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Aulas de Urgências e Emergências MED PUCPR

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URGÊNCIAS E 
EMERGÊNCIAS 
Taynara Lopes 5º Período 
Taynara Lopes 
 
1 
 
AULA 1 
REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR 
 As paradas cardiorrespiratórias podem ocorrer dentro e fora do hospital e as condutas serão diferentes para 
cada uma delas. 
No caso de um atendimento na rua, em um parque, um local público aberto, isso é um atendimento de 
parada extra-hospitalar, ou seja, não existe monitorização, enfermeiros, nem uma equipe preparada. Nessa situação a 
primeira coisa a se fazer é chamar ajuda. Em seguida, devemos iniciar a reanimação o mais rápido possível; 
havendo a existência de um desfibrilador, realizar a desfibrilação rapidamente também. O serviço de emergência 
deve levar o paciente o mais rápido possível para o hospital, que em seguida deve ser internado para receber o 
suporte necessário. 
 
Já no caso de uma parada cardíaca dentro do hospital, os procedimentos são diferentes. A primeira ação da 
parada cardíaca dentro do hospital e a mais importante não é atender imediatamente, mas sim prevenir a ocorrência 
de paradas e isso tem relação com a qualidade do serviço hospitalar. Se mesmo atuando na prevenção ocorrer uma 
piora do quadro do paciente dentro do hospital, o time de resposta rápida deve ser acionado imediatamente para 
que medidas sejam tomadas (mesmo que o médico tenha constatado a piora do quadro ou uma parada, ele não deve 
fazer o atendimento sozinho, ele deve acionar o time de resposta rápida para a eficiência desse trabalho). 
 
Se acontecer a parada cardiorrespiratória a coisa mais importante dentro ou fora do hospital é chamar ajuda e 
não começar a reanimação imediatamente ou sozinho. Dentro do hospital significa acionar o time de resposta rápida 
e fora do hospital significa chamar a ambulância, ligar para 192 e, depois disso, se o paciente realmente estiver em 
parada, começar a ressuscitação. Dentro do hospital, imediatamente será feita a desfibrilação do paciente e os 
cuidados de UTI. No ambiente extra-hospitalar fazemos RCP enquanto a ajuda não chega. Então, é sempre importante 
lembrarmos que não devemos fazer a RCP sozinhos, sem auxílio, seja da equipe socorrista do 192 ou do time de 
resposta rápida do hospital; isso define a cadeia de sobrevivência. 
Taynara Lopes 
 
2 
 
Cadeia intra-hospitalar Cadeia extra-hospitalar 
1. Chamar ajuda 1. Vigilância e prevenção da parada 
2. Fazer a reanimação rapidamente 2. Acionar o time de resposta rápida do hospital 
3. Desfibrilar rapidamente 3. RCP 
4. Serviço de emergência deve levar o paciente 
para um hospital o mais rápido que puder 
4. Desfibrilar 
5. Internamento para medidas hospitalares 5. Executar medidas de emergência necessárias 
 
Suporte básico de vida 
Quando você encontra uma pessoa desmaiada, não significa necessariamente que ela esteja em parada, 
apenas que não está responsiva. Nessa situação, a primeira coisa que devemos fazer é chamar a pessoa para ver se ela 
responde; se não responder, o próximo passo é chamar a ajuda e, em seguida, checar o seu pulso. Não checamos o 
pulso antes de chamar ajuda porque se não houver pulso, devemos começar a reanimação e não poderíamos chamar 
a ajuda. Depois de chamar ajuda e verificarmos que a pessoa está sem pulso, devemos começar as compressões 
torácicas. Ao checar a responsividade do paciente já conseguimos perceber se o paciente está respirando ou não, 
então não existe um momento exclusivo para checar sua respiração. Outra maneira é que checando o pulso já vemos 
se o paciente está respirando também. 
A ordem de ações no suporte básico de vida do paciente em parada cardiorrespiratória segue o mnemônico 
CABD. Na presença de responsividade (C), partimos para o ABC do trauma normalmente, mas na ausência de 
responsividade devemos iniciar as compressões, pois de nada adianta iniciar uma medida de ventilação sem 
batimentos cardíacos. 
C: checar responsividade  chamar ajuda  checar pulso carotídeo  iniciar compressões torácicas. Na 
responsividade devemos mexer no paciente, chama-lo, perguntar se ele está ouvindo, verificar sua respiração... Se o 
paciente estiver em gasping, não significa necessariamente que ele está vivo e respirando; devemos chamar ajuda 
imediatamente nessa situação. Chamar ajuda é entrar em contato com o 192 e conseguir um desfibrilador o mais 
breve possível. Na checagem do pulso, se ele estiver ausente, devemos começar as compressões cardíacas. Se 
estivermos na dúvida se o paciente tem pulso ou não, começamos a massagem também por precaução. Assim, 
devemos iniciar a reanimação quando necessária, mesmo que estejamos sozinhos. Checamos o pulso por 5 a 10 
segundos, lembrando que sempre deve ser o carotídeo ou o femoral, que são pulsos centrais, pois se o paciente 
estiver em parada, seus pulsos periféricos estarão ausentes (de nada adianta checar a radial!). Outro aspecto 
importante é que nunca devemos checar os dois lados do pulso ao mesmo tempo; um de cada vez. Depois de 10 
segundos já devemos iniciar a medida de acordo com o que acharmos de resultado. Se o pulso está ausente, o 
paciente está em parada cardiorrespiratória; devemos imediatamente iniciar as compressões torácicas e a ventilação, 
mas sempre dando preferência às compressões. A reanimação consiste na realização de compressões torácicas e 
suporte ventilatório ao paciente sem pulso e sem respiração. Se o paciente está extubado, as compressões devem 
seguir a ordem 30:2 – 30 compressões e 2 ventilações. Isso deve ser feito ininterruptamente até chegar ajuda. Se o 
paciente já está intubado (dentro do ambiente hospitalar ou após a chegada do socorro), fazer somente a compressão 
por 2 minutos seguindo o mesmo ritmo; outra pessoa estará responsável pela ventilação, que segue o ritmo de 1 a 
cada 6 segundos. Então, no paciente extubado, a gente para de fazer a compressão para fazer a ventilação, enquanto 
que no paciente intubado, ambas devem ser feitas simultaneamente e por pessoas diferentes. As compressões devem 
seguir a velocidade de 100-120 por minuto – quanto mais, NÃO é melhor. O importante é o quanto vamos afundar o 
tórax do paciente e qual é o retorno dele após as contrações, pois se não houver retorno, não existe circulação. Assim, 
elas devem ser fortes e vigorosas, o suficiente para deprimir de 5 a 6 cm o tórax do paciente. Devemos sempre estar 
em cima do paciente, com uma mão em cima da outra, com dedos entrelaçados e com 
os braços esticados, posicionados na parte inferior do esterno – o seu tronco deve fazer a 
compressão e não o seu cotovelo. Deve se minimizar interrupções na RCP somente para 
ventilação e uso do DEA – tempo este que não deve ser superior a 10 segundos. 
Respiração em gasping: significa que o paciente está em angústia respiratória, com 
movimentos assincrônicos e não efetivos, não configurando movimentos 
respiratórios; é um ritmo respiratório de pré-parada cardíaca. 
Taynara Lopes 
 
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A: abrir vias aéreas. Se o paciente desmaiado tiver com pulso, mas não estiver respirando (ou estiver em 
gasping), ele está em parada respiratória. Nesse caso, devemos achar meios de ventilar o paciente e não fazer 
compressão torácica. Ou seja, devemos abrir vias aéreas a partir de manobras como elevação da cabeça e da 
mandíbula. A elevação do queixo é essencial, mas não podemos fazê-la em casos de acidentes em que há suspeita de 
lesão cervical medular. Além disso, a tração da mandíbula deve ser feita em qualquer paciente. 
B: depois de abrir as vias aéreas, devemos iniciar a ventilação do paciente em parada respiratória (lembrar 
que isso é feito no paciente que tem pulso! Se o paciente não tiver pulso, devemos iniciar as compressões primeiro). 
Se não houver acesso a um ambu, devemos fazer a ventilação por técnica boca-a-boca. No paciente intubado, o ritmo