Maria Montessori   A Criança
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Maria Montessori A Criança

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MARIA.
MONTESSORI

Maria Montessori

A criança

CíRCULO DO LIVRO

Círculo do Livro S.A.
Caixa postal 7413

01051 São Paulo, Brasil

Edição integral
Título do original: "Il secreto dell'infanzia"

Copyright © Maria Montessori, Association Montessori
Internationale, Amsterdam

Tradução: Luiz Horácio da Matta
Capa: layout de Natanael Longo de Oliveira e foto

de Carlos Costa/Cristal Líquido

Licença editorial para o Círculo do Livro
por cortesia da Editorial Nórdica Ltda.,

mediante acordo com Associação Montessori Internacional

Venda permitida apenas aos sócios do Círculo

Composto pela Linoart Ltda.
Impresso e encadernado pelo Círculo do Livro S.A.

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Sumário

Prefácio: Infância, problema social 7

Primeira parte

1. O século da criança 15
2. O acusado 21
3. Intervalo biológico . . . . . . . .. 25
4. O recém-nascido 31
5. Os instintos naturais 38
6. O embrião espiritual 41
7. As delicadas estruturas psíquicas . . . . . . . . . . . . .. 50
8. A ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 63
9. A inteligência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 74
10. Os conflitos durante o desenvolvimento 84
11. Andar 89
12. A mão..................... 93
13. O ritmo 100
14. A substituição da personalidade . . . . . . . . . . . . . .. 103
15. A atividade motora 108
16. A incompreensão 112
17. Intelecto de amor 115

Segunda parte

18. A educação da criança 123
19. A repetição do exercício 132
20. Livre escolha 134
21. OSAb~inquedos 136
22. Prêmios e castigos 137
23. O silêncio 138

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24. A dignidade 141
25. A disciplina 145
26. O início da aprendizagem 147
27. Paralelos físicos 152
28. Conseqüências 153
29. Crianças privilegiadas 159
30. A preparação espiritual do professor. . . . . . . . . .. 165
31. Os desvios 170
32. As fugas 172
33. As inibições 175
34. As curas 178
35. A dependência afetiva 181
36. A posse 183
37. O poder 186
38. O complexo de inferioridade . . . . . . .. 188
39. O medo 192
40. As mentiras 194
41. Reflexos sobre a vida física " 198

Terceira parte

42. O conflito entre o adulto e a criança 205
43. O instinto do trabalho ..... . . . . . . . . . . . . . . . .. 207
44. As características dos dois tipos de trabalho 211
45. Os instintos orientadores 220
46. A criança-professora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 228
47. A missão dos pais 231
48. Os direitos da criança 232

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a

Prefácio

Infância, problema social

Iniciou-se há alguns anos um movimento social a favor
da infância, sem que alguém em particular tomasse tal ini-
ciativa. Ocorreu algo semelhante a uma erupção natural em
terreno vulcânico, na qual produzem-se espontaneamente
fogos dispersos aqui e acolá. Assim nascem os grandes movi-
mentos. Não há dúvida quanto à contribuição da ciência:
foi a iniciadora desse movimento. A higiene começou a com-
bater fi mortalidade infantil; posteriormente, demonstrou
que a criança era vítima da fadiga estudantil, mártir desco-
nhecida, condenada à pena perpétua, pois sua infância termi-
nava no momento da conclusão da escola elementar.

A higiene escolar descreve crianças desventuradas, de
espírito oprimido e inteligência cansada, ombros encurvados
e peito estreito, uma infância predisposta à tuberculose.

Finalmente, após trinta anos de estudos, consideramos
as crianças seres humanos abandonados pela sociedade e,
sobretudo, por aqueles que lhes deram e conservam a vida.
O que é a infância? Um incômodo constante para o adulto
preocupado e cansado por ocupações cada vez mais absor-
ventes. Já não existe lugar para as crianças nas residências
mais acanhadas das cidades modernas, onde as famílias se
acumulam em espaço reduzido. Não há lugar para elas nas
ruas porque os veículos se multiplicam e as calçadas estão
apinhadas de pessoas apressadas. Os adultos não dispõem de
tempo para se ocuparem com elas, pois são oprimidos por
compromissos urgentes. Pai e mãe são ambos obrigados a
trabalhar e, quando falta emprego, a miséria atinge tanto
adultos como crianças. Mesmo nas melhores condições, a
criança fica confinada em seu quarto, entregue a desconhe-
cidos assalariados, não lhe sendo permitido acesso às partes
da casa onde habitam as pessoas às quais deve a vida. Não
existe qualquer refúgio no qual a criança se sinta compreen-

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dida, onde possa exercitar a atividade própria da infância.
Deve comportar-se bem, manter-se em silêncio, sem tocar
em coisa alguma porque nada lhe pertence. Tudo é inviolável,
propriedade exclusiva do adulto, vedado à criança. O que
possui ela? Nada. Há poucas décadas, nem mesmo existiam
cadeiras para crianças. Donde se originou a célebre expres-
são, hoje apenas metafórica: "Te segurei no colo".

Quando a criança sentava-se nos móveis dos adultos,
ou no chão, era repreendida; tornava-se necessário que al-
guém a pegasse no colo para que pudesse sentar. Eis a situa-
ção de uma criança que vive no ambiente dos adultos: um
importuno, que procura algo para si e não encontra, que
entra e logo é repudiado. Uma situação semelhante à de um
homem privado de direitos civis e de ambiente próprio: um
ser marginalizado pela sociedade, que todos podem tratar
sem respeito, insultar e castigar, por força de um direito con-
ferido pela natureza - o direito do adulto.

Em decorrência de um curioso fenômeno psíquico, o
adulto nunca se preocupou em preparar um ambiente ade-
quado ao seu filho; dir-se-ia que se envergonha dele na es-
trutura social. O homem, ao elaborar suas leis, deixou o pró-
prio herdeiro sem leis e, portanto, fora delas. Abandona-o,
sem orientação, ao instinto de tirania existente no fundo de
todo coração adulto. Eis o que devemos dizer a respeito da
infância que vem ao mundo trazendo novas energias que, na
verdade, deveriam constituir o sopro regenerador capaz de
dissipar os gases asfixiantes acumulados de geração em ge-
ração durante uma vida humana cheia de erros.

Repentinamente, porém, na sociedade há séculos cega
e insensível - provavelmente desde a origem da espécie
humana - surge uma nova consciência relativa ao destino da
criança. A higiene acorreu em seu socorro como para um
desastre, uma catástrofe que causasse inúmeras vítimas; lutou
contra a mortalidade infantil no primeiro ano de vida - as
vítimas eram tão numerosas que os sobreviventes podiam
ser considerados salvos de um dilúvio universal. A vida
da criança assumiu um novo aspecto quando, no iní-
cio do século XX, a higiene começou a penetrar nas clas-
ses populares. As escolas transformaram-se de tal maneira
que aquelas com pouco mais de uma década de existência pa-
reciam datar de um século. Através da meiguice e da tole-
rância, os princípios educativos introduziram-se tanto nas
famílias como nas escolas.

Além dos resultados alcançados graças aos projetos cien-

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tíficos, existem também, aqui e ali, muitas iniciativas ditadas
pelo sentimento. Muitos dos reformadores atuais levam as
crianças em consideração, reservando-lhes jardins nos proje-
tos de urbanização, construindo-lhes áreas de recreação nas
praças e parques. Pensa-se na criança quando se edificam
teatros; para ela publicam-se livros e revistas, organizam-se
viagens, fabricam-se móveis de dimensões adequadas. Desen-
volvendo-se, enfim, uma organização consciente das classes,
procurou-se organizar as crianças, incutindo-lhes a noção de
disciplina social e dignidade que resulta em favor do indiví-
duo, como ocorre em organizações do gênero dos escoteiros
e das "repúblicas infantis". Os revolucionários reformadores
políticos da atualidade tentam assenhorear-se da infância a
fim de transformá-Ia num instrumento dócil de seus desíg-
nios. Hoje em dia, a infância está sempre presente, seja para
o bem ou para o mal, tanto para ser lealmente auxiliada
como para o objetivo interesseiro de usá-Ia como instrumen-
to. Nasceu como elemento social, poderoso,
Cris Oliveira fez um comentário
  • Estou mt grata por encontrar esse livro aqui , acabei de ter um filho e estou estudando disciplina positiva , fiquei feliz de encontrar esse livro q esta me dando base??
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    Livia Lima fez um comentário
  • Obrigada por compartilhar.
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    Genilma Cruz fez um comentário
  • Fico feliz em ter ajudado!!!
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    Bruna Silva fez um comentário
  • Deus abençoe por compartilhar esse livro. Eu procurei muito, muito mesmo!
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