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Poder de controle por ações

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Poder de controle por ações
Em relação às sociedade empresarias, o poder tem acentuada importância na medida em que seu detentor pode influenciar ou até mesmo decidir o destino da pessoa jurídica, causando reflexos indissociáveis aos demais sócios.
Nas sociedades empresariais, o poder encontra-se ligado, em regra, à detenção do maior número de quotas ou ações com direito a voto, em se tratando de sociedade de responsabilidade limitada  ou sociedade anônima respectivamente – poder propriedade.
 Em regra, o poder de controle encontra-se ligado à alocação material, ou seja, na figura do detentor da maioria das quotas em se tratando de sociedades de responsabilidade limitada, ou das ações com direito a voto, no caso de sociedade anônima - poder propriedade.
De fato, no primeiro caso dispõe o artigo 1.010 do Código Civil: quando por lei ou pelo contrato social, competir aos sócios decidir sobre os negócios da sociedade, as deliberações serão tomadas por maioria de votos, contados segundo o valor das quotas de cada um.
Na sociedade anônima, essa situação vem disciplinada no art. 116 da Lei nº 6.404/76, representada pela pessoa natural ou jurídica, ou grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum que, sendo titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembleia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia, usa efetivamente desse poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia.
Assim, mesmo se a companhia for controlada por um único acionista, ou por acionistas em acordo de voto ou sob controle comum, seu controlador deve observar o interesse social ao exercitar seu direito decisório. Portanto, em caso contrario, será configurado o abuso do poder de voto e consequentemente sua responsabilização por eventuais danos. O abuso se verificará, portanto, quando o controlador se valer de sua condição privilegiada para obter vantagens ilícitas e indevidas, para si ou para outrem, em detrimento da companhia, dos acionistas e de terceiros.
O que levou o legislador a atribuir o poder de controle ao titular da maioria das quotas ou ações com direito a voto, reside no fato de que, presumivelmente, esse sócio ou acionista possui maiores interesses na realização e sucesso da atividade empresarial.
Independente desse pressuposto, é importante acentuar que o poder de controle de uma sociedade empresária não se confunde com a titularidade das quotas ou ações, haja vista que o proprietário (e somente ele) detém a faculdade de dispor dos bens, mas não é detentor do poder de direção, ao passo que o controlador, ao reverso, possui o poder de direção e não disposição. Trata-se em última análise, da conhecida regra de separação entre propriedade e poder de controle.
Formas de poder de controle 
O poder de controle de uma sociedade empresária pode ser divido em duas espécies, o interno e o externo.
O controle interno é exercido por quem detém participação societária, compreendendo as formas totalitária, majoritária, minoritária e gerencial.
O controle totalitário manifesta-se quando todos os acionistas exercem controle, isto é, quando nenhum dos acionistas é excluído do poder nas deliberações societárias ou quando esse poder está centrado nas mãos de uma só pessoa. Majoritário quando o controle é exercido pelo acionista que detém a maiorias das ações com direito a voto e que exerce efetivamente esse poder. Minoritário quando o controle está nas mãos de acionista que detém menos da metade das ações com direito a voto em companhias com grande dispersão acionária. Por fim, o controle gerencial se caracteriza nas sociedades com capital disseminado e ausência de influência dos acionistas, implicando que o poder de decisão venha se concentrar nas mãos dos administradores.
O controle externo, por seu turno, é exercido por quem não sendo sócio ou acionista da sociedade empresarial, detém ingerência nas deliberações sociais. Segundo Fábio Konder Comparato:
... o denominado controle externo nada mais é do que uma modalidade específica de controle, participando integralmente de sua essência genérica. É o poder de comandar uma sociedade e, através dela, uma empresa, sem que o controlador esteja inserido na estrutura jurídica da sociedade controlada. Esse poder é exercido sem título, ou melhor, com fundamento em título jurídico que não visa, explicitamente, à dominação da sociedade controlada. É por isso que se fala em “poder de fato”. Geralmente, a posição na qual se apoia o controlador externo, para exercer sua dominação, é contratual[5].
Como exemplos de controle externo podem ser mencionadas as empresas afiliadas ou franquiadas, que recebem tecnologia, serviços e produtos, expediente utilizado para diminuição de gastos com investimentos, muito inferiores aos existentes com abertura de subsidiárias ou controladas. Nas hipóteses em questão, inexiste independência na tomada de decisões.
Abuso do Poder de Controle
Segundo Bulgareli: “o abuso do poder de controle caracteriza-se pela prática de uma infração no exercício da prerrogativa legal do controle acionário.”[2]Ademais, conforme manifestado em Inquérito Administrativo CVM 23/1999: “o abuso do poder de controle requer, para sua caracterização, o exercício do direito de controle, a antijuridicidade desse exercício e o prejuízo dele decorrente”.
Na jurisprudência, o STF, por voto do Min. Moreira Alves, adotou o conceito tradicional de Champaud, para definir o abuso do poder de controle, in verbis:
“O abuso do poder de controle resulta da causa ilegítima de decisões tomadas com a única finalidade de prejudicar uma categoria de acionistas ou para satisfazer aos interesses exclusivamente pessoais de alguns deles. Nessa hipótese o controle e desviado de suas finalidades legitimas que são de assegurar a acumulação do patrimônio social e a prosperidade da empresa.”
Conforme o artigo 115 da Lei das Sociedades Anônimas, “o acionista deve exercer o direito a voto no interesse da companhia” e “considerar-se-á abusivo o voto exercido com o fim de causar dano à companhia ou a outros acionistas, ou de obter, para si ou para outrem, vantagem a que não faz jus e de que resulte, ou possa resultar, prejuízo para a companhia ou para outros acionistas.” Cabe ressaltar que, além do disposto nesse artigo, quando o acionista controlador também ocupar o cargo de administrador, será responsável pelos prejuízos causados ao seu patrimônio, nos termos do artigo 159 da Lei.
O acionista controlador responderá pelo exercício abusivo de poder ao causar danos a sociedade, favorecendo, por exemplo outra sociedade, brasileira ou estrangeira, em prejuízo da participação dos acionistas minoritários nos lucros e no acervo da companhia, conforme previsto no Art. 117, § 1º, da Lei 6.404/76
No entanto, os interesses dos acionistas serão esses lesionados se o controlador, através de seu voto, ocultar os direitos patrimoniais da sociedade, como por exemplo a retenção indevida de lucros. Assim, não havendo a observância do objetivo social e obtendo vantagem indevida, estará configurado o abuso do controlador.
O abuso do poder de controle encontra-se diretamente relacionado ao dever de lealdade, enquanto o conflito de interesses materialmente dá-se quando o acionista ou administrador toma voto em matéria na qual tem interesse conflitante com o da Companhia.
Transformação, Fusão, Cisão e Incorporação da sociedade
1. Transformação 
A transformação de sociedade é a forma de se alterar o tipo societário presente. Por se tratar de modificação do formado constitutivo em relação ao vínculo societário da pessoa jurídica anteriormente constituída, não se constitui em dissolução ou extinção da sociedade transformada e sim apenas de sua modificação para outro tipo societário, a exemplo de uma sociedade limitada que é transformada em uma sociedade anônima e vice-versa. 
Assim sendo, na expressão do código civil, juridicamente o ato de transformação independe
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