser considerado acusado, e,
por isso, são garantidos o contraditório e a ampla defesa (art. 5º, LV, CRFB/88).
A Câmara pode, pela maioria qualicada de 2/3, autorizar a instauração do processo, ad-
mitindo a acusação que está sendo impugnada ao Presidente, para que seja processado
e julgado perante o Senado nos crimes de responsabilidade. Essa previsão é do art. 86,
caput, CRFB/88.
Procedimento: Senado Federal
Havendo autorização da Câmara, o Senado deve instaurar o processo sob a presidência
do Presidente do STF, submetendo o Presidente a julgamento no Senado. Como a gente
disse, são asseguradas as garantias do contraditório e da ampla defesa, e ao nal do
processo, o Presidente pode ser absolvido ou condenado.
Uma vez instaurado o processo, o Presidente ca suspenso das suas funções pelo
prazo de 180 dias.
Se o julgamento não for concluído nesse prazo, o afastamento cessa, e o processo
continua em andamento.
A sentença condenatória se materializa mediante resolução do Senado, que só pode
ser proferida por 2/3 dos votos. A condenação se limita à perda do cargo e à inabi-
litação pro exercício de qualquer função pública por 8 anos, podendo ser aplicadas
outras sanções judiciais se elas couberem (art. 52, pu, CRFB/88).
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Se houver renúncia ao cargo depois da instauração do processo, ele deve seguir
mesmo assim até o nal.
O julgamento realizado pelo Senado não pode ser alterado pelo Judiciário. Isso iria de
encontro ao princípio da Separação dos Poderes.
Crimes comuns
Conceito e procedimento
As regras de procedimentais para o processamento dos crimes comuns estão previstas
na Lei n. 8038/90 e nos arts. 230 a 246 do RISTF.
Da mesma forma que acontece nos crimes de responsabilidade, também ocorre um con-
trole político de admissibilidade, que é realizado pela Câmara. A Câmara então deve au-
torizar ou não o recebimento da denúncia ou da queixa-crime pelo STF, através do voto
de 2/3 dos seus membros (art. 86, caput, CRFB/88).
Uma vez então admitida a acusação contra o Presidente por 2/3 da Câmara, ele vai ser
submetido a julgamento perante o STF.
A denúncia, nos casos de ação penal pública, deve ser ofertada pelo Procurador-Geral da
República. Se ele achar que não existem indícios sucientes, o inquérito deve ser arquiva-
do. Nos casos de crime de ação penal privada, é necessária a apresentação de queixa-cri-
me pelo ofendido, ou por quem tenha competência para isso.
De acordo com o STF, a expressão “crime comum”, abrange todas as modalidades de
infrações penais, incluídos os delitos eleitorais, os crimes contra vida e as contraven-
ções penais.
Uma vez recebida a denúncia ou a queixa-crime, o Presidente ca suspenso das suas
funções por 180 dias. Se o prazo acabar e não tiver ocorrido julgamento, ele volta a
exercer as suas funções e o processo continua em andamento.
O presidente só pode ser preso depois que houver sentença penal condenatória (art. 86,
§3º, CRFB/88).
Imunidade Presidencial
De acordo com o art. 86, §4º, CRFB/88, o Presidente, durante a vigência do mandato, não
pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício das suas funções.
Isso quer dizer que ele só pode ser responsabilizado, no caso de infração penal co-
mum, por atos praticados em razão do exercício das duas funções.