Práticas abusivas - Resumo
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Práticas abusivas - Resumo

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Conceito
Art. 39 do CDC
“Desconformidade com os padrões mercadológicos de boa conduta em relação ao con-
sumidor” - Antônio Herman Benjamin.
“Prática abusiva, em termos gerais, é aquela que destoa dos padrões mercadológicos,
dos usos e costumes (incs. II e IV, segunda parte, do art. 39 e art. 113 do CC/2002) e da
razoável e boa conduta perante o consumidor” – Ezequiel Morais.
Art. 39 do CDC.
Classicação em relação ao momento em que ocorrem:
Pré-contratuais – art. 39, I, II e III, e art. 40.
Contratuais – arts. 39, XII e 51.
Pós-contratuais – art. 39, VII.
Estudo dos incisos do art. 39 do CDC:
Proibição à venda casada
Aqui o fornecedor nega-se a fornecer o produto ou serviço, sob a condição de que
o consumidor adquira outro produto ou serviço – proibição absoluta.
Objetivo: impedir que o fornecedor, em razão de sua superioridade econômica,
limite a liberdade de escolha do consumidor.
Exemplo: proibir o consumidor de ingressar em sala de cinema com produtos ali-
mentícios adquiridos em outros estabelecimentos (Resp 744.602-RJ, TAC MPRJ com
Aldeia das Águas Parque Resort).
Para o STJ é venda casada a imposição de seguro habitacional pelo agente nan-
ceiro na aquisição da casa própria pelo Sistema Financeiro da Habitação. Súmula
473 STJ: “O mutuário do SFH não pode ser compelido a contratar o seguro habi-
tacional obrigatório com a instituição nanceira mutuante ou com a seguradora
por ela indicada”.
Práticas abusivas
Direito do Consumidor
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a limitação quantitativa não é absoluta. O Código admite quando se tratar de
justa causa. Ex.: limitar o número de itens adquiridos em promoções/liquidações.
Recusa em atender à demanda – art. 39, inciso II
O fornecedor não pode recusar o atendimento.
Exemplo: taxista que nega a corrida em razão da curta distância a ser percorrida.
O PROCON-SP tem orientação no sentido de que a aceitação de cheque é opcional
por parte do estabelecimento.
Fornecimento não solicitado – art. 39, inciso III
O produto ou serviço só pode ser fornecido desde que haja solicitação prévia.
Caso o produto ou serviço é fornecido: aplica-se a regra do parágrafo único do
art. 39, não havendo obrigação de pagamento por parte do consumidor.
Exemplo: envio de cartão de crédito. Súmula 532 do STJ: “constitui prática comercial
abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e expressa solicitação do consumidor,
congurando-se ato ilícito indenizável e sujeito à aplicação de multa administrativa”.
Aproveitamento da hipervulnerabilidade do consumidor – art. 39, inciso IV
Tratamento diferenciado para o hipervulnerável.
Exemplo: idosos e decientes.
Exigir do consumidor vantagem excessiva – art. 39, inciso V
Basta exigir vantagem excessiva, não há necessidade de concretizá-la.
Vantagem excessiva = vantagem exagerada (art. 51, IV e § 1°).
Exemplo: exigência de cheque-caução, quando o consumidor já tem plano de saú-
de ou quando ausente justo motivo para a negativa de cobertura.
Serviços sem orçamento – art. 39, inciso VI
Necessidade de orçamento prévio = boa-fé objetiva à fase pré-contratual do negócio
de consumo.
Orçamento deve conter os elementos do art. 40 do CDC: 1) valor da mão de obra,
2) valor dos materiais e equipamentos; 3) condições de pagamento; e, 4) datas.
Uma vez aprovado pelo consumidor, o orçamento obriga os contratantes e so-
mente pode ser alterado mediante livre negociação das partes.
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Intercâmbio de dados e informações depreciativas – art. 39, inciso VII
Proibição da divulgação de informações depreciativas sobre o consumidor.
Diferente das informações contidas no art. 43, pois estas são arquivos de consumo.
Inobservância de normas técnicas – art. 39, inciso VIII
Devem ser observadas as normas expedidas pelos órgãos competentes ou pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo
CONMETRO.
Objetivo: Proteção dos consumidores a situações de risco.