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Apostila Direito do Trabalho   OAB 1ª Fase (2017) Alexandre Teixeira Curso Prime

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da sorte. É como os 
contratos de seguros de carro. O contratante paga o prêmio à seguradora, que só pagará a indenização quando da 
ocorrência de algum sinistro. 
5.7.2. Sinalagmaticidade (Onerosidade + Comutatividade): é quando os direitos e obrigações das partes são correlatos e 
recíprocos. É aquele cujos direitos e obrigações são correlatos e recíprocos. 
 
6. CONDIÇÕES DO CONTRATO INDIVIDUAL DE TRABALHO (ART. 104 CC/2002): 
Um contrato válido gera uma relação de emprego existente. Os elementos fático/jurídicos da relação de emprego 
estão previstos no art. 3º da CLT. Além dos elementos fáticos/jurídicos, existem também os elementos formais, constantes 
do art. 104 do CC. 
a) agente capaz; b) objeto lícito; c) forma prescrita ou não defesa em lei. 
O contrato de trabalho como todo ato jurídico, seja bilateral seja unilateral, para ser efetivamente válido exige 03 
requisitos: agente capaz (capacidade das partes), licitude do objeto e forma prescrita ou não defesa em lei, como está no art. 
104 do Código Civil. 
Art. 104, CC. A validade do negócio jurídico requer: 
I- agente capaz; 
II- objeto lícito, possível, determinado ou determinável; 
 III – forma prescrita ou não defesa em lei. 
Assim, podemos concluir que por mais que um trabalhador seja pessoa física, preste serviços com pessoalidade, que a 
prestação de serviço seja não-eventual, que os seus serviços estejam subordinados e que preste os serviços com intenção de 
receber salários (possuindo os cinco elementos fático-jurídicos), esse trabalhador será considerado empregado só e somente 
só se o contrato de trabalho for válido. 
 
 
 
 
CURSO PRIME – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2222 11 
 
OS: 0194/9/16-Gil 
OAB – 1ª FASE – XXI EXAME DA ORDEM 
5 ELEMENTOS FÁTICO-JURÍDICOS 3 REQUISITOS DE VALIDADE DO ATO JURÍDICO 
- Pessoa física 
- pessoalidade 
- não-eventualidade 
- subordinação 
- onerosidade 
+ 
- capacidade das partes 
- licitude do objeto 
- forma prescrita ou não defesa em lei 
 
Uma pessoa só é empregado se mantiver com seu empregador uma relação de emprego, e essa relação de emprego 
decorre, necessariamente, de um contrato, que para ser válido precisa de um agente capaz, licitude do objeto e forma 
prescrita ou não defesa em lei. 
6.1. Capacidade das Partes: Algumas coisas no direito do trabalho são um tanto quanto deferentes do direito civil. Enquanto 
a capacidade civil começa aos 16 anos (dos 16 aos 18 anos há capacidade relativa) e aos 18 anos o sujeito é 
absolutamente capaz; a capacidade no direito do trabalho começa a partir dos 14 anos, quando já se pode celebrar um 
contrato de trabalho, desde que, nesse caso, seja um contrato de aprendizagem. O aprendiz não precisa de autorização 
dos pais para celebrar um contrato de trabalho, basta que ele tenha 14 anos e uma CTPS (para que seja feita a devida 
anotação). 
Art. 7º, XXXIII, CF - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de 
dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; 
Art. 428, CLT. Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado, em que o 
empregador se compromete a assegurar ao maior de 14 (quatorze) e menor de 24 (vinte e quatro) anos inscrito em programa de 
aprendizagem formação técnico-profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, 
a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a essa formação. 
Art. 402, CLT. Considera-se menor para os efeitos desta Consolidação o trabalhador de quatorze até dezoito anos. 
Art. 406, CLT - O Juiz de Menores poderá autorizar ao menor o trabalho a que se referem as letras "a" e "b" do § 3º do art.405 
Os contratos de trabalho celebrados com menores de 14 anos são contratos de trabalho nulos de pleno direito, pois, 
por mais que a pessoa possua os cinco elementos fático-jurídicos, se não for agente capaz o contrato de trabalho é nulo, e 
sendo nulo não se é empregado, porque além dos elementos fático-jurídicos, são precisos os elementos jurídicos formais. 
De acordo com o entendimento do TST, no caso de nulidade do contrato de trabalho por incapacidade do agente, a 
relação de emprego é inexistente, mas acaba gerando efeitos, como o pagamento de salários e demais direitos trabalhistas. 
Esses efeitos são gerados até o juiz declarar o contrato como nulo (efeito ex nunc da sentença). 
 
6.2. Licitude do objeto 
Quando se fala na licitude do objeto fala-se efetivamente da prestação de serviço, isso porque o objeto do contrato de 
trabalho é a prestação de serviços. A própria atividade realizada pelo empregado deve ser lícita. 
Quando a própria prestação de serviços for ilícita o contrato de trabalho será ilícito, pois o objeto é ilícito. Nessa 
situação o contrato será nulo e não gerará efeitos. 
No jogo do bicho, por exemplo, tanto o banqueiro como o ‘apontador’ são contraventores. Nesse caso, o contrato de 
trabalho será nulo porque o objeto é elícito, e nesses casos, o trabalhador não tem nenhum direito. Pode até ter várias 
verbas trabalhistas a receber, mas não terá nenhum direito a elas. 
OJ 199, SDI-1, TST. JOGO DO BICHO. CONTRATO DE TRABALHO. NULIDADE. OBJETO ILÍCITO (título alterado e inserido dispositivo) - 
DEJT divulgado em 16, 17 e 18.11.2010.É nulo o contrato de trabalho celebrado para o desempenho de atividade inerente à prática do 
jogo do bicho, ante a ilicitude de seu objeto, o que subtrai o requisito de validade para a formação do ato jurídico. 
De acordo com as decisões do TST que aplicam a OJ 199, o contrato é nulo e não gera nenhum efeito. 
Manter casa de prostituição é crime, no entanto, não há tipo penal prevendo como ilícito penal as atividades 
desenvolvidas por manobrista em casa de prostituição, dançarinas e outros. Logo, o contrato desses trabalhadores é válido e 
gera todos efeitos. 
 
 
 
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Em relação à prostituta em casa de prostituição existe bastante divergência, para os que entendem ser crime, o 
contrato de trabalho é nulo, não gerando quaisquer efeitos e para aqueles que entendem não ser crime, o contrato é válido. 
Em se tratando de policial militar que trabalha como segurança particular, não há se falar em ilicitude (inexistência 
de previsão como contravenção ou crime) da prestação de serviços, logo o vínculo existe e o contrato válido gera todos os 
efeitos. 
Assim, consoante a Súmula 386, já consolidou esse entendimento: 
Súmula nº 386 - TST - Res. 129/2005 - DJ 20.04.2005 - Conversão da Orientação Jurisprudencial nº 167 da SDI-1. Policial Militar - 
Reconhecimento de Vínculo Empregatício com Empresa Privada. Preenchidos os requisitos do art. 3º da CLT, é legítimo o 
reconhecimento de relação de emprego entre policial militar e empresa privada, independentemente do eventual cabimento de 
penalidade disciplinar prevista no Estatuto do Policial Militar. 
Ressalte-se, no entanto, que as Súmulas e as OJs do TST não têm efeito vinculante, razão pela qual, eventualmente 
pode ocorrer algum julgamento contrário às próprias Súmulas e Orientações Jurisprudenciais do TST. Entretanto, essas 
decisões contrárias ao entendimento consolidado do TST são alvo de Embargos de Divergência para a SDI. 
 
6.2.1. Forma prescrita ou não defesa em lei: A regra geral é que os contratos de trabalho não tenham formalidades. Eles são 
informais, não solenes. Mas alguns contratos de trabalho têm solenidade, como, por exemplo, o contrato de 
aprendizagem. 
Se o empregador não obedecer às formalidades o contrato é nulo. Esse contrato deixa de ser um contrato de 
aprendizagem e passa a ser um