Pablo Escobar   Meu pai   Juan Pablo Escobar
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Pablo Escobar Meu pai Juan Pablo Escobar

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Copyright © Juan Sebastián Marroquín Santos, 2014
Copyright © Editora Planeta do Brasil, 2016
Título original: Pablo Escobar, mi padre: las historias que no deberíamos saber
Todos os direitos reservados.

Preparação: Lizete Mercadante
Revisão: Jane Pessoa
Diagramação: Vivian Oliveira
Capa: Adaptada do projeto original
Adaptação para eBook: Hondana

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

E73p
2. ed.
Escobar, Juan Pablo

Pablo Escobar: meu pai / Juan Pablo Escobar; [tradução Miguel Del Castillo , Bruno Matos]. - 2. ed. - São Paulo:
Planeta, 2015.

Tradução de: Pablo Escobar : mi padre
ISBN 978-85-422-0597-8

1. Escobar, Pablo, 1949-1993. 2. Fugitivos da justiça - Colômbia - Biografia. 3. Narcotraficantes - Colômbia -
Biografia. 4. Estados Unidos - Relações exteriores - Colômbia . I. Del Castilho, Miguel. II. Matos, Bruno. III. Título.

15-26299
CDD: 920.9861
CDD: 920.9861

2016
Todos os direitos desta edição reservados à
EDITORA PLANETA DO BRASIL LTDA.
Rua Padre João Manoel, 100 – 21º andar
Edifício Horsa II – Cerqueira César
01411-000 – São Paulo – SP
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atendimento@editoraplaneta.com.br

Para meu filho, que me dá a força e a energia necessárias para ser um homem de bem.

Para minha eterna amada e companheira de aventuras.

Para minha corajosa mãe.

Para minha irmã de sangue e de alma.

Para minha querida família.

E para os poucos amigos que conseguiram transpor o medo.

SUMÁRIO

NOTA DA EDIÇÃO

APRESENTAÇÃO

CAPÍTULO 1. A TRAIÇÃO

CAPÍTULO 2. ONDE FICOU O DINHEIRO?

CAPÍTULO 3. PAZ COM OS CARTÉIS

CAPÍTULO 4. AMBIÇÃO DESMEDIDA

CAPÍTULO 5. AS ORIGENS DE MEU PAI

CAPÍTULO 6. NÁPOLES: SONHOS E PESADELOS

CAPÍTULO 7. A “COCA” RENAULT

CAPÍTULO 8. EXCENTRICIDADES

CAPÍTULO 9. FAZENDO DEMAIS PELOS AMIGOS

CAPÍTULO 10. PAPAI NARCO

CAPÍTULO 11. POLÍTICA: SEU PIOR ERRO

CAPÍTULO 12. PREFERIMOS UM TÚMULO NA COLÔMBIA

CAPÍTULO 13. BARBÁRIE

CAPÍTULO 14. HISTÓRIAS DE LA CATEDRAL

CAPÍTULO 15. PREOCUPEM-SE QUANDO EU AMARRAR OS TÊNIS

EPÍLOGO. DUAS DÉCADAS DE EXÍLIO

NOTA DA EDIÇÃO

Pablo Escobar, meu pai talvez seja um dos projetos editoriais mais complexos em que o grupo
Planeta embarcou nos últimos anos.

Achávamos que tudo já havia sido dito acerca de Pablo Escobar. Sobre ele escreveram as
melhores mãos, os jornalistas mais respeitados e até seus irmãos. O cinema também já recriou a
vida do capo (chefe do tráfico).

Foi necessário que se passassem mais de duas décadas para que Juan Pablo Escobar, seu
filho, resolvesse esmiuçar a fundo a vida que não escolheu e revelasse a todos nós as curiosas
formas de amor paternal manifestadas num contexto de excessos e de violência. Os incontáveis
detalhes inéditos que esta abordagem traz revelam um personagem ainda mais complexo.

E não apenas isso. Este livro também expõe uma versão diferente acerca de muitos
episódios ocorridos naquela época na Colômbia.

Juan Pablo Escobar – que mudou sua identidade para Juan Sebastián Marroquín – e a editora
Planeta trabalharam durante mais de um ano nesta obra, que precisou passar por rigorosos
crivos editoriais e checagem de fontes de informação.

A extrema importância do tema, as feridas ainda abertas, as milhares de vítimas que ficaram
pelo caminho, as investigações concluídas e as ainda em andamento contribuem para o fato de
que, desde já, Pablo Escobar, meu pai se torne inevitavelmente uma referência incontornável,
tanto na Colômbia quanto em outras latitudes.

APRESENTAÇÃO

Mais de vinte anos de silêncio se passaram enquanto eu recompunha minha vida no exílio. Para
tudo há um tempo, e este livro, bem como seu autor, precisavam passar por um processo de
amadurecimento, autocrítica e humildade. Só assim estaria pronto para sentar e começar a
escrever sobre histórias que ainda hoje para a sociedade colombiana são duvidosas.

A Colômbia também amadureceu os ouvidos, e por isso considerei que era chegada a hora
de compartilhar com os leitores a minha vida ao lado do homem que foi meu pai, a quem amei
incondicionalmente e com quem, por obra do destino, vivi momentos que marcaram parte da
história da Colômbia.

Desde o dia do meu nascimento até o dia em que ele morreu, meu pai foi meu amigo, guia,
professor e conselheiro. Uma vez lhe pedi que escrevesse sua verdadeira história, mas ele não
quis: “Grégory, primeiro a gente faz a história, só depois é que escreve sobre ela”.

Prometi que vingaria a morte de meu pai, mas quebrei a promessa dez minutos depois. Todo
mundo tem o direito de mudar, e há mais de duas décadas vivo totalmente imerso em regras
claras de tolerância, convivência pacífica, diálogo, perdão, justiça e reconciliação.

Este não é um livro de repreensões e julgamentos; é um livro que propõe profundas
reflexões sobre a configuração da pátria colombiana e de suas políticas, e sobre por que figuras
como meu pai podem surgir em suas entranhas.

Respeito a vida, e foi com isso em mente que escrevi este livro; parti de uma perspectiva
diferente e única na qual não tenho qualquer intenção oculta, ao contrário da maioria dos textos
sobre meu pai que circula por aí.

Este livro tampouco é a verdade absoluta. É um exercício de busca e uma aproximação à
vida de meu pai. É uma investigação pessoal e íntima. É a redescoberta de um homem, com
todas as suas virtudes, mas também com todos os seus defeitos. A maior parte dos relatos aqui
presentes me foi transmitida por ele, nas noites longas e frias de seu último ano de vida, ao
redor de fogueiras; outros, ele me deixou por escrito, quando seus inimigos estavam muito perto
de aniquilar a nós todos.

Esta aproximação à história de meu pai me levou a conversar com personagens que por
muito tempo permaneceram escondidos, e que só agora se dispuseram a contribuir para este

livro, para que o meu juízo e o da editora não fossem parciais. E, sobretudo, para que ninguém,
nunca mais, herde ódios como os que existiram.

Nem sempre estive ao lado de meu pai; não sei todas as suas histórias. Quem disser que as
conhece em sua totalidade estará mentindo. Todas as lembranças que estão neste livro me foram
contadas muito depois de os fatos terem ocorrido. Meu pai jamais pediu a minha opinião sobre
qualquer decisão que iria tomar, nem a de ninguém; era um homem que resolvia tudo por conta
própria.

Muitas “verdades” sobre meu pai são conhecidas pela metade, ou nem sequer são
conhecidas. Por isso, contar sua história implicava muitos riscos – deveria ser narrada com um
enorme senso de responsabilidade, porque, infelizmente, muito do que já se disse parecia
corresponder à verdade. Tenho certeza de que o crivo ferrenho que a Planeta e o editor Edgar
Téllez mantiveram sobre o texto contribuiu para o sucesso desta empreitada.

O que faço aqui é explorar de maneira pessoal e profunda as entranhas de um ser humano
que, além de ser meu pai, chefiou uma organização mafiosa de proporções que a humanidade
nunca havia visto.

Peço perdão publicamente a todas as vítimas que meu pai fez, sem exceções; sinto uma dor
profunda na alma ao pensar que essas pessoas sofreram as consequências de uma violência
indiscriminada e sem igual, que matou muitos inocentes. A todos esses, digo do fundo da minha
alma que busco hoje honrar a memória de cada um. Este livro foi escrito com lágrimas, mas sem
rancores. Sem espírito de denúncia, nem de revanchismo, nem como desculpa para promover a
violência, muito menos para fazer apologia ao crime.

O leitor se surpreenderá com o conteúdo dos primeiros capítulos, porque neles revelo pela
primeira vez o profundo conflito que vivemos com meus parentes paternos. São vinte e um anos
de desencontros, que me levaram a concluir que vários deles colaboraram ativamente para o
desenlace final que matou meu pai.

Não seria errado dizer que a família de meu pai nos perseguiu mais que os piores inimigos
dele.