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Atlas de Técnicas de Bloqueios Regionais

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se relacionam com a cava e, 
anteriormente, com o peritôneo parietal e o pâncreas. 
Os pares de gânglios que formam o plexo celíaco 
não são simétricos e diferem no tamanho e na posição 
(Fig. 71). 
Técnica do Bloqueio 
Medicação pré-anestésica com hipnoanalgésicos 
não é recomendada. Se necessário pequenas doses 
de tranqüilizantes são 
injetados por via venosa durante o bloqueio. O 
paciente deve permanecer cooperativo e informando 
precisamente quanto a dor e outras sensações, que 
indicam a posição correta das agulhas após punção. 
Uma veia que permita infusão rápida de líquidos 
deve ser puncionada. 
As Figuras 72 e 73 ilustram o paciente colocado 
em decúbito ventral com um travesseiro sob as espi-
nhas ilíacas anterosuperiores para retificar a coluna 
lombar. 
Palpa-se os bordos cefálicos das apófises espinho-
sas da 12ª vértebra torácica e primeira lombar, que 
devem ser marcados. Localiza-se um ponto a cada lado 
do bordo inferior da 12ª costela, eqüidistantes 5 a 
7cm da linha média (medida com régua). A união 
36 
desses pontos forma um triângulo cuja altura não deve 
ultrapassar 2.5cm. As arestas do triângulo indicam a 
direção que as agulhas deverão ser introduzidas (Fig. 
73), esta dinâmica não deve ser ultrapassada para evitar 
punção renal. Esses pontos devem ser evidenciados pela 
fluoroscopia ou radiografia quando se indica 
neurolíticos. 
Infiltra-se a pele e os planos subjacentes na direção 
do trajeto a ser percorrido pela agulha com solução 
anestésica local em baixa concentração para evitar 
bloqueio das raízes nervosas somáticas, que passam 
pelos buracos de conjugação. O bloqueio inadvertido 
destas fibras é indesejável, especialmente quando se usa 
neurolíticos. 
A seguir, introduz-se a agulha (200x10 ou 150x10), 
lentamente, com ângulo de 45° em relação à pele, em 
direção ao vértice do triângulo, no sentido da 
profundidade, buscando a parte média do corpo da 1ª 
vértebra lombar. Uma vez tocada a superfície óssea, 
corrige-se o ângulo da agulha até o máximo de 15° (Fig. 
74). Nas punções sucessivas, a agulha deixará de tocar o 
corpo vertebral, penetrando facilmente numa região sem 
resistência, devido a consistência do tecido. Deve ser 
avançada 1 a 2cm, observando-se a agulha, que poderá 
oscilar com os batimentos da aorta, nas punções do lado 
esquerdo. Caso esta seja perfurada inadvertidamente, a 
agulha é recuada até que o sangue deixe de exteriorizar-
se e, reintroduz-se alguns milímetros. Procede-se da 
mesma forma, caso a cava seja puncionada do lado 
oposto (Fig. 75), o que é menos freqüente. 
A distância percorrida entre a pele no ponto de 
punção, e a região onde se aloja o plexo celíaco, é de 8 a 
l0 cm nos adultos. Essa região é constituída por tecido 
areolar frouxo e gorduroso, oferecendo pouca resistência 
à injeção de ar ou líquido, sendo o sinal mais simples 
para identificação do espaço. 
A confirmação de que as agulhas estão posicio-
nadas corretamente é feita pela fluoroscopia e/ou com 
auxílio de raios-X (Posição póstero-anterior e lateral) 
(Fig. 76, 77). Este procedimento é obrigatório quando o 
bloqueio é realizado com neurolítico. 
Injetando-se através de cada agulha, pequena 
quantidade de contraste (2ml), as radiografias em perfil 
nos mostrarão as agulhas localizadas na frente do corpo 
vertebral de L1 e o contraste se difundindo pela região 
anterior aos corpos de T12, Ll, L2 (Fig. 78 e 79). Se 
houver refluxo do contraste em direção aos orifícios de 
conjugação, as posições das agulhas devem ser revistas. 
Nos bloqueios para patologias não cancerosas, para 
bloqueios prognósticos e posterior neurólise, o volume 
de solução anestésica deve ser de 15 a 20ml. Quando se 
vai realizar a neurólise com álcool a 50% (em solução 
de anestésico local de ação prolongada), emprega-se 
volume total de 50ml. 
Aspira-se as agulhas e injeta-se 1 a 2ml da solução. 
Na maioria dos casos o paciente acusa dor em 
queimação de grande intensidade e desconforto na 
região epigástrica. Repete-se a dose no lado oposto, 
37 
Fig. 73: As arestas do triângulo indicam a direção das agulhas ao 
serem introduzidas. 
Fig. 74: Correção do ângulo da agulha, máximo de 15 graus. 
esperando uma resposta não tão intensa. A dor em 
queimação determinada pelo neurolítico desaparece-
em segundos, sendo substituída por sensação de alívio 
da dor que gerou a indicação do bloqueio. O restante 
da solução é injetado lentamente, em doses fracio-
nadas de 5ml, testando-se a cada dose, a sensibilidade 
e a motricidade dos membros inferiores. Com fre-
qüência, ocorre durante a injeção, refluxo de solução 
pela outra agulha. Isto nos leva a questionar a necessi-
dade de duas punções (Fig. 80). 
Imediatamente antes de retirar as agulhas, inje-
ta-se 3ml de ar para eliminar o restante da solução, 
que tende a refluir e evita-se neurites pela introdução 
de neurolítico na musculatura esquelética ou nervo 
somático.. 
Coloca-se o paciente em decúbito dorsal e apre-
cia-se suas condições vitais. 
Variantes desta técnica têm sido desenvolvidas 
com a tomografia computadorizada. 
38 
Fig. 75: Relação do gânglio celíaco com a aorta e a cava.
 
Avaliação do Bloqueio 
O início da analgesia é rápido. Com o álcool a 
50%, a degeneração ocorre gradualmente, com efeito 
máximo no quarto dia. Na maioria dos casos há 
alívio total ou parcial da dor, menor incidência de 
náuseas e vômitos, melhora do estado geral e diminui-
ção da necessidade de analgésicos ou hipnoanalgé-
sicos. Estes efeitos persistem por semanas ou meses. 
Complicações 
As complicações podem ser funcionais, vascu-
lares, neurológicas ou decorrentes da punção de vísce-
ras torácicas ou abdominais. Estas assumem maior 
gravidade quando se usa neurolítico. 
A mais freqüente complicação é a hipotensão 
arterial, pelo bloqueio simpático e conseqüente vaso-
dilatação e seqüestro de sangue na área esplâncnica. 
Os pacientes idosos, arterioscleróticos, desidratados 
e depauperados por moléstias cancerosas não com-
pensam a hipotensão, notadamente quando adquirem 
posição ortostática. Infusão de solução de Ringer-
lactato, vasopressores e até sangue, por vezes, são 
necessários. Meias elásticas e repouso são recomen-
dados. 
Diarréia nas primeiras horas é relativamente fre-
qüente. Estado de discreta embriaguez pela absorção 
do álcool tem sido notado. As punções vasculares 
são comuns, por isso preconiza-se nunca injetar solu-
ções sem antes aspirar. Os hematomas pela punção 
de vasos não contra-indicam a execução da técnica. 
Os bloqueios subaracnóideo, peridural ou de raí-
zes somáticas são raros, mas justificam o máximo cui-
dado. 
Durante a punção, o encontro da agulha com o 
corpo vertebral elimina a possibilidade de punção 
renal e vias urinárias. Entretanto, há possibilidades 
remotas de punções pulmonares e das adrenais. 
Os neurolíticos irritam os tecidos e podem causar 
dor lombar intensa com conseqüente ansiedade e des-
conforto nas primeiras 24h. Nos casos de muita dor 
e ansiedade, pode-se recomendar bloqueio peridural 
simples com anestésico local de duração longa. Fig. 80: Injeção da solução anestésica por uma das 
agulhas, (vide texto). 
39 
Bloqueio Simpático Lombar 
 AS Oliveira, TSA & CA Sanchez, TSA 
Fig. 81: Posição mais comum dos gânglios 
simpáticos lombares. 
Considerações Anatômicas 
A cadeia simpática lombar apresenta anatomia 
variável quanto a sua localização, tamanho, número, 
forma dos gânglios e disposição das fibras. Localiza-se 
classicamente na face ântero-lateral dos corpos verte-
brais, numa região delimitada posteriormente pela 
superfície óssea da coluna vertebral, pelo músculo 
psoas com seu revestimento aponeurótico e, ante-
riormente, pela fascia retroperitoneal. Há normal-
mente quatro gânglios que apresentam dimensões 
aproximadas de lcm

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