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Patologia Geral Veterinária - Resumo

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Estudo para a Prova 1 de Patologia Geral 
Profªs: Josiane Bonnel, Fabiane Grecco e Cristina Gevehr 
Graduanda: Betina M. Keidann – Medicina Veterinária – UFPel 
 
PARTE 1: PROFESSORA JOSIANE 
AULA 1 - TERMINOLOGIA BÁSICA 
1. Agentes etiológicos: Produzem alterações bioquímicas, fisiológicas e morfológicas. 
Classificação: 
 Intrínsecos: Modificações na hereditariedade e na embriogênese e no genoma; Erros metabólicos inatos; 
Disfunções imunológicas (autoimunidade, hipersensibilidades, imunossupressão); Distúrbios circulatórios; 
Distúrbios nervosos e psíquicos; Envelhecimento. 
 Extrínsecos: Físicos (Temperatura; Eletricidade; radiações; sons e ultrassons; magnetismo, gravidade e 
pressão); químicos podem ser exógenos (Inorgânicos - Ácidos, bases, metais pesados; e Orgânicos - 
Toxinas, venenos, organo-sintéticos) e endógenos (Hormônios, catabólitos, enzimas, anticorpos). 
 Infecciosos: Agentes acelulares (príons, viróides e vírus), Unicelulares (Células procarióticas: clamídias, 
micoplasmas, rickettsias, bactérias ou Células eucarióticas: fungos, protozoários), ou ainda Multicelulares 
(helmintos, artrópodes). 
 
2. O que é etiologia? Causa das lesões. 
3. O que é patogenia? Mecanismo de formação das lesões. É o termo usado para descrever o 
desenvolvimento da doença ou da lesão. 
4. O que é morfopatologia? Macro e Micro. 
5. O que é fisiopatologia? Parte da patologia que se dedica ao estudo das alterações da função de órgãos 
lesados. 
6. O que é lesão? Anormalidade no tecido. Alteração morfológica e funcional do tecido ou órgão que 
ocorre na doença. 
LESÕES REGRESSIVAS: atrofia, hipoplasia, degeneração, necrose 
LESÕES PROGRESSIVAS: hipertrofia, hiperplasia, inflamação, regeneração, cicatrização e neoplasia. 
LESÕES CIRCULATÓRIAS: hiperemia, congestão, edema, hemorragia, trombose, embolia, isquemia, 
infarto. 
LESÕES PATOGNOMÔNICAS: lesão especial, característica de determinada doença. Ex: corpúsculo de 
Negri (SNC). 
Morte: Parada definitiva e irreversível dos processos metabólicos, das funções orgânicas e das atividades 
vitais. A morte pode afetar parcial ou totalmente o organismo: 
 Morte Geral ou Somática ou Clínica: Afetando "in toto" o organismo 
 Morte Programada ou Apoptose: Afetando células individualizadamente 
 Morte Celular Acidental ou Morte Tissular ou Necrose: Afetando células ou grupo de células 
Autólise: autodestruição celular por ativação das lisozimas em decorrência da falta de nutrientes e O2. É a 
desorganização progressiva até a desintegração completa. 
 
AULA 2 - ALTERAÇÕES CADAVÉRICAS – São as alterações observadas num cadáver que tenham ocorridas 
in vivo. 
Importância: diferenciar das lesões produzidas em vida e estimar a hora da morte em medicina legal. 
Classificação: 
 Alterações Cadavéricas Abióticas – não modificam o cadáver em seu aspecto geral. São alterações 
que ocorrem logo após a constatação da morte clínica, antes da proliferação bacteriana. São aquelas que 
não modificam o cadáver no seu aspecto geral. Ainda não ocorreram as alterações transformativas ou 
bióticas. 
 Imediatas: Morte Somática ou Clínica – Insensibilidade, Imobilidade, Parada das funções 
cardiorrespiratórias, Inconsciência, Arreflexia ou ausência de reflexos, 
SIGNIFICADO: “morte somática”, clínica ou geral. Neste caso algumas células do tecido ainda 
continuam vivas, o que possibilita os transplantes 
 Mediatas ou Consecutivas: Autólise - Autodigestão enzimática após a morte. Mecanismo: com a 
anóxia tecidual começam a ocorrer alterações bioquímicas celulares (diminuem o pH), aumentando 
a acidez tecidual o que causa lise celular. 
o Hipostase cadavérica 
o Frialdade cadavérica 
o Rigidez cadavérica 
o Coagulação sanguínea 
o Timpanismo pós-morte 
o Deslocamento, torção ou ruptura de vísceras 
o Pseudo-prolapso retal 
 
1. Hipostase cadavérica (livor mortis): É a acomodação gradual do sangue para o lado de decúbito do 
cadáver, por gravidade. Tempo: 2-4 horas, maior intensidade perto das 12 horas (mais evidente). 
2. Frialdade cadavérica (Algor mortis): Resfriamento gradual do cadáver, a temperatura corporal se iguala 
a temperatura ambiente. Tempo: 3-4 horas, depende dos fatores. 
3. Rigidez Cadavérica (Rigor mortis): Enrijecimento muscular do cadáver por um determinado tempo: por ↓ 
do glicogênio muscular, que ↓ ATP e aumenta o ácido lático (↓pH tecidual) e consequentemente ocorre a 
rigidez. Tempo: 2-4 horas, plenitude 12-15 horas. Estado nutricional do animal. Inicia nos músculos 
involuntários voluntários (coração; músculos respiratórios; mandibulares; da nuca; do tronco; dos 
membros anteriores e dos membros posteriores). 
4. Coagulação sanguínea (pós-morte): Os fatores de coagulação predominam sobre os anticoagulantes, 
em consequência a coagulação. Tempo: 2-8 horas. Depende da atividade enzimática. Após esse período 
os coágulos começam a se desfazer por hemólise. Há doenças que também provocam hemólise 
(diferenciar) antes das 8 horas. Ex: tristeza parasitaria. 
 Coágulos cruóricos: liso, brilhantes, elásticos, não aderentes as paredes cardiovasculares; de 
coloração vermelha. 
 Coágulos lardáceos: liso, brilhantes, elásticos, não aderentes as paredes cardiovasculares; de 
coloração amarelada (anemia/fase agônica no final da doença) - perda de hemácias. 
5. Timpanismo pós-morte: Ocorre distensão do estômago, intestino e abdome. Resultado da fermentação 
contínua das bactérias do tubo digestivo, principalmente do tubo intestinal. OBS.: Quando o timpanismo 
é em vida (timpanismo ante-mortem) há alterações circulatórias, onde o segmento rompido tem coloração 
diferente das normais. Tempo: 24 horas. 
6. Deslocamento, torção ou ruptura de vísceras: Deslocamento e ruptura do órgão sem alterações 
circulatórias (congestão, edema, hemorragia), então o órgão fica com a mesma coloração. 
7. Pseudo-prolapso retal: Ocorre exteriorização da ampola retal por consequência da grande quantidade 
de gás. Não ocorre alterações circulatórias. OBS.: Quando ocorre prolapso retal (em vida) há alterações 
circulatórias. Tempo: 24 horas. 
 
 Alterações cadavéricas transformativas ou bióticas: São aquelas que modificam o cadáver no seu 
aspecto geral. Ocorre multiplicação e invasão tecidual por bactérias saprófitas (produtoras de gás) que 
por serem anaeróbicas conseguem sobreviver após a morte do animal. Começa ocorrer acúmulo de gás 
ou de líquido, manchas no cadáver, etc... 
Heterólise - É a ação de enzimas proteolíticas dos germes saprófitas, geralmente oriundos do trato intestinal 
do animal. 
1. Pseudo-melanose (Manchas de putrefação): Manchas cinza-esverdeadas, irregulares na pele da região 
abdominal e órgãos vizinhos aos intestinos; 
2. Impregnação pela hemoglobina: Pelo mecanismo de hemólise ocorre a liberação de hemoglobina para 
os tecidos. É observada presença de manchas avermelhadas, principalmente em serosas (peritônio, 
pleura, omentos, mesentério). Esta impregnação não é visível em tecidos escuros. Tempo: 8 horas ou 
mais (após ocorrer o coágulo). 
3. Impregnação pela bile: Com a autólise a vesícula não retém os líquidos biliares, ocorrendo difusão de 
pigmentos biliares indo para os tecidos (fígado e tecidos vizinhos), dando a coloração amarelo-
esverdeada. Tempo: 8 horas após a morte. 
4. Enfisema cadavérico tecidual: Ocorre devido ao acúmulo de gás nos órgãos. Pela formação de bolhas 
gasosas nos tecidos em consequência da ação das bactérias saprófitas (produtoras de gás). Local: tecido 
subcutâneo, fígado, rins, órgãos internos abaixo das cápsulas. 
5. Maceração da mucosa digestiva: Ocorre desprendimento da mucosa do tubo digestivo, principalmente 
no caso de pré-estômago (ruminantes). Tempo: 24 horas. 
6. Putrefação/decomposição/heterólise: