L.N
27 pág.

L.N


DisciplinaFisioterapia Músculoesqueléticas II5 materiais45 seguidores
Pré-visualização8 páginas
ILUSTRAÇÕES JOSÉ FALCETTI
PROF. DR. RAMES MATTAR JUNIOR
PROF. RONALDO J. AZZE
ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA
DO APARELHO LOCOMOTOR
LLEESSÃÃOO DDOOSS 
NNEERRVVOOSS
PPEERRIIFFÉÉRRIICCOOSS
3
ATUALIZAÇÃO EM TRAUMATOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR
3
nervos periféricos são extensões do Sistema
Nervoso Central e responsáveis pela integração
das atividades das extremidades, em suas funções sen-
sitiva e motora. São suscetíveis aos mesmos tipos de
traumas que afetam outros tecidos: contusão, compres-
são, esmagamento, estiramento, avulsão e laceração.
Assim sendo, a interrupção de continuidade da estrutura
do nervo, por algum tipo de trauma, resulta na parada de
transmissão dos impulsos nervosos e na desorganização
de suas atividades funcionais.
Prof. Dr. Rames Mattar Junior
Prof. Ronaldo J. Azze
Publicação Oficial do Instituto 
de Ortopedia e Traumatologia 
Dr. F. E. de Godoy Moreira 
da Faculdade de Medicina 
da Universidade de São Paulo.
R. Dr. Ovidio Pires de Campos, 333
Tel/Fax: (011) 3069-6888
CEP 05403-010 \u2013 São Paulo \u2013 SP
REDAÇÃO: 
Prof. Dr. Rames Mattar Junior
Professor livre Docente da FMUSP
Chefe do Grupo de Mão do Departamento 
de Ortopedia e Traumatologia FMUSP
Professor Ronaldo J. Azze
Professor Titular do Departamento 
de Ortopedia e Traumatologia da FMUSP
PRODUÇÃO GRÁFICA:
Coordenação Editorial: 
Ábaco Planejamento Visual
Colaboradores: 
Carmen T. Bornacina, Bruno Vigna
Marize Zanotto, Adalberto Tojero
Ilustrações Médicas:
José Falcetti
Rodrigo R. Tonan
Diagramação e Editoração Eletrônica: 
Alexandre Lugó Ayres Neto
Fotolito: Bureau Digital Bandeirante
Impressão: Nova Página
Tiragem: 10.000 exemplares
CARTAS PARA REDAÇÃO:
Atualização em Traumatologia do Aparelho Locomotor
Rua Batataes, 174 \u2013 01423-010
São Paulo \u2013 SP \u2013 Tel/Fax.: (011) 885-4277 IINN
TTRR
OO
DD
UU
ÇÇÃÃ
OOLESÕES DOS NERVOSPERIFÉRICOS
Os
User
Highlight
Edited by Foxit ReadernullCopyright(C) by Foxit Software Company,2005-2007nullFor Evaluation Only.null
HISTÓRICO:
A evolução do tratamento das
lesões dos nervos 
periféricos
Até o século XIX sabia-se que, após a
reparação de um nervo periférico, poder-
se-ia obter a recuperação funcional das
estruturas por ele inervadas, mas desco-
nhecia-se o mecanismo pelo qual isto
ocorria. Vários relatos de insucesso fize-
ram com que as reconstruções caíssem
em descrédito. É surpreendente que a pri-
meira publicação otimista, em relação a
lesão de nervo periférico date de 1393,
onde seu autor, Chauliac, relata suas
observações sobre reparações de nervos
periféricos e tendões que restabeleciam
completamente a função. 
O conceito da reconstrução do nervo
periférico, através de sua sutura, não foi
aceito até 1850. Paget (1847) descreveu
um paciente com 11 anos de idade, com
lesão do nervo mediano, com recupera-
ção total após 1 mês do reparo. Marie
Jean Pierre Florens (1828) reportou o
sucesso obtido com a transposição de
nervos motores dos músculos flexores
para extensores das asas de aves. 
Em 1850, Augustus Waller apresenta
seu clássico trabalho sobre a degenera-
ção nervosa após uma lesão. Traba-
lhando no laboratorio de sua casa, des-
creveu a degeneração nervosa . O estudo
de Waller nos nervos hipoglosso e glosso-
faríngeo de sapos demonstrou não ape-
nas a degeneração do axônio distal, mas
também o processo de regeneração ner-
vosa, quando se mantém o cilindro-eixo
intacto. Ele notou que a progressão da
regeneração é mais rápida nos jovens e
que a estimulação elétrica galvânica não
altera a velocidade de regeneração. A
importância de Augustus Waller pode ser
expressada pela denominacão de dege-
neracao walleriana dada ao conjunto de
fenômenos que ocorrem no axônio distal
após uma lesão.
Em seus trabalhos publicados em
1914 e 1928, Ramon y Cajal demonstra
definitivamente que fibras nervosas viá-
veis, em um nervo periférico degenerado,
originam-se e crescem a partir do coto
proximal e não através de auto-regenera-
ção da porção distal degenerada. Seu tra-
tado de histologia e patologia revoluciona
os conceitos sobre nervos periféricos, de
tal forma que autores modernos conside-
ram-no responsável pelo início da era
moderna nas pesquisas sobre regenera-
ção nervosa. 
No século XX, nomes como Tinel,
Seddon, Moberg, Sunderland e outros se
associaram com os grandes avanços nos
estudos das lesões, diagnóstico e trata-
mento em nervos periféricos.
Os conflitos e as guerras, apesar dos
maleficios que sempre trazem, proporcio-
naram avanços às custas do sofrimento
humano. Durante guerra civil americana,
Weir Mitchell relatou suas observações
sobre lesões de nervos periféricos por
armas de fogo. Seu artigo foi publicado
em 1864 e inclui a primeira descrição
sobre causalgia. Em 1872, o mesmo autor
publica seu clássico trabalho \u201cLesões de
nervos periféricos e suas conseqüências\u201d. 
Durante a 1ª guerra mundial, Tinel na
França e Hoffman na Alemanha estudam
a regeneração de nervos reparados. Em
1915, Tinel publica seu trabalho sobre
regeneração de nervos, descrevendo a
dor como sinal de irritação e mal prognós-
tico e o \u201cchoque\u201d como sinal de reinerva-
ção.
Seddon (1948) classifica os diversos
tipos de lesão de nervos periféricos como
neurapraxia, axoniotmese e neurotmese.
Seus conceitos de reparo de nervos peri-
féricos e enxertos de nervo são obedeci-
dos até hoje.
Sundderland (1945), na Austrália, es-
tudou com detalhes a anatomia topográfi-
ca interna dos nervos periféricos. Seu tra-
balho trouxe o suporte para a teoria mo-
derna de reparo interfascicular. Classifica
as lesões de nervos periféricos em 5
graus, segundo o comprometimento ana-
tômico.
Jabaley, mais tarde (1980), descreve
4
REIMPLANTE DE MEMBROS
a topografia fascicular de nervos periféri-
cos através de métodos microcirúrgicos.
Relata que, com a utilização do microscó-
pio, consegue-se o mapeamento fascicu-
lar com maior precisão. Discorda de
Sundderland, referindo que o nervo pos-
sui, em sua maior extensão, um padrão
uniforme e homogêneo de fascículos
paralelos.
O sueco Erik Moberg estudou com
detalhes a sensibilidade e propôs méto-
dos de avaliação, como a discriminação
entre dois pontos.
Um grande avanço nas cirurgias do
nervo periférico foi dado com Smith
(1964) introduzindo as técnicas microci-
rurgicas ,com isto iniciando uma nova era
que trouxe avanços extraordinários no tra-
tamento destas lesões. 
Millesi e col. (1967) utilizam técnicas
microcirúrgicas e demonstram ser possí-
vel realizar enxertos interfasciculares com
nervos cutâneos autólogos, obedecendo
o mapeamento fascicular .
Matras (1973) relata sua experiência
com a utilização do adesivo de fibrina nas
reparações de nervos periféricos.
Taylor e Ham (1977) realizam o trans-
plante de nervo autólogo vascularizado
através de microanastomoses vasculares.
Mattar e col., em nosso meio, estu-
dam o uso do adesivo de fibrina humana
(1990), do enxerto de membrana basal
(1990) e do enxerto de nervo vasculari-
zado (1992), nas lesões de nervos peri-
féricos.
O NERVO \u2013 ANATOMIA
A unidade funcional do nervo periféri-
co é o neurônio, constituído por um corpo
celular, localizado na medula ou no gân-
glio espinal e sua expansão, a fibra nervo-
sa, formada pelo axônio e a bainha con-
juntiva que o envolve, o endoneuro.
A fibra nervosa possui cerca de 
2 a 2,5 m (e é impossível de ser aborda-
da cirurgicamente. O corpo celular pos-
sui prolongamentos denominados den-
dritos, a substância de Nissl que nada
mais é que o retículo endoplasmático
rugoso da célula condensado, outras
organelas e o núcleo com seu nucléolo.
Existem neurônios envoltos por uma
camada de mielina, produzida pelas
células de Schwann, e neurônios não
mielinizados. Nos mielinizados existem
estreitamentos denominados nódulos de
Ranvier onde ocorrem as trocas iônicas
na condução