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Direito Processo Penal   Renato Brasileiro

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funcional). Esse outro órgão do MP atua como LONGA MANUS DO PROCURADOR GERAL, ele age, portanto, por delegação (na prática tudo isso é resolvido com o chamado “PROMOTOR DO 28” – Rogério Greco).
Insistir no pedido de arquivamento, quando então o Juiz está obrigado a arquivar o inquérito.
Se o MP insistir no pedido de arquivamento, o Juiz será obrigado a arquivar.
Justiça Federal
Quem atua na Justiça Federal é o MPF. O Procurador da República pedirá o arquivamento do inquérito ao Juiz Federal. Se o Juiz não concordar com o arquivamento, ele mandará para a Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. A manifestação da Câmara é meramente opinativa. Depois de opinar, a CCR envia os autos ao PGR, porque na verdade a decisão compete ao Procurador Geral da República.
OBS: essa decisão final do PGR pode ser delegada à Câmara de Coordenação e Revisão do MPF.
Justiça Militar da União
Quem atua na Justiça Militar é o MPM. O MPM pedirá o arquivamento do inquérito ao Juiz AUDITOR. Se o Juiz auditor concordar com o arquivamento, ele é obrigado, mesmo assim, a mandar para o Juiz auditor corregedor. Se este Juiz auditor corregedor concordar com o pedido de arquivamento, significa que ele agora está arquivado. Se o Juiz auditor corregedor não concorda com o pedido de arquivamento, ele entrará com um recurso que será julgado pelo STM. Esse recurso será uma correição parcial. O STM vai julgar a correição parcial e se ele negar provimento à correição parcial significa que está arquivado. Mas se por acaso ele der provimento à correição parcial, os autos serão encaminhados a Câmara de Coordenação e Revisão do MPM. A decisão é meramente opinativa, porque quem na verdade irá julgar é o PGM.
Justiça Eleitoral
Quem atua na Justiça Eleitoral é o MP Estadual. O MP faz o pedido ao Juiz Estadual. Se este não concordar com o pedido de arquivamento, ele mandará os autos ao PRE (Procurador Regional Eleitoral) – nada mais é do que um Procurador Regional da República.
Hipóteses de atribuição originária do PGJ/PGR
Quando se tratar de atribuição originária do PGJ/PGR, na medida em que o Tribunal não tem como se insurgir contra esta decisão, não há necessidade de submetê-la à análise do Poder Judiciário, salvo nas hipóteses em que a decisão de arquivamento for capaz de fazer coisa julgada material.
Arquivamento implícito
Ocorre quando o MP deixa de incluir na denúncia algum fato delituoso ou algum corréu, sem se manifestar quanto ao arquivamento. Esse arquivamento implícito não é admitido nos Tribunais, devendo o Juiz devolver os autos ao MP para que se manifeste sobre o ponto omisso, sob pena de aplicação do Art. 28 (RHC 95141).
O MP pode denunciar apenas um dos acusados, porém terá que justificar o porquê de não ter denunciado o(s) outro(s) (princípio da divisibilidade).
Arquivamento indireto
Ocorre quando o promotor se recusa a oferecer denúncia por considerar o Juiz incompetente. Porém, o magistrado se dá por competente. Deve ser aplicado por analogia o Art. 28 do CPP.
Recorribilidade no arquivamento
Em regra não cabe recurso contra o arquivamento do inquérito policial, nem cabe ação penal privada subsidiária da pública.
Exceções:
Crimes contra a Economia Popular (Art. 7º da Lei 1.521/51). Há previsão de recurso de ofício “famoso reexame necessário”;	Comment by Everton: Art. 7º. Os juízes recorrerão de ofício sempre que absolverem os acusados em processo por crime contra a economia popular ou contra a saúde pública, ou quando determinarem o arquivamento dos autos do respectivo inquérito policial.
Nas contravenções de jogo do bicho e corridas de cavalo fora do hipódromo há previsão de recurso em sentido estrito (Art. 6º, parágrafo único da Lei nº 1.508/51);
Se o Juiz arquiva o inquérito de ofício, sem a iniciativa do MP cabe correição parcial.
Trancamento do inquérito policial
Quem vai buscar esse trancamento vai ser a pessoa que está sendo investigada. O instrumento a ser usado para conseguir o trancamento é o HC, mas desde que o delito possa resultar em pena privativa de liberdade.
Trancamento é o encerramento anômalo do inquérito policial, que ocorre diante da falta de justa causa (Delegado SP/2011).
Esse trancamento é uma medida de natureza excepcional, somente sendo admitido em 03 hipóteses:
Manifesta atipicidade formal ou material da conduta delituosa;
Quando estiver extinta a punibilidade;
Instauração de inquérito em crime de ação penal privada ou crime de ação penal pública condicionada à representação sem prévio requerimento do ofendido ou de representante legal.
Investigação pelo Ministério Público
	ARGUMENTOS FAVORÁVEIS
	ARGUMENTOS DESFAVORÁVEIS
	Teoria dos poderes implícitos: a Constituição, ao conceder uma atividade fim a um determinado órgão ou instituição, implícita e simultaneamente, concede a ele todos os meios necessários para atingir esses objetivos. Logo, se o MP é o titular da ação pública deve se outorgar a ele os meios necessários para formar seu convencimento;
Não há violação ao sistema acusatório, pois os elementos colhidos pelo MP terão o mesmo valor daqueles colhidos em um Inquérito Policial;
Procedimento investigatório criminal: é o instrumento de natureza administrativa e inquisitorial instaurado e presidido pelo MP com a finalidade de apurar a ocorrência de infrações penais de natureza pública, fornecendo elementos para o oferecimento ou não da denúncia. Res. 13 do CNMP.
	Atenta-se contra o sistema acusatório, pois se cria um desequilíbrio entre a acusação e defesa;
A Constituição Federal dotou o MP do poder de requisitar diligências ou de instaurar o inquérito policial, mas não a atribuição para presidir as investigações;
A atividade investigatória é exclusiva da polícia judiciária;
Falta de previsão legal destas investigações e de instrumento para tais investigações.
POSIÇÃO JURISPRUDENCIAL
STJ – favorável (Súmula 234);	Comment by Everton: A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.
STF – sinalização no sentido de admitir (INQ 1968), (HC 91661; HC 89837).	Comment by Everton: ARTIGO
Relativamente à possibilidade de o Ministério Público promover procedimento administrativo de cunho investigatório, asseverou-se, não obstante a inexistência de um posicionamento do Pleno do STF a esse respeito, ser perfeitamente possível que o órgão ministerial promova a colheita de determinados elementos de prova que demonstrem a existência da autoria e da materialidade de determinado delito. Entendeu-se que tal conduta não significaria retirar da Polícia Judiciária as atribuições previstas constitucionalmente, mas apenas harmonizar as normas constitucionais (artigos 129 e 144), de modo a compatibilizá-las para permitir não apenas a correta e regular apuração dos fatos, mas também a formação da opinio delicti. Ressaltou-se que o art. 129, I, da CF atribui ao parquet a privatividade na promoção da ação penal pública, bem como, a seu turno, o Código de Processo Penal estabelece que o inquérito policial é dispensável, já que o Ministério Público pode embasar seu pedido em peças de informação que concretizem justa causa para a denúncia. Aduziu-se que é princípio basilar da hermenêutica constitucional o dos poderes implícitos, segundo o qual, quando a Constituição Federal concede os fins, dá os meios. Destarte, se a atividade-fim — promoção da ação penal pública — foi outorgada ao parquet em foro de privatividade, é inconcebível não lhe oportunizar a colheita de prova para tanto, já que o CPP autoriza que peças de informação embasem a denúncia. Considerou-se, ainda, que, no presente caso, os delitos descritos na denúncia teriam sido praticados por policiais, o que, também, justificaria a colheita dos depoimentos das vítimas pelo Ministério Público. Observou-se, outrossim, que, pelo que consta dos autos, a denúncia também fora lastreada em documentos (termos circunstanciados) e em depoimentos prestados por ocasião das audiências preliminares realizadas no Juizado especial

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