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Apostila Direito do Trabalho   OAB 1ª Fase (2017) Alexandre Teixeira Curso Prime

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não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito 
residencial destas, por não mais que 02 (dois) dias na semana. Como qualquer empregado, o doméstico é pessoa natural que 
 
 
 
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presta serviços com pessoalidade, subordinação e com intuito de receber salário a empregador doméstico. Entretanto, conta 
como seus próprios elementos essenciais caracterizadores de sua condição, pelo que passaremos a examinar cada um. 
a) continuidade: a continuidade não se confunde com a não-eventualidade. Enquanto a não- eventualidade 
não guarda relação com a quantidade de dias em que o empregado presta serviços, a continuidade está diretamente ligada à 
quantidade de dias da semana em que o empregado presta serviço. 
O empregado doméstico é aquele que presta serviços de natureza contínua por mais de 02 vezes por semana. Dessa 
forma, a continuidade é a prestação de serviço superior a 02 vezes por semana ou a partir de 03 vezes por semana, sendo 
este o atual entendimento do TST. 
a) finalidade não-lucrativa: a atividade do doméstico não pode ser explorada por seu empregador com a 
finalidade de lucro. Portanto, se na residência há regular pensionato para não familiares ou sistema de 
fornecimento de alimentação para terceiros, a faxineira ou a cozinheira não mais serão domésticas, mas 
empregadas urbanas. 
É doméstico o caseiro de sítio de veraneio do empregador desde que não se realize na propriedade produção para 
fins de comercialização. Caso exista exploração agro-econômica com venda a terceiros, restará descaracterizado o vínculo de 
trabalho doméstico com o caseiro e este será empregado rural. 
b) prestação de serviços à pessoa ou à família: não há possibilidade de o empregador doméstico ser pessoa 
jurídica. Apenas a pessoa natural, individualmente ou em grupo unitário, e a família é que podem ser 
considerados empregadores domésticos. A exemplo de grupo unitário tem-se a relação de trabalho doméstico 
existente entre uma faxineira ou cozinheira e amigos que dividem um apartamento. 
c) âmbito residencial: o elemento âmbito residencial traz em si a circunstância de não se tratar apenas do 
local de moradia do indivíduo ou da família, mas, também, unidades estritamente familiares que estejam distantes da 
residência principal da pessoa ou família que toma o serviço doméstico tais como casa de praia, casa de campo, sítio de 
veraneio, etc. 
 
1.3.2. Diarista Doméstico 
O diarista doméstico é aquele que presta serviços no âmbito residencial à pessoa ou família sem finalidade lucrativa, 
por até 02 vezes por semana (art. 1º da LC 150). Ele não tem vínculo empregatício, tendo direito tão somente a remuneração 
pactuada, sendo esta paga ao final do dia – daí o nome diarista – e deve ter valor de mercado. Logo o pagamento da 
remuneração do diarista não pode ser acumulado para cada 15 dias ou para o fim do mês. 
Um detalhe interessante quanto ao diarista é que o empregador não pode engessar, fixar ou estabelecer os dias a 
serem trabalhados. Os dias a serem trabalhados serão acordados, devendo o empregador se adequar aos dias disponíveis do 
empregado. 
Ademais, para afastar a configuração do vínculo de emprego doméstico é imprescindível que a diarista trabalhe até 
02 dias por semana, nos dias que ela escolher e com o pagamento feito diariamente ao final do trabalho. 
 
1.4. Empregado rural 
Enquanto vigia a alínea “b” do art. 7º da CLT, o empregado rural era caracterizado através do tipo de serviços que 
executava: se ligados à terra ou à pecuária era rural, de modo que um mesmo empregador poderia ter sob seu manto, ao 
mesmo tempo, empregados urbanos e rurais, seguindo pela contra-mão do enquadramento do empregado pela principal 
atividade do empregador. 
Com o advento da Lei 5889/73, o empregado rural passou a ser definido por seu art. 2º da seguinte maneira: 
empregado rural é toda pessoa física que, em propriedade rural ou prédio rústico, preste serviços de natureza não eventual a 
empregador rural, mediante dependência e salário. 
 
 
 
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Assim como nos empregados urbanos1, estão presentes nos rurais a prestação pessoal de serviços por pessoa física, 
a não-eventualidade, a subordinação jurídica e a prestação de serviços com a intenção de receber salários. No entanto, 
vamos nos deter agora nos elementos essenciais específicos dos rurais: 
1.4.1. prestação de serviços a empregador rural: não importa se o empregado exerce atividade tipicamente urbana como 
os administradores de fazenda, os almoxarifes, os datilógrafos, os motoristas, se estes prestam serviços não-
eventuais a empregador rural serão considerados empregados rurais2. O que define o empregado rural não é o tipo 
de função que exerce, se tipicamente urbana ou rural, mas, sim, a atividade exercida pelo empregador. Se 
eminentemente rural, seus empregados serão todos rurais, inclusive os datilógrafos, gerentes, almoxarifes, 
motoristas do estabelecimento rural. 
Resumidamente, de acordo com a Lei, o empregado rural é definido somente pelo fato de prestar seus serviços para 
empregador rural, logo, mesmo aqueles empregados cujo serviço não tenha qualquer relação com o meio rural, mas o 
empregador seja rural, será enquadrado, à luz da Lei, como empregado rural. 
Assim, empregado rural é quem presta serviços a empregador rural. O empregado rural hoje é definido pela 
atividade que o empregador exerce. Se o empregador – não interessa as funções que o empregado desempenha – se o 
empregador é classificado como rural e empregado será rural (pela Lei) 
OJ 38, SDI-1, TST. EMPREGADO QUE EXERCE ATIVIDADE RURAL. EMPRESA DE REFLORESTAMENTO. PRESCRIÇÃO PRÓPRIA DO 
RURÍCOLA. (LEI Nº 5.889/73, ART. 10 E DECRETO Nº 73.626/74, ART. 2º, § 4º) (inserido dispositivo) – DEJT divulgado em 16, 17 e 
18.11.2010 O empregado que trabalha em empresa de reflorestamento, cuja atividade está diretamente ligada ao manuseio da terra e de 
matéria-prima, é rurícola e não industriário, nos termos do Decreto n.º 73.626, de 12.02.1974, art. 2º, § 4º, pouco importando que o 
fruto de seu trabalho seja destinado à indústria. Assim, aplica-se a prescrição própria dos rurícolas aos direitos desses empregados. 
OJ315, SDI-1, TST. MOTORISTA. EMPRESA. ATIVIDADE PREDOMINANTEMENTE RURAL. ENQUADRAMENTO COMO 
TRABALHADOR RURAL (DJ 11.08.2003) É considerado trabalhador rural o motorista que trabalha no âmbito de empresa cuja atividade é 
preponderantemente rural, considerando que, de modo geral, não enfrenta o trânsito das estradas e cidades. 
OJ 419, SDI-1, TST. ENQUADRAMENTO. EMPREGADO QUE EXERCE ATIVIDADE EM EMPRESA AGROINDUSTRIAL. DEFINIÇÃO PELA 
ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA. (DEJT divulgado em 28 e 29.06.2012 e02.07.2012) Considera-se rurícola empregado 
que, a despeito da atividade exercida, presta serviços a empregador agroindustrial (art. 3º, § 1º, da Lei nº 5.889, de 08.06.1973), visto 
que, neste caso, é a atividade preponderante da empresa que determina o enquadramento. 
1.4.2. prestação de serviços em propriedade rural: Entende-se por propriedade rural aquela localizada geograficamente 
na zona rural em que nela é explorada uma atividade agro econômica rural. 
 
1.4.3. prestação de serviços em prédio rústico: Prédio rústico é o destinado à exploração agrícola, pecuária ou extrativa 
vegetal. No entanto, está localizado geograficamente no espaço urbano. É, portanto, aquele espaço 
geograficamente na zona urbana em que nele é explorada uma atividade agro-econômica rural. Assim, será rurícola 
um lavrador ou pecuarista que explora atividade agro-econômica ou pastoril em plena cidade