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Direito Processo Penal   Renato Brasileiro

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de ofício, sob pena de evidente violação ao princípio do devido processo legal e a garantia da imparcialidade do Juiz.	Comment by Everton: Art. 156.  A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício:I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. 
ATENÇÃO
No âmbito dos juizados especiais criminais busca-se uma verdade consensual, ou seja, a pacificação social é alcançada pela convergência das vontades das partes. Não se busca uma simples condenação, isto é, nos juizados especiais a intenção é promover a pacificação social por meio de medidas despenalizadoras, em que a parte ofendida e o ofensor saiam satisfeitos com a atuação do judiciário.
Princípio do juiz natural
Pode ser compreendido como o direito que cada cidadão tem de saber, previamente, a autoridade que irá processá-lo e julgá-lo, caso venha a praticar uma conduta definida como infração penal pelo ordenamento jurídico. Visa a assegurar que as partes sejam julgadas por um juiz imparcial e independente.
Princípio do duplo grau de jurisdição
Deve ser entendido como a possibilidade de um reexame integral da decisão do juízo a quo a ser confiado a órgão jurisdicional diverso do que a proferiu e de hierarquia superior na ordem judiciária.
No ordenamento pátrio, esse duplo grau de jurisdição é exercido, em regra, pelo recurso de apelação, cuja interposição pode devolver ao juízo ad quem o conhecimento de toda matéria de fato e de direito apreciada na instância originária.
LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO
Enquanto à lei penal aplica-se o princípio da territorialidade (Art. 5º do CP) e da extraterritorialidade incondicionada e condicionada (Art. 7º do CP), o CPP adota o princípio da territorialidade ou da lex fori.	Comment by Everton: Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.
Se um ato processual tenha que ser praticado no exterior, v.g., citação, intimação, interrogatório, a lei processual penal a ser aplicada é a do país aonde tais atos venham a ser realizados.
Art. 1º do CPP. Como se percebe, por conta de tratados ou convenções que o Brasil haja firmado, ou mesmo em virtude de regras de Direito Internacional, a lei processual penal deixa de ser aplicada aos crimes praticados por certos agentes no território nacional, criando-se, assim, verdadeiro obstáculo processual à aplicação da lei processual brasileira (imunidades).	Comment by Everton: Art. 1o O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código, ressalvados:I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional;II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2o, e 100);III - os processos da competência da Justiça Militar;IV - os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, no 17);V - os processos por crimes de imprensa. Vide ADPF nº 130Parágrafo único.  Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos nos. IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso.
CUIDADO
Apesar de não haver expressa disposição legal, os crimes eleitorais também dispõem de procedimento próprio para sua apuração.
LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO
O Art. 2º do CPP consagra o denominado princípio do tempus regit actum.	Comment by Everton: Art. 2o  A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.
Incide no processo penal o princípio da aplicabilidade imediata, no sentido de que a norma processual aplica-se tão logo entre em vigor, sem prejuízo da validade dos atos já praticados anteriormente. Portanto, ao contrário da lei penal, que leva em conta o momento da prática delituosa (tempus delicti), a aplicação imediata da lei processual leva em consideração o momento da prática do ato processual (tempus regit actum). A lei processual é irretroativa.
Têm-se dois efeitos práticos:
Os atos praticados sob a vigência da lei anterior são considerados válidos;
As normas processuais têm aplicabilidade imediata, regulando o desenrolar restante do processo.
IMPORTANTE
Doutrina e jurisprudência têm feito uma subdivisão das normas processuais:
Normas genuinamente processuais – são aquelas que cuidam de procedimentos, atos processuais, técnicas do processo. A elas se aplica o Art. 2º do CPP;
Normas processuais materiais ou mistas – são aquelas que abrigam naturezas diversas, de caráter penal e de processual penal. Ocorre quando um dispositivo legal, embora inserido em lei processual, versa sobre regra penal, de direito material, a ele serão aplicáveis os princípios que regem a lei penal, de ultratividade e retroatividade da lei mais benigna.
ASPECTOS GERAIS DA LEI PROCESSUAL PENAL
A lei processual penal nasce como todas as demais leis, ou seja, deve ser proposta, discutida, votada e aprovada pelo Congresso Nacional. Após aprovada, deve ser promulgada, sancionada pelo Presidente e publicada.
Aplica-se a lei processual penal o Art. 1º da LINDB.	Comment by Everton: Art. 1o  Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada.§ 1o  Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada.
Uma vez em vigor, a lei processual penal vigora formalmente até que seja revogada por outra (Art. 2º da LINDB).	Comment by Everton: Art. 2o  Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1o  A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
IMPORTANTE
Art. 3º do CPP.	Comment by Everton: Art. 3o  A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito.
INQUÉRITO POLICIAL
Conceito
É o procedimento administrativo, inquisitório e preparatório presidido pela autoridade policial, consistente em um conjunto de diligências objetivando a identificação das fontes de prova e a colheita de elementos de informação quanto à autoria e à materialidade do delito, a fim de possibilitar que o titular da ação penal possa ingressar em juízo.
ATENÇÃO
Termo Circunstanciado – criado pela Lei dos Juizados. Art. 69 da Lei 9.099/95. O Termo Circunstanciado deve ser utilizado apenas para infração de menor potencial ofensivo (IMPO).	Comment by Everton: Art. 69. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários.
Infração de menor potencial ofensivo – são todas as contravenções penais e os crimes com pena máxima não superior a 02 (dois) anos, cumulada ou não com multa, submetidos ou não a procedimento especial, ressalvados os crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher.
A Lei Maria da Penha tem um dispositivo expresso que afasta a violência contra a mulher do procedimento dos Juizados. Art. 41 da Lei 11.340/06.	Comment by Everton: Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995.
Natureza Jurídica
Tem natureza de procedimento administrativo, pois dele não resulta a imposição direta de nenhuma sanção.
Uma ilegalidade cometida no inquérito

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