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TCC   Uso da História da Matemática no Ensino

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que desenvolveu a fórmula da soma dos termos de uma Progressão Aritmética, quando um professor de matemática, com o intuito de manter seus alunos ocupados, deu uma tarefa um tanto diferente para seus alunos; ordenou que cada um deles realizassem a soma de todos os números, iniciando do 1 e finalizando no 100. Com certeza ele esperava que seus alunos passassem bastante tempo executando essa tarefa. Porém, foi uma grande surpresa para o professor, quando que em poucos instantes Gauss, que tinha aproximadamente 8 anos, deu a resposta correta. O professor ficou curioso e perguntou ao seu aluno como ele havia realizado o cálculo, Gauss respondeu que em uma observação ele percebeu que somando o primeiro número com o último, o resultado seria 101 (1+100). Se somasse o segundo com o penúltimo, também obteria 101 (2+99), e assim sucessivamente. Com isso, Gauss percebeu que, na verdade, somar todos os números de 1 a 100 correspondia a somar 50 vezes o número 101. E assim, ainda criança, Gauss criou a fórmula que hoje utilizamos para calcular a soma de alguns termos de uma Progressão Aritmética.
É muito comum, ao tentarmos resgatar as origens da geometria, encontrarmos que ela surgiu às margens do Rio Nilo, devido à necessidade de medir áreas das terras que seriam redistribuídas, depois de retraídas as águas das enchentes, entre todos os proprietários que haviam sofrido prejuízo. Podemos confirmar essa teoria nos escritos de Heródoto, datado do século V a.C, o qual relata que nas inundações do Rio Nilo, eram enviados pessoas, pelo rei Sesóstris, para realizar uma inspeção no terreno, e tentar deduzir o quanto foi reduzido das terras de cada indivíduo, para que pudesse ser realizada uma redução proporcional dos impostos cobrados.(ROQUE; PITOMBEIRA; 2012, p.49).
Ainda temos a história relatando que um dos primeiros matemáticos gregos, Talles de Mileto�, teria sido influenciado pelos mesopotâmios e egípcios, sendo que, um dos seus primeiros feitos foi o cálculo da altura de uma das pirâmides do Egito, a partir das semelhanças entre a relação da pirâmide e sua sombra. 
Esses são alguns exemplos de situações cotidianas, que se viram resolvidas por alguns conteúdos matemáticos, que foram desenvolvidos justamente para esse fim.
5. USO DA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA
Com base nos autores dos Parâmetros Curriculares Nacionais, a História da Matemática, se tratada como um conteúdo isolado torna-se insuficiente para contribuir com o processo de ensino aprendizagem da disciplina de Matemática. Porém, a apresentação de tópicos da História relacionada à Matemática em sala de aula, tem sido defendida por grande parte dos matemáticos, e historiadores de diferentes épocas, os quais “recorrem à categoria psicológica da motivação para justificar a importância de tal inclusão.” (MIGUEL; MIORIN; 2011, p. 16). Para esses autores, o conhecimento sobre a História da Matemática despertaria o interesse na mente dos alunos pelo conteúdo matemático ministrado em sala de aula. Alguns até se atrevem a dizer que a história consegue modificar a atitude do aluno com relação a matemática.
Apresentada em várias propostas como um dos aspectos importantes da aprendizagem matemática, por propiciar compreensão mais ampla da trajetória dos conceitos e métodos da ciência, a História da Matemática também tem se transformado em assunto específico, um item a mais a ser incorporado ao rol dos conteúdos, que muitas vezes não passa da apresentação de fotos ou biografias de matemáticos famosos. (BRASIL, 1998, p.23).
A importância da história no processo de ensino aprendizagem da matemática é defendida por um número muito grande de autores sobre o tema, por considerar que isso possibilita a desmistificação da disciplina de Matemática e o estímulo a não alienação do seu ensino. Sobre esse ponto de vista, eles acreditam que a forma lógica, pela qual o conteúdo matemático é transmitido ao aluno, não reflete o modo como esse conhecimento foi historicamente produzido; com isso caberia à história estabelecer uma ligação entre o mito e a lógica, finalizando com o pensamento de que, a matemática já se encontra acabada e não pode mais sofrer alterações.
(…) os cursos regulares de matemática são mistificadores num aspecto fundamental. Eles apresentam uma exposição do conteúdo matemático logicamente organizado, dando a impressão de que os matemáticos passam de teorema a teorema quase naturalmente, de que eles podem superar qualquer dificuldade e de que os conteúdos estão completamente prontos e estabelecidos (…). As exposições polidas dos cursos não conseguem mostrar os obstáculos do processo criativo, as frustrações e o longo e árduo caminho que os matemáticos tiveram que trilhar para atingir uma estrutura considerável. (KLINE; 1972, p. IX). 
Dessa maneira, podemos entender que, é possível buscar na história da matemática apoio para se atingir objetivos pedagógicos com os alunos, que os levem a perceber a matemática como uma criação humana.
Geralmente a História da Matemática é utilizada como uma forma apenas de informar ao estudante fatos, datas e nomes, servindo como recurso didático para iniciar conteúdos matemáticos ou complementar a explicação do professor. Trazer essas informações históricas pode servir não apenas para informar e complementar, mas também pode instigar a curiosidade do aluno e responder a vários de seus questionamentos, iniciando a caracterização dos valores didáticos da História da Matemática, dando condições para explicar como os conhecimentos matemáticos foram desenvolvidos, adquiridos, organizados de maneira intelectual e social, e ainda como foram difundidos da maneira que conhecemos atualmente.
Muitos autores nos mostram que o uso da História da Matemática em sala de aula pode assumir diversos papéis, como: 
a) “elemento mobilizador em salas de aulas numerosas ou com alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem”; 
b) na “educação de adultos, promovendo a oportunidade ao aluno de observar, ao longo da história, o esforço de pessoas para superar dificuldades semelhantes àquelas que eles possam vivenciar”; 
c) com alunos bem-dotados, que possam estar se sentido desestimulado perante a classe, satisfazendo ou dando resposta a questionamentos como: “o quê?”, “como?”, “quando?”;
d) “como estímulo ao uso da biblioteca”;
e) como humanizadora da Matemática, apresentando suas particularidades e figuras históricas; 
f) como articuladora da “Matemática com outras disciplinas como Geometria, História e Língua Portuguesa (expressão em linguagem, interpretação de texto, literatura)”; 
g) por meio da “dramatização ou produção de textos para sensibilizá-los sobre as realidades do passado e presente, apresentando as dificuldades e diferenças de cada época.” (BARONI; TEIXEIRA; NOBRE, 2004). 
Como o professor tem sua função amarrada a um currículo pré-estabelecido e que deve ser cumprido, ele pode tentar tender a algumas possibilidades alternativas para que a história da matemática faça parte da sua metodologia e se integre ao conteúdo ensinado. Podemos citar três exemplos; na primeira, a partir do conteúdo que terá que desenvolver, o professor pode solicitar que o estudante verifique por quem, quando, em que contexto, com que objetivo e como aquele conceito ou modelo foi gerado, desse modo, o estudante observará a criação de um conceito ou de um modelo de diferentes perspectivas, advindas de diferentes civilizações; na segunda, o professor determinará o conteúdo e a civilização a serem investigados delimitando a pesquisa; a terceira possibilidade poderá fazer com que ao se dedicar apenas a uma civilização, a pesquisa se torne muito ampla, levando o estudante a se defrontar com conteúdos que ainda não seriam estudados naquele período letivo. Isso pode ocasionar dúvidas durante a investigação, podendo desviar do foco que o professor pretende atingir, uma vez que o seu ano letivo está vinculado ao conteúdo programático.
Nestas três situações, os alunos irão se deparar com questões sociais,