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Apostila Direito do Trabalho   OAB 1ª Fase (2017) Alexandre Teixeira Curso Prime

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da CLT: 
Art. 444, CLT. As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não 
contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades 
competentes. 
 
Uma das obrigações do contrato de trabalho é o fornecimento de serviço pelo empregador ao empregado. A falta de 
fornecimento de trabalho pode ensejar falta grave e até dano moral. 
 
3.3.3.5. Ato Lesivo da Honra e Boa Fama do Empregado 
Essa hipótese está prevista na alínea “e” do art. 483 da CLT e ocorre quando o empregador toma atitudes com o 
objetivo de suscitar dúvidas acerca da probidade (caráter) do empregado ou de sua família. 
 
 
 
 
 
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OAB – 1ª FASE – XXI EXAME DA ORDEM 
Art. 483, CLT. O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: 
e) Praticar o empregador ou seus prepostos, contra ele ou pessoas de sua família, ato lesivo da honra e boa fama; 
 
 
3.3.3.6. Ofensa Física 
A previsão da alínea “e” do art. 483 da CLT é de que o empregador não pode ofender moralmente nem o 
empregado nem a sua família. A alínea “f” do mesmo artigo já prevê que a ofensa física só não pode ser ao empregado, de 
modo que ofenda física às pessoas de sua família não constitui falta grave. 
Art. 483, CLT. O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: 
f) o empregador ou seus prepostos ofenderem-no fisicamente, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; 
 
3.3.3.7. Redução de Tarefa 
Diferentemente do disposto na alínea “d”, em que há alteração no salário, independente da quantidade do serviço, 
a alínea “g” do art. 483 da CLT prevê como causa de rescisão indireta a alteração na quantidade de serviço que altere 
consideravelmente o salário, de forma a prejudicar o empregado. 
Observe que o §3º do art. 483 da CLT concede ao empregado a escolha de permanecer ou não trabalhando no curso 
do processo pelo qual pleiteia a rescisão indireta do contrato de trabalho. 
Art. 483, CLT. O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: 
g) o empregador reduzir o seu trabalho, sendo este por peça ou tarefa, de forma a afetar sensivelmente a importância dos salários. 
§ 3º Nas hipóteses das letras d e g, poderá o empregado pleitear a rescisão de seu contrato de trabalho e o pagamento das respectivas 
indenizações, permanecendo ou não no serviço até final decisão do processo. 
 
 ATENÇÃO! De acordo com o TST, o atraso de salários por mais de 30 dias corridos é considerado falta grave do 
empregador. 
 
ATENÇÃO! Existindo a necessidade de o empregado se afastar em virtude de encargo público ou serviço militar 
obrigatório, havendo compatibilidade com seu atual empregado, ele assume, e, não havendo compatibilidade, poderá 
ele optar entre a suspensão do contrato ou sua rescisão, conforme o disposto no art. 472 da CLT. 
Art. 472, CLT. O afastamento do empregado em virtude das exigências do serviço militar, ou de outro encargo público, não constituirá 
motivo para alteração ou rescisão do contrato de trabalho por parte do empregador. 
 
 
3.4. PEDIDO DE DEMISSÃO 
O pedido de demissão ocorre quando o empregado voluntariamente e sem justa causa quer se desligar do contrato 
de trabalho. 
 
3.4.1. Verbas devidas 
Empregado que pede demissão nem levanta FGTS e nem tem direito à indenização, recebendo as demais verbas. No 
caso do aviso prévio, este é devido pelo empregado ao empregador, nos termos do § 2º do art. 487 da CLT. 
 
 
 
 
 
 
 
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O empregado recebe: 
AVISO PRÉVIO – dado pelo empregado ao empregador  
SALDO DE SALÁRIOS  
13º PROPORCIONAL  
FÉRIAS PROPORCIONAIS + 1/3  
FÉRIAS VENCIDAS SIMPLES + 1/3, SE HOUVER  
FÉRIAS VENCIDAS DOBRADAS + 1/3, SE HOUVER  
LEVANTAMENTO DOS DEPÓSITOS DO FGTS  
INDENIZAÇÃO DE 40% SOBRE DEPÓSITOS DO FGTS  
INDENIZAÇÃO ADICIONAL ART. 9º LEI 7.238/84  
 
 
3.5. CULPA RECÍPROCA 
3.5.1. Conceito 
Há culpa recíproca quando o empregado e o empregador cometem, ao mesmo tempo, falta grave. Na 
impossibilidade de saber exatamente quem cometeu a falta grave primeiro, aplica-se a culpa recíproca. Apesar de não existir 
definição legal para esse tipo de rescisão, suas consequências jurídicas encontram-se previstas no art. 484 da CLT, na Súmula 
14 do TST e no art. 18 da Lei 8.036/1990: 
Art. 484, CLT- Havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a 
indenização à que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador, por metade. 
SUM-14, TST. CULPA RECÍPROCA (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 Reconhecida a culpa recíproca na rescisão do 
contrato de trabalho (art. 484 da CLT), o empregado tem direito a 50% (cinquenta por cento) do valor do aviso prévio, do décimo 
terceiro salário e das férias proporcionais. 
Lei 8.036/199, Art. 18. Ocorrendo rescisão do contrato de trabalho, por parte do empregador, ficará este obrigado a depositar na 
conta vinculada do trabalhador no FGTS os valores relativos aos depósitos referentes ao mês da rescisão e ao imediatamente anterior, 
que ainda não houver sido recolhido, sem prejuízo das cominações legais. 
§ 1º Na hipótese de despedida pelo empregador sem justa causa, depositará este, na conta vinculada do trabalhador no FGTS, 
importância igual a quarenta por cento do montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do 
contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros. 
§ 2º Quando ocorrer despedida por culpa recíproca ou força maior, reconhecida pela Justiça do Trabalho, o percentual de que trata 
o § 1º será de 20 (vinte) por cento. (grifo nosso) 
 
Ex.: Um empregado, “A”, chegou 10min atrasado na empresa e deparou-se com seu colega de trabalho, “B”, aos 
murros a tapas com seu patrão (empregador). “A” tentou, imediatamente, apartar a briga, sem saber ao certo que deu início 
à mesma. 
O patrão, então, no mesmo dia, demitiu “B” por justa causa. “B”, inconformado, entrou com uma reclamação 
trabalhista requerendo a nulidade da dispensa por justa causa, a sua conversão em dispensa sem justa causa por conta de 
falta grava do empregador, e, consequentemente, todas as verbas rescisórias e indenizatórias supostamente devidas. 
O empregador, em sua contestação, alegou que a falta grave foi de “B”, pelo que tinha direito a receber somente 
saldo de salários e férias vencidas. O juiz, então, ouviu as testemunhas arroladas pelas partes, incluindo “A”. Acontece que 
nenhuma delas soube informar de quem partiu a referida briga. Nesse caso, o juiz reconhecerá a rescisão do contrato de 
trabalho por culta recíproca. 
Importante ressaltar que a rescisão por culpa recíproca, assim como a rescisão decorrente de inquérito judicial para 
apuração de falta grave, é uma rescisão contratual “ope judicis”, ou seja, só se opera por força de decisão judicial. 
 
3.5.2. Verbas devidas 
Conforme o art. 484 da CLT e a Súmula 14 do TST, transcritos anteriormente, na culpa recíproca, as verbas 
indenizatórias são devidas pela metade. Apenas o saldo de salários e as férias são devidos integralmente, tendo o 
empregado, ainda, direito a levantar os depósitos de FGTS. 
 
 
 
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