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Trabalho - Transtornos Alimentares no DSM V

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Transtornos Alimentares no DSM V 
Thaís Martins Sousa 
O capítulo de transtornos alimentares recebeu várias alterações na nova versão do DSM, com 
a inclusão e mudança de categorias e revisões dos critérios diagnósticos de bulimia nervosa e 
anorexia nervosa. A inclusão do Transtorno de compulsão alimentar periódica e o transtorno 
de ingestão alimentar restritiva e mudança dos transtornos de Pica e ruminação de 
transtornos alimentares da infância para transtornos alimentares gerais. As mudanças foram 
pautadas em relatos clínicos e pesquisas que mostraram que grande parte dos diagnósticos 
que se encaixavam na categoria de Transtorno Alimentar sem outra especificação tratavam-se 
desses transtornos principalmente. A classificação de Transtornos Alimentares infantis foi 
retirada. 
O DSM V, assim como suas versões anteriores faz ressalvas para os casos em que o 
comportamento alimentar faz parte da cultura do indivíduo e para casos nos quais o 
comportamento ocorrem em conjunto com outra condição médica (atraso mental, autismo, 
esquizofrenia, gravidez, etc.), afirmando que o transtorno alimentar só deve ser tratado a 
parte caso seja severo o suficiente. 
Os critérios diagnósticos de Anorexia nervosa sofreram as seguintes alterações: 
 Retirada do termo “recusar” do critério A, por implicar que o paciente tem a intenção 
proposital de se recusar a manter seu peso normal. 
 O critério A passa a focar nos comportamentos emitidos pelo paciente, como restrição 
das calorias ingeridas 
 Exclusão do critério D, que se tratava da amenorreia, por não se aplicar à homens, 
mulheres que ingerem contraceptivos e mulheres pós menopausa, além de alguns 
indivíduos reportarem todos os outros sintomas mas não sofrerem alterações no ciclo 
menstrual. 
Os critérios diagnósticos de Bulimia nervosa sofreram a seguinte alteração: 
 Redução do critério de frequência de exibição de comportamentos compensatórios e 
compulsão alimentar, que pessoas com bulimia nervosa devem exibir, de duas vezes 
por semana para uma vez por semana. 
 
O transtorno de ruminação recebeu os seguintes alterações: 
 
 Acréscimo no critério A da descrição comportamental “A comida regurgitada pode ser 
novamente mastigada, engolida ou cuspida” 
 Acréscimo do critério D: “Se o comportamento ocorrer no contexto de outro 
transtorno mental (ex: retardo mental ou outro transtono do neurodesenvolvimento) 
é suficientemente grave para precisar de uma atenção clínica adicional.” 
 
O transtorno de ingestão alimentar restritiva recebeu os seguintes critérios diagnósticos: 
 
A. Um distúrbio alimentar (falta de interesse por comer ou por alimentos, esquiva 
baseada em características sensoriais da comida, preocupação acerca das 
consequências aversiva) manifestado pela falha persistente de se alcançar a ingestão 
nutricional e energética adequada, seguida de um, ou mais, dos seguintes sintomas: 
1. Perda de peso significativa (ou falha em alcançar um aumento de peso ou 
hesitação no crescimento da criança). 
2. Deficiência nutricional significativa 
3. Dependência de nutrição enteral ou suplementos nutricionais. 
4. Interferência no funcionamento psicossocial 
B. O distúrbio não é melhor explicado pela falta de alimento ou pela associação a uma 
prática cultural. 
C. O distúrbio não ocorre exclusivamente durante o curso de uma anorexia nervoso ou 
bulimia nervosa, e não há evidência de distúrbios na maneira com a qual o peso ou 
forma corporal são percebidos. 
D. O distúrbio não é melhor explicado por outro distúrbio mental e não relacionado a 
outra condição médica. Quando o distúrbio ocorrer no contexto de outra condição ou 
transtorno, a gravidade do distúrbio alimentar excede o normalmente associado com a 
condição ou transtorno necessitando de atenção clínica adicional. 
 
 
O transtorno de compulsão alimentar períodica recebeu os seguintes critérios diagnósticos : 
 
A. Episódios recorrentes de alimentação compulsiva. Um episódio de alimentação 
compulsiva é caracterizado por: 
1. Comer, em um curto período de tempo (ex: 2 horas), uma quantidade de 
comida que é definitivamente maior que a que a maioria das pessoas comeriam em 
um período de tempo similar em circunstâncias similares 
2. Sentimento de falta de controle sobre o comportamento de comer durante o 
episódio. 
 
B. Os episódios de alimentação compulsiva estão associados com três ou mais dos 
seguintes: 
1. Comer mais rápido que o normal 
2. Comer até se sentir desconfortavelmente cheio. 
3. Comer grande quantidade de comida quando não sente fome. 
4. Comer sozinho por se sentir envergonhado pela quantidade de comida ingerida 
5. Sentir-se deprimido, sentir nojo de si mesmo ou sentir culpa após o episódio. 
C. Aflição marcante em vista da presença da compulsão alimentar 
D. A compulsão alimentar acontece, em média, pelo menos uma vez por semana nos 
últimos três meses 
E. A compulsão alimentar não está associada com comportamentos compensatórios 
inapropriados recorrentes como na bulimia nervosa e não ocorre exclusivamente 
durante o curso da bulimia nervosa ou anorexia nervosa.