A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
85 pág.
REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL volume 2

Pré-visualização | Página 15 de 19

rituais e
cuidados utilizados na família e em outras culturas nos
momentos de sono e repouso.
62
Organização do tempo
ATIVIDADES PERMANENTES
Todas as atividades permanentes do grupo contribuem, de forma direta ou indireta,
para a construção da identidade e o desenvolvimento da autonomia, uma vez que são
competências que perpassam todas as vivências das crianças. Algumas delas, como a roda
de conversas e o faz-de-conta, porém, constituem-se em situações privilegiadas para a
explicitação das características pessoais, para a expressão dos sentimentos, emoções,
conhecimentos, dúvidas e hipóteses quando as crianças conversam entre si e assumem
diferentes personagens nas brincadeiras.
A oferta permanente de atividades diversificadas em um mesmo tempo e espaço é
uma oportunidade de propiciar a escolha pelas crianças. Organizar, todos os dias, diferentes
atividades, tais como cantos para desenhar, para ouvir música, para pintar, para olhar livros,
para modelar, para jogos de regras etc., auxilia o desenvolvimento da autonomia.
Uma parte significativa da auto-estima advém do êxito conseguido diante de
diferentes tipos de desafios. Nesse sentido, a obtenção de êxito, por parte das crianças, na
realização de algumas ações é um ponto que merece atenção. Para que se possa garantir
que as crianças tenham êxito em suas ações, é preciso conhecer as possibilidades de cada
uma e delinear um planejamento que inclua ações ao mesmo tempo desafiadoras e possíveis
de serem realizadas por elas. Dessa forma, propiciar situações em que as crianças possam
Iolanda Huzak
63
fazer algumas coisas sozinhas, ou com pouca ajuda, deixá-las descobrir formas de resolver
os problemas colocados, elogiar suas conquistas, explicitando a elas a avaliação de como
seu crescimento tem trazido novas competências são algumas ações que auxiliam nessa
tarefa.
A arrumação da sala após uma atividade, é um exemplo que contém várias ações que
elas podem realizar sozinhas ou com pouca ajuda. Considerar um tempo ao final de cada
atividade dedicado para a arrumação é uma boa oportunidade para que elas possam de um
lado, aprender a cooperar e perceber que a arrumação é algo da responsabilidade de todos.
De outro lado, essa atividade pode permitir que elas percebam que são capazes de realizar
ações de forma independente, como guardar materiais, brinquedos, varrer a sala, jogar
restos de papel no lixo, devolver materiais que foram tomados emprestados de outras salas
ou locais da instituição etc. É bastante provável que no início o professor tenha de apoiar e
supervisionar a ação das crianças. A arrumação gasta tempo, por isso deve ser considerada
uma atividade em si e, como tal, ser planejada. Pode ser feito um quadro em que as tarefas
de cada um no momento de arrumação são marcadas, de forma que todas as crianças saibam
qual a sua tarefa daquele dia e possam, além disso, conferir que todos irão experimentar
todas as modalidades.
Outras atividades permanentes merecem um destaque pela visibilidade que oferecem
às crianças de suas próprias competências. Permitem às crianças realizar sozinhas algumas
das ações para as quais elas já têm competência e que muitas vezes, por questões de
organização, são realizadas pelos adultos, como servir o prato de comida ou cuidar de sua
higiene pessoal.
Na hora da refeição, é importante deixar que as crianças sirvam-se sozinhas. Se, no
início, elas terão necessidade de alguma ajuda, em pouco tempo poderão ter a sua
competência ampliada. Isso demanda algumas condições, tais como um tempo maior para
as refeições, oferta de pratos, talheres, travessas e jarras adequados para o tamanho e
capacidade motora das crianças, arranjo do espaço que permita mobilidade, entre outras
coisas. Não se deve esquecer que a organização da instituição deve estar a serviço da ação
educativa e não o contrário.
O banho, lavar as mãos, escovar os dentes etc. são outras possibilidades de atividades
permanentes que auxiliam a independência das crianças, contribuindo para a sua auto-
estima.
SEQÜÊNCIA DE ATIVIDADES
A construção da identidade e a conquista da autonomia pelas crianças são processos
que demandam tempo e respeito às suas características individuais. Nessa medida, algumas
atividades propostas de forma seqüenciada podem ajudá-las nesse processo. Considerando-
se que são muitas as possibilidades de trabalho que envolvem este eixo, pois estão associadas
64
às diversas características pessoais, culturais e sociais dos grupos de crianças, pensar nas
seqüências de atividades implica planejar experiências que se organizam em etapas
diferenciadas e com graus de dificuldades diversos.
Para que as crianças aprendam a comer sozinhas, por exemplo, os professores podem
planejar situações que ampliem gradativamente suas capacidades de segurar os talheres,
colocar a comida na boca etc.
PROJETOS
Fotos: Iolanda Huzak
65
Vários projetos relacionados ao faz-de-conta podem ser desenvolvidos, tais como a
construção de um cenário para uma viagem intergalática; a confecção de fantasias para
brincar de bumba-meu-boi; construir castelos de reis e rainhas; cenas de histórias e contos
de fadas etc. Pode-se planejar um projeto de realização de um circo, por exemplo, com
todas as crianças da instituição, envolvendo cada grupo em função da idade e das suas
capacidades. O grupo dos grandes pode definir as personagens, os meios e os materiais a
serem utilizados, assim como definirem quando e para quem será destinado. Podem,
também, confeccionar fantasias para os pequenos, para que participem de seu circo ou que
criem pequenos circos em sala.
Projetos que visem discutir a identidade cultural brasileira também são interessantes.
Dada a diversidade que constitui as manifestações culturais deste país, um projeto com
esse objetivo pode tomar diferentes rumos. Por exemplo, pode-se enfocar as danças próprias
a diferentes regiões, as comidas ou vestimentas típicas, pode-se fazer um levantamento
das diferentes maneiras de se chamar um mesmo brinquedo. Há uma infinidade de
perspectivas que devem ser escolhidas em função do perfil e dos interesses das crianças
que compõem o grupo.
A realização de projetos sobre a diversidade étnica que compõe o povo brasileiro é
um recurso importante para tratar de forma mais objetiva a questão da identidade. Conhecer
a história e a cultura dos vários povos que para cá vieram é de grande valia para resgatar o
valor de todas as etnias presentes no Brasil, o que pode ajudar a diluir as manifestações de
preconceito, alargando a visão de mundo dos elementos do grupo.
Para que se trabalhe de forma mais completa o sentimento de ser brasileiro e a
identidade nacional, pode ser interessante também percorrer realidades mais distantes, de
outros países, de outros povos. Por exemplo, ao se pesquisar os costumes e a geografia de
civilizações distantes da moderna, são oferecidos parâmetros para que as crianças tenham
mais consciência desses elementos presentes na sua cidade ou região.
A diversidade de crença religiosa, traço presente na sociedade brasileira, pode também
ser tema de projetos. Comumente essa diversidade está presente nas famílias que seguem
diversas religiões ou nenhuma.
Observação, registro e avaliação formativa
A observação das formas de expressão das crianças, de suas capacidades de
concentração e envolvimento nas atividades, de satisfação com sua própria produção e
com suas pequenas conquistas é um instrumento de acompanhamento do trabalho que
poderá ajudar na avaliação e no replanejamento da ação educativa.
No que se refere à avaliação formativa, deve-se ter em conta que não se trata de
66
avaliar a criança, mas sim as situações de aprendizagem que foram oferecidas. Isso significa
dizer que a expectativa em relação à aprendizagem da criança deve estar sempre vinculada
às oportunidades e experiências que foram oferecidas a ela. Assim, pode-se esperar,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.