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Atlas de Técnicas de Bloqueios Regionais

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Pereira, TSA 
Considerações Anatômicas 
O nervo oftálmico é o menor dos três ramos do 
trigêmeo e se divide imediatamente antes de penetrar na 
órbita dando origem aos nervos frontal, lacrimal e 
nasociliar. 
O nervo frontal é a maior divisão do nervo oftálmico e 
entra na órbita, juntamente com os dois outros ramos, 
pela fissura orbitária superior. Prossegue então, anterior-
mente, pelo teto da órbita, entre o cone muscular e o 
periósteo, acima do elevador da pálpebra. Divide-se 
um pouco antes do ápice da cavidade orbitária em um 
pequeno ramo, o nervo supratroclear e no seu principal 
ramo, o nervo supraorbitário (Fig. 6). 
O nervo supratroclear corre para frente, medialmente 
ao nervo supraorbitário, abandonando a órbita no seu 
ângulo súpero-interno, entre a tróclea e o músculo oblí-
quo superior e o forame supraorbitário. Curva-se então, 
para cima, entre o músculo orbicular e o osso frontal, 
dividindo-se em ramos que se espalham pela parte mediai 
Fig. 6- (1) Nervo Supraorbitário e 
(2) Nervo Supratroclear. 
07 
Fig. 7 - Área de analgesia do bloqueio 
dos nervos supraorbitário e 
supratroclear bilateral. 
e inferior da fronte. Na margem da órbita, emite filamen-
tos para a pele e conjuntiva da pálpebra superior. Forma 
ainda um arco anastomótico com um ramo do nervo 
infratroclear a nível da região lateral e superior do 
nariz. O nervo supraorbitário divide-se antes da borda da 
órbita em dois ramos: o mediai e o lateral. O ramo lateral 
é maior e sai da cavidade orbitária pelo forame ou 
incisura supraorbitária, envia ramos para a pálpebra 
superior, seguindo trajeto ascendente junto com a artéria 
supraorbitária. Os dois ramos do nervo supraorbitário 
distribuem-se pela região frontal (exceto a parte central e 
inferior) e couro cabeludo, chegando quase à sutura 
lambdóide, além do plano coronário. Fornecem ainda 
inervação à mucosa do seio frontal e pericrânio. 
Área de Analgesia 
A área anestesiada pelo bloqueio dos nervos supraor-
bitário e supratroclear encontra-se ilustrada na figura 7. 
A região suprida pelo nervo supratroclear engloba a 
parte mediai da pálpebra superior, incluindo a conjunti-
va tarsal e um pequeno triângulo na porção central e infe-
rior da testa. 
A área do nervo supraorbitário é bem mais extensa, 
 
Fig. 8 e 9 - Bloqueio do nervo supratroclear. 
cobrindo quase toda a pálpebra superior (com a 
conjuntiva também), a região frontal exceto o triângulo 
mencionado e o couro cabeludo até o plano coronário, 
ou um pouco além. 
Técnica do Bloqueio 
O nervo supratroclear pode ser bloqueado 
introduzindo-se uma agulha fina (25x6 ou 13x4,5) por 
debaixo da borda da órbita, a nível do seu ângulo súpero-
interno, parando-se imediatamente acima da tróclea do 
músculo oblíquo superior. Injeta-se neste ponto 1 a 1,5 
ml de solução anestésica com vasoconstritor. E 
recomendada a compressão digital do local para melhor 
dispersão da solução anestésica (Figs. 8 e 9). 
Para bloqueio do nervo supraorbitário toma-se como 
ponto de referência o forame do mesmo nome, que pode 
ser facilmente palpado na borda superior da órbita, a 2,5 
cm da linha média, sobre um plano vertical que passa pela 
pupila, estando o paciente olhando para frente. 
Introduz-se nesse ponto uma agulha fina, e sem 
necessidade de se obter parestesias, injeta-se 1 a 1,5 ml 
de solução. A compressão digital da região permite o 
bloqueio do seu ramo mediai sem nova infiltração 
(Figs. 10, 11 e 12). 
Os ramos dos dois nervos podem também ser 
bloqueados por uma infiltração do campo pelo 
subcutâneo seguindo um plano horizontal 
imediatamente acima da sobrancelha e da raiz do nariz. 
Utiliza-se nesse caso 3 a 6 ml da solução anestésica com 
vasoconstritor. 
Indicações 
Incluem procedimentos cirúrgicos na área de analgesia 
desses nervos, como suturas de ferimentos, retirada de 
tumores ou outras lesões. O bloqueio direto dos troncos 
nervosos é vantajoso sobre a infiltração do ferimento ou 
lesão, por ser menos doloroso, exigir menor quantidade 
de anestésico local e evitar o entumecimento dos tecidos 
no local a ser manipulado. 
O bloqueio é útil também no diagnóstico de localiza-
ção de "zonas de disparo" no campo de distribuição do 
nervo trigêmeo, nos casos de nevralgia. 
Contra-Indicações 
Pela situação superficial desses nervos nos pontos de 
bloqueio e pela mínima quantidade de anestésico local re-
querida, as contra-indicações são muito poucas, incluin-
do os casos de infecção ou lesões nos locais de punção. 
Fig. 10 - 11 e 12 - Bloqueio do nervo supraorbitário. 
09 
Bloqueio do 
 Nervo Infraorbitário 
 L. San'tAna, TSA 
Considerações Anatômicas 
O nervo infraorbitário é o ramo terminal do nervo ma-
xilar. Passa a ter esse nome quando o nervo maxilar pene-
tra na cavidade orbitária através da fissura orbital infe-
rior. Imediatamente após a sua saída pelo forame 
infraorbitário ele se divide em três ramos (Fig. 13). 
1. Ramo para a pálpebra inferior que vai inervar a 
conjuntiva e a pele da pálpebra inferior, e se junta com 
os nervos facial e zigomaticofacial perto do ângulo 
lateral do olho. 
2. Ramo nasal lateral que vai inervar a pele do lado do 
nariz e a parte móvel do septo nasal, juntando-se com o 
ramo nasal externo do nervo etmoidal anterior. 
3. Ramo para o lábio superior que vai inervar a porção 
anterior da pele da face, a pele do lábio superior, a 
mucosa da boca e a glândulas labiais. Junta-se com 
ramos do nervo facial e com eles forma o plexo 
infraorbitário. 
Após a sua saída da fissura infraorbitária, aproxima-
damente a 2 cm, antes do forame infraorbitário, o nervo 
infraorbitário emite o nervo alveolar superior anterior. 
Este nervo passa imediatamente por dentro da parede an-
terior do antro de Highmore e contribui com os nervos 
alveolares superiores mediano e posterior, para a 
formação do plexo alveolar superior. O nervo alveolar 
superior anterior é sensitivo para os dentes frontais 
(incisivos e caninos). Para o seu bloqueio a solução 
anestésica deve ser depositada dentro do canal 
infraorbitário. 
O forame infraorbitário está situado 0,5 a 1 cm abaixo 
da margem inferior da órbita, na parte superior da fossa 
canina. Quando um dedo é colocado ao longo da mar-
gem inferior da órbita e abaixo dela, a depressão canina é 
sentida. O forame infraorbitário está situado nesta de-
pressão imediatamente abaixo da margem orbitária (Fig. 
14). 
O forame infraorbitário, a chanfradura 
supraorbitária (algumas vezes é um forame) e o forame 
mentoniano estão situados em uma linha, a 
aproximadamente 2,5 cm da linha média da face. O 
terceiro pode ser localizado se a posição dos outros 
dois é conhecida. 
O forame infraorbitário permite a passagem de uma 
agulha por dentro do canal infraorbitário. Este canal está 
direcionado 45 graus para cima e para trás e 20 a 25 graus 
externamente. Varia em 1 a 1,5 cm de comprimento. Ele 
se comunica com a cavidade orbitária da qual é separado 
pelo periósteo ou por uma fina membrana óssea. Ele con-
tinua para trás pela ranhura infraorbitária que forma 
uma depressão no assoalho da órbita onde se situa o ner-
vo maxilar. 
Se a agulha for introduzida mais que 1 cm dentro do 
canal infraorbitário, ela passa a cavidade orbitária, e se 
for mais ainda, pode penetrar e ferir estruturas vitais. 
Técnicas do Bloqueio 
Via Extraoral: A parte superior da fossa canina é loca-
lizada acima do forame infraorbitário pela colocação do 
dedo indicador esquerdo na fossa. A agulha é introduzi-
da em um ponto da face, localizado 0,5 -1 cm lateralmente 
à porção média da asa do nariz (Fig. 14). Assim que a 
agulha passa pelo forame infraorbitário, ela é dirigida pa-
ra cima, para trás e lateralmente no plano axial do dedo 
indicador. Logo que é feito o contato com a maxila,

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